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RETORNO EM GRANDE ESTILO

Estação Rubi reabre em Salvador após dois anos e estreia nova fase

Nova fase da Estação Rubi une música, teatro e proximidade com o público

Maiquele Romero*
Por Maiquele Romero*
Estação Rubi retorna com shows, teatro e proposta de experiência sensorial
Estação Rubi retorna com shows, teatro e proposta de experiência sensorial -

Após dois anos fora da agenda cultural de Salvador, a Estação Rubi volta à cena reposicionando-se não apenas como uma casa de shows, mas como uma experiência de escuta – e já abre suas portas nesta sexta-feira, 10, com o espetáculo Coração na Boca, de Alexandre Leão, que se apresenta novamente no sábado, 11. Instalado agora no Palacete Tirachapéu, no Centro Histórico, o projeto retoma suas atividades em um novo endereço que reforça sua vocação de promover a proximidade entre artista e público.

A mudança de sede marca também uma reconfiguração simbólica. Se antes funcionava dentro de um hotel, o Rubi passa a integrar um equipamento cultural em processo de consolidação na cidade, ampliando a visibilidade e o diálogo com o entorno.

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“Esse intervalo de dois anos foi necessário porque precisávamos dar um outro direcionamento para o local do projeto”, explica a curadora Eliana Pedroso.

A reabertura também se insere em um movimento mais amplo de reocupação do Centro Histórico. Para Eliana, o palacete “fez uma provocação ao povo soteropolitano de frequentar mais o Centro Histórico”, agregando valor à experiência do Rubi sem alterar sua essência, um café-teatro voltado à música brasileira e ao teatro musical, com foco em espetáculos intimistas.

Curadoria e identidade

Desde sua criação, em 2013, a Estação Rubi construiu uma identidade baseada na excelência artística e na escuta atenta. Essa diretriz permanece inalterada na nova fase.

“Nós sempre priorizamos a excelência artística de artistas da música e do teatro, [...] com espetáculos mais intimistas que caibam na proposta espacial da Estação Rubi”, afirma Eliana.

Com capacidade para cerca de 224 lugares, o espaço preserva a proximidade como elemento central. “Continua sendo muito intimista a relação público-artista, em condições técnicas excelentes”, pontua a curadora, destacando o investimento em estrutura e equipe como diferencial do projeto.

A temporada, viabilizada por meio de parceria com o Palacete Tirachapéu e patrocínio da Heineken via Fazcultura (Governo do Estado), reúne nomes consagrados e propostas que transitam entre música e teatro.

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Shows de abertura

A nova fase da Estação Rubi começa nos dias 10 e 11 de abril (hoje e amanhã) com Coração na Boca – um musical para Gonzaguinha, espetáculo inédito de Alexandre Leão, criado especialmente para a reabertura. A escolha de um artista baiano para inaugurar a programação acompanha uma diretriz da curadoria, que prioriza a produção local, movimento que, neste caso, também resultou na encomenda direta do projeto.

A ideia partiu de Eliana Pedroso, que convidou Leão já com o tema definido e a sugestão de incorporar um ator em cena. O espetáculo ganha forma a partir dessa provocação e tem direção de Andrezão Simões, responsável também pelo título, extraído da canção Sangrando. A expressão sintetiza o tom da montagem, que se ancora na intensidade emocional e na dimensão confessional da obra de Gonzaguinha.

No palco, Leão revisita a obra de Gonzaguinha a partir de suas múltiplas camadas. “A obra de Gonzaguinha que aborda temas sociais é muito atual, infelizmente. O Brasil continua muito desigual. Já a parte autorreferente e romântica, essa é eterna e sublime”, afirma.

Além da música

A presença de Marcelo Praddo amplia o desenho do espetáculo ao deslocá-lo do formato convencional de show. Em cena, o ator transita entre interpretação e canto, explorando a carga dramática das canções e contribuindo para uma construção mais híbrida, entre música e teatro. Acostumado a trabalhos que atravessam essas linguagens, ele encara o desafio de articular elementos distintos em um mesmo tempo cênico, exigindo maior precisão e concentração.

Esse jogo entre proximidade e intensidade encontra ressonância no próprio formato da Estação Rubi. Mesmo instalado em um novo espaço, o projeto preserva a lógica de escuta atenta, em que a palavra e o silêncio têm peso. É nesse ambiente que o espetáculo se apoia para conduzir o público por uma experiência mais concentrada, em que a interpretação ganha centralidade.

“Essa edição da Estação Rubi vai acontecer no grande salão daquele edifício lindo que é o Palacete do Tira Chapéu, contando até com um mezanino. Se a proposta do espetáculo é intimista dentro de um espaço maior do que o Café onde aconteceram as outras edições do Rubi, meu desafio será o de concentrar a atenção do público para os textos incríveis de Gonzaguinha”, observa o ator, considerando a escala do novo espaço no Palacete.

Programação

Ainda em abril, a Estação Rubi dá sequência à abertura com dois nomes de forte apelo junto ao público. Nos dias 17 e 18, Fafá de Belém sobe ao palco em formato voz e piano, acompanhada por João Rebouças, apostando em um repertório de sucessos conduzido pela interação direta com a plateia.

Em um espaço que privilegia a escuta, o formato acústico tende a potencializar uma das marcas da artista: a comunicação franca e emocional com o público.

Na semana seguinte, dias 24 e 25, é a vez de Daniel Boaventura retornar à cidade com o espetáculo Em Casa. Após turnê internacional, o artista apresenta um repertório que atravessa gerações, combinando canções próprias e clássicos associados a nomes como Frank Sinatra, Elvis Presley e Barry White.

Com voz de barítono e forte presença de palco, Boaventura investe na participação do público como elemento estruturante do show, em sintonia com a proposta de proximidade da Rubi.

A programação de maio amplia esse diálogo entre tradição e experimentação. O encontro entre Armandinho Macêdo e Dadi Carvalho propõe uma síntese instrumental que atravessa frevo, choro e samba, enquanto Diogo Vilela revisita a trajetória de Cauby Peixoto em um espetáculo que combina música e elementos cênicos.

Já Claudia Cunha homenageia três vozes centrais da música brasileira – Bethânia, Elis e Gal – em um tributo que articula memória e interpretação, ao passo que Uísque com guaraná, com Rita Assemany e Carlos Betão, investe na narrativa ficcional para tratar do tempo e das relações.

Em junho, Danilo Caymmi conduz uma imersão na MPB dos anos 1970, ressaltando o papel da música como forma de resistência em períodos de repressão, enquanto a banda Herbert & Richard aposta em um espetáculo audiovisual que cruza trilhas de cinema e performance ao vivo.

Experiência

Mais do que uma sequência de apresentações, a Estação Rubi sustenta uma proposta de experiência. Em contraste com circuitos marcados por grandes eventos e consumo acelerado, o projeto aposta na escuta atenta, na fruição da arte e na centralidade da relação entre artista e público.

Marcelo Praddo sintetiza essa proposta: “A Estação Rubi, nas suas edições anteriores, fortaleceu um conceito de produção e apresentações musicais inédito em nossa cidade, aproximando e mesclando diversas artes em performances especiais”.

Coração na boca – um musical para Gonzaguinha, com Alexandre Leão / Hoje e amanhã, 20h / Estação Rubi - Palacete Tirachapéu (Rua Chile, 1, Centro Histórico) / R$ 200 e R$ 100 / Vendas: WhatsApp: 71 99993.7110 e 99992.9868, de segunda a sábado, das 10h às 19h

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.

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