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Excelsior! Stan Lee vive

Igor Andrade
Por Igor Andrade
Lee criou histórias e personagens que hoje são clássicos, como o Homem-Aranha, Thor e Doutor Estranho.
Lee criou histórias e personagens que hoje são clássicos, como o Homem-Aranha, Thor e Doutor Estranho. - Foto: Divulgação

Na última segunda-feira, 12, o mundo dos quadrinhos perdeu uma das suas maiores referências. Aos 95 anos, Stan Lee, após passar mal em casa, foi levado ao hospital, onde morreu. Mesmo sem a confirmação médica da causa, ele sofria de pneumonia e de problemas nos olhos.

Apesar do luto e da tristeza por conta da morte de Lee, é preciso enaltecer e valorizar a história de um dos nomes mais importantes do universo dos super-heróis.

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O início

Nascido em 1922, Nova York, Stanley Martin Lieber, começou a carreira em 1939, como um mero assistente, sem assumir funções criativas, ele foi contratado por John Goodman, fundador da Timely Publications e primo de sua mulher, Joan.

Quando passou a participar de decisões criativas, uma de suas primeiras criações foi o Destroyer em 1941, entretanto, o herói não obteve o sucesso de suas futuras contribuições. Apesar do fracasso criativo inicial, neste mesmo período, Lee participou do processo criativo da chamada Era de Ouro dos quadrinhos americanos com contribuições de heróis como Jack Frost, estreando em USA Comics #1 (agosto de 1941), e Father Time, estreando em Captain America Comics #6 (agosto de 1941)

Quando Joe Simon e seu parceiro criativo, Jack Kirby, saíram no final de 1941, Goodman, nomeou Lee, com menos de 19 anos, como editor interino.

A guerra

Apesar de não ter lutado na guerra, Lee serviu o exército durante a 2ª Guerra Mundial, lá ele serviu como membro do Signal Corps, consertando postes telegráficos. Depois foi transferido para a Divisão de Filmes de Treinamento, onde trabalhou escrevendo manuais, filmes de treinamento, slogans e, ocasionalmente, fazendo cartoons.

Atlas Comics

Na década de 50, quando a empresa passou a ser conhecida como Atlas Comics, Lee diversificou ainda mais seus talentos, onde escreveu histórias em vários gêneros, como romance, faroeste, humor, ficção científica, aventura medieval, horror e suspense. Foi nessa época que Lee uniu-se ao seu colega Dan DeCarlo para produzir a tira de jornal, My Friend Irma, baseada na comédia de rádio estrelada por Marie Wilson.

No final da década, Lee ficou insatisfeito com sua carreira e pensou em abandonar o ramo. Contudo, sua mulher, sugeriu que ele contasse as histórias que queria, independentemente de serem adequadas ou não às fórmulas de super-heróis.

Marvel

Após o encorajamento em exercitar sua capacidade criativa, Lee foi peça fundamental na recuperação do gênero. Após o período político no qual os quadrinhos viveram em decorrente a 2° guerra e com a crescente censura imposta pelo código de conduta da Comics Code Authority, formada em 1954, aliada a um momento de crise nas vendas, os super-heróis perderam relevância.

Entretanto, em 1961, com o surgimento do Quarteto Fantástico, primeira parceria de Stan Lee e Jack Kirby, a nova Era de Ouro dos quadrinhos começou. Nesse período os quadrinhos ganharam um novo estilo. Após o sucesso da equipe liderada pelo Senhor Fantástico, a Marvel deu carta branca para Lee conceber histórias e personagens que hoje são clássicos, exemplos dessas criações são ícones da cultura pop como o Homem-Aranha, Thor e Doutor Estranho.

O que diferenciou Stan Lee e o transformou no maior nome dos quadrinhos não foram só os personagens com poderes diferenciados, personalidades fortes, mas sim, a contribuição social que esses personagens trouxeram para a sociedade.

No período em que os Estados Unidos viviam uma das suas maiores crises de defesa contra o racismo, os X-Men trouxe para as páginas dos quadrinhos a discussão dos diretos civis dos negros, além disso, o conflito entre Martin Luther King Jr. e Malcolm X – iguais, porém com visões e discursos diferentes. Outra bandeira levantada pela equipe de mutantes foi uma metáfora da luta do direito LGBT: Por conta dos poderes, os mutantes eram obrigados a ocultá-los por conta de uma sociedade preconceituosa e repressora.

Apesar de ter sido criado antes do período narrado no parágrafo acima, outro herói que traz a temática negra, a representatividade e a discussão sobre racismo nos quadrinhos é o Pantera Negra.

Já o herói sem medo, o Demolidor foi o primeiro super-herói a possuir uma deficiência, mesmo cego, Matt Murdock não utilizava sua cegueira como um problema, mas como uma vantagem, dando um excelente exemplo de empoderamento social.

Das histórias clássicas de Frankenstein, a inspiração para a criação de Hulk. Da cultura nórdica, Thor, do o misticismo oriental do Doutor Estranho.

Se os heróis não morrem, viva para sempre em nossos imaginários, Lee! Muito obrigado e descanse em paz.

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