OLHAR BAIANO
Livro desvenda a beleza e o luto do 'Día de los Muertos' em imagens
Sinísia Coni reúne imagens exclusivas em livro trilíngue

A partir de uma viagem em 2016 para o México, a fotógrafa Sinísia Coni teve o primeiro contato com uma sabedoria ancestral de três mil anos que a tocou profundamente: O Dia dos Mortos (Día de los Muertos), que inicia em outubro e se estende até a semana do dia 2 de novembro. Dez anos depois, a fotógrafa lança no dia 12 de maio o livro El Día de los Muertos, no Palacete Tira Chapéu, em um evento das 17 às 21 horas.
O livro – trilíngue, com versões em português, inglês e espanhol –, promete oferecer ao leitor uma imersão a celebração do “dia de Los Muertos”, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade, por meio de um olhar leve, respeitoso e poético da experiente fotógrafa.
“Mais do que um documentário visual, este livro nasceu como uma passagem afetiva. É uma tentativa de escutar com o olhar. Cheguei com os olhos de fotógrafa, mas foi a alma que foi tocada”, reflete Sinísia que encontra na Bahia, sua terra natal, a origem de inspirações.
“Meu objetivo maior como fotógrafa é capturar imagens de diferentes povos e culturas, principalmente na minha terra, a Bahia, lugar possuidor de um cenário riquíssimo, tanto no cotidiano do nosso povo, como nos eventos populares, religiosos, cívicos e na nossa natureza”, destaca a fotógrafa.
Ao longo das 204 páginas do livro, 87 imagens compõem a obra que vai além de um registro documental, explorando elementos centrais da celebração na Cidade do México e Oaxaca, duas principais cidades onde o día de los muertos é mais celebrado e visitado.
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Origem da celebração

Com uma tradição oriunda desde os tempos das civilizações maias e astecas e de origem indígena, o día de los muertos comemorado no México era realizado inicialmente durante todo o mês de agosto. Com a chegada dos colonizadores espanhóis, se alterou a data para o final de outubro e o início de novembro, a fim de unir com o “Dia de Todos os Santos” e o “Dia dos Finados” comemorados pelo catolicismo nos dias 1° e 2 de novembro, respectivamente.
Por meio de cerimônias que contam com pinturas, com caveiras de açúcar e altares de diferentes níveis que homenageiam aqueles que já se foram, a celebração enfatiza a importância de absorver o legado da pessoa amada e “sentir o invisível, ou seja, o que existe mas não vemos, porém permanece. Isso acalma a alma”, afirma Sinísia, a partir de sua experiência nessa tradição secular.
É uma celebração em honra aos mortos que autoriza as almas a visitarem os seus parentes vivos.
“Elas descem pelos caminhos bordados de flores, guiadas pelo aroma dos alimentos que um dia os nutriram. Reconhecem-se nos retratos antigos, nos cantos murmurados ao entardecer, nos gestos que sobreviveram ao tempo. Não vêm como ausência, vêm como presença silenciosa, como memória encarnada no cotidiano dos vivos”, explica a baiana, que se define como ma ‘street photographer’.
Fotografia de rua

A modalidade ‘fotografia de rua’, conhecida mundialmente como “street photography” busca capturar a vida cotidiana e a essência das cidades de forma espontânea.
Sinísia Coni explora os seus trabalhos a partir dessa via, captando detalhes e expondo ações com uma trajetória imersiva naquilo que se propõe a fotografar, e com o dia de los muertos não foi diferente.
“Fui ao México, assim como faço em todas as minhas viagens fotográficas, conhecer de perto a sua cultura. Pensei em fotografar, documentar e registrar expressões de pessoas, mas a forma que o mexicano celebra o dia dos mortos é incrível: com alegria, com os alimentos que os falecidos outrora se nutriam, com músicas e flores”, destaca Sinísia.
Materialização do projeto
A linha do tempo para o lançamento do livro El día de Los Muertos durou aproximadamente uma “gestação embrionária prolongada”, no total de 18 meses, brinca a fotógrafa, e sofreu forte influência do seu amigo, filósofo, psicanalista e responsável pelas frases e textos reflexivos da obra, Marcos Bulcão.
“Minha intenção era fazer meu primeiro livro de retratos da Bahia ou um misto de retratos por onde já andei nesse mundo afora. Mas meu grande amigo Marcos Bulcão sempre foi apaixonado pelas minhas fotografias do dia de mortos e me falou que gostaria que eu fizesse um livro onde ele pudesse escrever o que as fotos lhe falavam em silêncio”, explica a fotógrafa, que ressalta a sua animação desde o início com o projeto, que veio a ser lançado agora.
Ligação com a Bahia

Sinísia não esconde a admiração pela Bahia como motivo de inspiração para as suas obras. A street photographer que já teve suas imagens expostas em Portugal, França, Noruega e Índia, declara que o seu interesse inicial era fazer um livro sobre o seu estado de origem.
“No fundo eu gostaria de ter feito meu primeiro livro sobre a minha querida e amada Bahia, porque sou uma frequentadora de festas populares, religiosas e cívicas, e principalmente, por possuir um grande acervo fotográfico da nossa cultura, do dia a dia, da labuta do nosso povo, da tristeza e da alegria”, confessa a fotógrafa, que espera já para o ano que vem uma novidade.
“Mas o livro já está em gestação e espero no próximo ano, com fé em nosso Senhor do Bonfim, lançá-ló”, garante Sinísia sobre o seu futuro lançamento.
“Quero que seja muito lindo, com fotos em preto & branco, que é a minha paixão. Quero transmitir a essência da minha terra com muito amor, respeito e admiração”, conclui.
Lançamento: Livro ‘Día De Los Muertos’, de Sinísia Coni / Hoje, das 17h às 21h / Palacete Tira Chapéu (Rua Tira Chapéu, Nº 1, esquina com Rua Chile)
El Día de los Muertos / Sinísia Coni / P55/ 204 páginas / Preço não informado
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.
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