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Exposição imersiva mistura arte, política e memória em Salvador

Experiência imersiva no MAB propõe nova forma de encenar e refletir sobre a memória negra

Beatriz Santos
Por
Obra propõe uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais da cena
Obra propõe uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais da cena - Foto: James Barreiros | Divulgação

Salvador recebe, a partir desta sexta-feira, 28, a temporada gratuita da instalação-performativa “OSSALITRES | 2ª crioullage de Diego Araúja”, em cartaz até 1º de abril no Museu de Arte da Bahia. Com duas sessões diárias, às 18h e 19h30, a obra propõe uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais da cena, combinando teatro, artes visuais e audiovisual.

Realizada pela Plataforma ÀRÀKÁ, a criação é assinada pelo artista Diego Araúja e conta com performance da artista transdisciplinar Laís Machado. Com duração entre 30 e 40 minutos, o trabalho assume caráter experimental e processual.

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“É mais uma instalação cênica do que uma encenação no sentido tradicional. Essa é uma primeira versão, que precisa ser experimentada com o público. É no encontro que ela se desenvolve”, afirma Araúja.

A obra dá continuidade à pesquisa iniciada em “QUASEILHAS (2018-2020)” e aprofunda o conceito de crioullage — uma poética que articula performance, espaço, som e imagem a partir de uma perspectiva crioula de encenação.

“A crioullage tem a ver com colagem, mas feita de um jeito crioulo — um jeito negro de estruturar a cena. É pensar o espaço como uma cápsula onde diferentes elementos vão sendo justapostos: performance, vídeo, som”, explica.

Inspirada por eventos históricos das lutas dos movimentos negros no Brasil e no mundo ao longo do século XX, a narrativa imagina a criação de uma língua desvinculada do trauma colonial. Em cena, imagens documentais se cruzam com uma construção ficcional conduzida ao vivo pela performer.

Laís Machado narra a história de um grupo fictício de intelectuais afrodiaspóricos e africanos que, nos anos 1960, se reuniram em Salvador para fundar o chamado “Congresso de Sal”.

Os integrantes, conhecidos como “salitres”, atravessam a obra como figuras centrais de um manifesto que mistura memória, política e imaginação. "A ideia é que as pessoas entrem numa espécie de consciência negra. A performer ali é uma alegoria dessa consciência — ela monta imagens, produz material sonoro e videográfico e, ao mesmo tempo, narra, como num fluxo de consciência performática, essa ficção do Congresso de Sal", diz Araúja

A encenação se constrói como um campo expandido, sobrepondo camadas históricas, políticas e poéticas. “É uma exaltação da memória da luta negra, no sentido de tentar manter essas lutas concretas num tempo em que tudo está fragmentado — e considerando que a própria memória negra já é, historicamente, fragmentada”, completa.

A experiência do público acontece dentro de uma arquitetura efêmera e imersiva, elemento recorrente na pesquisa de Araúja, que transforma o espaço em agente ativo da narrativa e amplia a dimensão sensorial da obra. A dramaturgia reúne textos do artista camaronense Gilbert Ndi Shang, enquanto a trilha sonora traz composições de Matchume Zango.

Com cerca de 15 anos de trajetória, Diego Araúja desenvolve uma poética transdisciplinar que atravessa diferentes linguagens artísticas, com inflexão decisiva a partir de 2016, quando passa a investigar culturas crioulas do Nordeste, das Américas e da África. Já Laís Machado, cofundadora da Plataforma ÀRÀKÁ, investiga corpo, transe e memória em experiências imersivas que convocam o público a vivências coletivas.

Fundada em 2016, a Plataforma ÀRÀKÁ atua como território de criação voltado à memória afrodiaspórica e à experimentação artística, com projetos apresentados no Brasil e no exterior, incluindo a 35ª Bienal de São Paulo.

OSSALITRES | 2ª crioullage de Diego Araúja

  • Quando: 28, 29 e 31 de março e 1º de abril de 2026
  • Horários: 18h e 19h30
  • Onde: Museu de Arte da Bahia
  • Entrada gratuita
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