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MÚSICA

Festival gratuito movimenta o Pelourinho com grandes atrações

Ícones da música sobem ao palco da Praça das Artes com repertórios que unem jazz, bossa nova

Mariana Abreu*
Por Mariana Abreu*
Festival Pelourinho Cultural
Festival Pelourinho Cultural - Foto: Uendel Galter | Ag. A TARDE

Bem-sucedido no propósito de valorizar os artistas locais, o Festival Pelourinho Cultural amplia a diversidade de sua programação ao receber o jazz de Rosa Passos e o samba chula de Roberto Mendes, nomes de destaque da música brasileira.

Eles se apresentarão neste sábado, 18, a partir das 19h, na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho – Centro Histórico de Salvador. Gratuito, o acesso aos shows está sujeito à lotação do espaço.

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Soteropolitana, a cantora, compositora e violinista Rosa Passos, 74, é considerada uma das maiores referências de bossa nova e jazz latino no mundo. Vinte anos após a estreia de Recreação (1978) - seu primeiro álbum -, a cantora deu início a uma carreira no exterior.

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“Eu comecei minha carreira internacional em 1997/98 quando fui começando a ser convidada para viajar para a Europa e participar de vários festivais de jazz nos Estados Unidos”, relembra Rosa, que define como muito interessante a experiência de se apresentar em diferentes países e conhecer novas culturas.

A artista atribui parte do seu sucesso no exterior à sua musicalidade, que carrega tanto raízes nacionais quanto um ritmo tão americanizado como o jazz. “Porque minha música tem uma brasilidade, mas também tem uma conotação jazzística, e é por isso que as portas se abriram para mim no exterior, especialmente nos EUA, que é um país difícil, que é o país do jazz. Então, você tem que ter uma qualidade e um diferencial muito grande de trabalho”, ressalta a soteropolitana.

Para Rosa, voltar à sua terra é sempre uma alegria. “Ano passado, estive em Salvador, me apresentei no teatro da Casa do Comércio, e agora estou voltando de novo para me apresentar no Pelourinho, na Praça das Artes, que é um espaço tão simbólico e representativo”. Ela informa que a Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba será um dos destinos da turnê Suíte Brasileira.

“Esta turnê é um concerto em que peguei toda a minha discografia, da qual tenho muito orgulho e que é muito rica, e criei um repertório diante dela. Tenho discos gravados em homenagem a Tom Jobim, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Djavan, João Bosco, Gil, além dos meus trabalhos como compositora. Eu tenho 26 álbuns e me orgulho muito deles”, confessa Rosa.

Padre e músico - Foi também na década de 1970, em Santo Amaro da Purificação, que Roberto Mendes, 73, começou a dedilhar o violão. Aluno de seu Tune e inspirado pela forma de tocar dos irmãos Frade e Tavinho, Roberto enxerga o papel central que Santo Amaro possui no seu repertório musical.

“Santo Amaro tem total influência sobre minhas obras, sobre minha vida. Eu sou santamarense plantado”, destaca o cantor, que rememora as raízes artísticas que constroem a história da cidade.

“Todo mundo faz música em Santo Amaro. Tem uma história engraçada que diz que toda família que tivesse três ou mais filhos, um seria padre, o outro seria músico e o resto seria o que quisesse ser”, brinca Mendes.

“E na década de 1930, em Santo Amaro, estava no código de postura da cidade, que deveria ser obrigatório o ensino de música nas escolas, o canto orfeônico”, alinhava.

Essa prática se refere ao Decreto n° 19.890 que, no período do governo de Getúlio Vargas, transformou o canto orfeônico - uma prática de canto coral coletivo - em uma disciplina obrigatória no Brasil.

O santamarense gosta de fazer uma distinção entre o conceito de cultura e o de artista. “Eu, como artista, sou refém da cultura. Eu vejo sempre a arte como exceção, e a cultura como regra de comportamento”.

“Todo conteúdo refém da forma é arte. Se não tem forma, é cultura. E sem contar que eu só sou artista na terra dos outros, na minha eu sou cidadão”, reflete o músico, que admite estar muito animado para se reencontrar com a cantora Rosa Passos no festival.

“Eu me lembro que, muitos anos atrás, nós fizemos um show juntos no Teatro Tuca, em São Paulo. Era o lançamento de um disco que Bethânia tinha produzido e tinha sido lançado pela gravadora Velas”, conta Roberto.

“Tocamos eu, Rosa, Paulinho Pedestal e Valença. Foi muito bom, eu me lembro perfeitamente. Era uma época muito boa e eu fiquei muito feliz com o encontro. Tem muitos anos que a gente não se vê. Eu não saio de Santo Amaro, ela também não vai muito, mas vai ser bom, vou conversar com ela e relembrar de vários momentos”, comemora o músico.

O Festival Pelourinho Cultural é realizado por meio da Lei Nacional de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com produção da Tapis Rouge Produções e patrocínio da Petrobras. O projeto tem como proposta fortalecer o Centro Histórico como espaço permanente de encontro entre artistas e público, ampliando o acesso à cultura e valorizando a produção musical local.

Festival Pelourinho Cultural

  • Com: Rosa Passos e Roberto Mendes
  • Data: 18 de julho (sábado)
  • Horário: a partir das 19h
  • Onde: Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, Pelourinho
  • Gratuito
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Cultura pelourinho Salvador

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