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ESCUTA E AFETO

Grupo de Dança da Ufba faz 1º espetáculo presencial desde a pandemia

Grupo X retorna à cena com espetáculo poético e acessível no MAB

Eugênio Afonso
Por Eugênio Afonso
Encontra Tempo, o novo espetáculo do Grupo X de Improvisação em Dança
Encontra Tempo, o novo espetáculo do Grupo X de Improvisação em Dança - Foto: Divulgação

Encontra Tempo, o novo espetáculo do Grupo X de Improvisação em Dança, é o primeiro trabalho presencial – deste projeto de extensão vinculado à Escola de Dança da Ufba – desde a pandemia. A ideia do grupo é retomar uma pesquisa sobre o ato da espera.

Com os intérpretes-criadores Edu O., Natalia Rocha, Thiago Cohen, Aldren Lincoln, Lua Candeia e Camila Nantes, além dos artistas intercambistas Jeanne Anna Simone e Wilfrid Jaubert (companhia francesa Artmacadam), as apresentações acontecem amanhã e depois, às 19h, no Museu de Arte da Bahia (Corredor da Vitória), com entrada franca.

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“O espetáculo tem uma brincadeira de encontrar tempo, e é algo que vem também refletindo de que maneira esse tempo cotidiano, apressado, do sistema de trabalho, das relações, de apressar o tempo das mensagens de áudio, pode encontrar outros tempos, outras temporalidades”, define o dançarino e diretor Edu O., que divide a direção com a dançarina Fafá Daltro, uma das fundadoras do X.

O grupo quer discutir como essas transformações foram acontecendo durante esse período de afastamento. “Quando a gente fala da qualidade do encontro, é não ter medo de encontrar as pessoas, de estar presente numa qualidade muito verdadeira, de honestidade e também de generosidade, de acolher as mudanças de todo mundo”, sintetiza Edu.

Ao reconhecer a importância da coletividade como um dos princípios do grupo X, Edu diz que um dos intuitos dos projetos é valorizar ao máximo o trabalho com PCDs (pessoas com deficiência) e combater o capacitismo.

“Isto se dá quando a gente percebe a presença da outra pessoa, de outros corpos, inclusive não humanos, de espaços, dos ambientes públicos. A gente entende também que é para além da tradução em Libras, audiodescrição, mas também na recepção, no local que a gente escolhe”, salienta Edu.

Para ele, as formas de estar no tempo é encontrando, aceitando, apoiando as pessoas e entendendo como os corpos se relacionam nessa presencialidade, e como é a qualidade desse tempo juntos. “Talvez seja o colo e o abraço que a gente tem buscado durante todo o processo, além desse acolhimento dos momentos”.

A improvisação costuma ser o mote principal das propostas coreográficas e compositivas do grupo. “Mas organizando uma dramaturgia que contemple as relações, então tem humor, tem música ao vivo, tem dramaticidade, tem poesia na maioria das cenas e tem, sobretudo, a questão do afeto”, complementa o diretor.

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Intercâmbio exitoso

Imagem ilustrativa da imagem Grupo de Dança da Ufba faz 1º espetáculo presencial desde a pandemia
Foto: Divulgação

O performer e produtor cultural Nei Lima explica que, durante a pandemia, o grupo fez muitas produções, mas sempre de modo virtual, utilizando o audiovisual.

“Encontra Tempo é o nosso trabalho de retomada com o público, com o acontecimento que só as artes cênicas proporcionam. Agora, retomamos a performance, o encontro com a plateia. Estamos poeticamente trabalhando a nossa relação com o tempo, com o encontro, com a retomada”, explica.

Ele informa que a parceria entre a Artmacadam e o Grupo X – fruto do projeto de intercâmbio artístico Euphorico – já existe há quase duas décadas, ocorrendo de modo alternado entre Brasil e França.

“É um projeto bastante exitoso do ponto de vista do tempo e da pesquisa artística. Neste momento, estamos recebendo os multiartistas Jeanne Ana Simone e Wilfrid Jaubert”, detalha Nei.

Para a coreógrafa e dançarina argentina Celia Argüello, colaboradora na dramaturgia cênica, o encontro e o tempo – temas do projeto – podem ser entendidos como uma prática de coexistência, um exercício de memória afetiva sobre a própria história do Grupo X e um desejo para nos compreendermos na contemporaneidade.

“A troca com o X tem sido muito gratificante para mim. Do humano ao artístico. Gosto daquelas alianças e amores criados num tempo limitado, das paixões e intensidades marcadas por uma passagem de partida”, ressalta Celia.

“Um aspeto muito importante desta experiência foi a reflexão e a formação em ferramentas de acessibilidade poética na dança e nas artes performativas. Embora eu já tenha trabalhado com uma pessoa com deficiência visual no meu país, no Brasil o desenvolvimento de políticas de acessibilidade é, sem dúvida, muito maior”, finaliza a argentina.

Encontra Tempo foi contemplado pelo edital Territórios Criativos – Ano II com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Ministério da Cultura, Governo Federal.

Minibio

Imagem ilustrativa da imagem Grupo de Dança da Ufba faz 1º espetáculo presencial desde a pandemia
Foto: Divulgação

Criado em 1998 por Fátima Daltro e David Iannitelli como projeto de extensão da Escola de Dança da Ufba, o Grupo X de Improvisação em Dança é uma das mais longevas experiências brasileiras na interseção entre criação, acessibilidade e formação.

Com 27 anos de atuação, desenvolve pesquisas em improvisação e criação coletiva, promove encontros abertos à comunidade e consolida uma poética que valoriza a diversidade de corpos, subjetividades e experiências.

Referência nacional na relação entre dança e deficiência, o X é pioneiro na pesquisa de audiodescrição em cena.

Em 2008, estreou o espetáculo Os 3 Audíveis, contemplado pelo Prêmio Funarte Klauss Vianna. Desde então, investiga o uso das tecnologias assistivas como ferramenta criativa, integrando-as à dramaturgia da cena.

O grupo também se destaca pelo protagonismo de artistas com deficiência em seu núcleo artístico e administrativo. Suas pesquisas apontam caminhos inovadores para a criação acessível e a crítica cultural anticapacitista.

Encontra Tempo / 17 e 18 de julho / 19h / Museu de Arte da Bahia – Corredor da Vitória / Gratuito

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