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RECONHECIMENTO

Escola de Wagner Moura, Bando de Teatro Olodum vira patrimônio cultural

Bando foi criado em 17 de outubro de 1990 em Salvador

Edvaldo Sales

Por Edvaldo Sales

07/04/2026 - 10:33 h | Atualizada em 07/04/2026 - 12:56

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Bando de Teatro Olodum em cena do espetáculo Cabaré da RRRRRaça
Bando de Teatro Olodum em cena do espetáculo Cabaré da RRRRRaça -

A lei que torna o grupo Bando de Teatro Olodum, por onde passaram nomes como Wagner Moura e Lázaro Ramos, Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Salvador foi sancionada pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil). A decisão foi publicada no Diário Oficial.

Com a sanção, publicada na segunda-feira, 6, o Poder Executivo, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), tem a obrigação de promover ações que visem a preservação, a valorização e o registro oficial das atividades do grupo.

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A lei estabelece que a prefeitura deverá apoiar iniciativas voltadas para a documentação, memória e difusão do trabalho do Bando de Teatro Olodum. O objetivo é garantir que o grupo continue operando como uma manifestação cultural popular relevante.

Além disso, a lei reconhece explicitamente o grupo como um expoente fundamental na luta antirracista, reforçando a importância do seu papel político e social na cidade.

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Bando de Teatro Olodum

Criado em 17 de outubro de 1990, em Salvador, o Bando de Teatro Olodum nasceu de uma parceria entre o Grupo Cultural Olodum e artistas do teatro baiano, como Márcio Meirelles, Chica Carelli, Maria Eugênia Millet e Leda Ornelas.

Desde a sua fundação, o grupo tem como principal missão valorizar o protagonismo negro nos palcos e construir uma linguagem cênica que reflita a cultura e a identidade da população negra no Brasil.

Ao longo de mais de três décadas, o Bando consolidou-se como a companhia negra mais popular e longeva do teatro baiano.

Com autonomia criativa, seus atores e atrizes participam ativamente da escolha de repertório e da construção dos espetáculos, levando ao palco histórias que dialogam diretamente com o cotidiano da população negra e com o enfrentamento ao racismo.

Lázaro Ramos em cena do espetáculo Cabaré da RRRRRaça
Lázaro Ramos em cena do espetáculo Cabaré da RRRRRaça | Foto: Cedoc A TARDE

As apresentações vão além dos teatros tradicionais, alcançando também comunidades, onde o grupo mantém forte conexão com o público.

Outro diferencial do Bando está na incorporação da música e da dança como elementos centrais de sua linguagem artística, ampliando as formas de comunicação com a plateia.

Essa identidade estética foi fortalecida com a chegada do diretor de movimento Zebrinha, em 1993, e do diretor musical Jarbas Bittencourt, em 1996.

O grupo também é reconhecido por revelar grandes nomes da dramaturgia brasileira. Entre seus integrantes mais conhecidos estão os atores Wagner Moura e Lázaro Ramos, que passaram pelo Bando no início de suas carreiras e hoje são referências no cinema, na televisão e no teatro nacional.

“Justiça histórica”

Atriz e diretora que integra o Bando de Teatro Olodum há mais de 30 anos, Cássia Valle destacou que o grupo constrói uma história que atravessa o teatro e se firma como espaço de formação, resistência, memória e identidade negra.

“Reivindicar esse título não é favor, é justiça histórica. Ao longo dos anos, o grupo tem formado artistas, educadores e cidadãos comprometidos com a transformação social”, destacou.

Segundo Valle, a atuação do Bando dialoga diretamente com políticas públicas de cultura, educação e igualdade Racial, “sendo referência nacional e internacional. Reconhecer o Bando é reconhecer a centralidade da cultura negra na construção de Salvador”.

“É dizer, de forma pública e institucional, que essa história importa, que essa trajetória é fundante”, finalizou.

*Matéria atualizada para acrescentar o posicionamento da atriz e diretora, Cássia Valle.

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Bando de Teatro Olodum Cultura Salvador

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