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Symona Gropper lança livro de memórias nesta segunda-feira

Chico Castro Jr.
Por Chico Castro Jr.
Jornalista, Symona Gropper editou o Caderno 2+ do jornal A TARDE por vários anos
Jornalista, Symona Gropper editou o Caderno 2+ do jornal A TARDE por vários anos - Foto: Adilton Venegeroles l Ag. A TARDE

Experiente jornalista cultural, Symona Gropper lança na segunda-feira, 27, no Restaurante Casa de Teresa, seu terceiro livro: A Menina Que Foi Vento - Memórias de Uma Imigrante (Assembleia Cultural, selo da Assembleia Legislativa da Bahia).

Trata-se de uma autobiografia, na qual Symona resgata a própria história – e a de sua família – como refugiados do regime comunista soviético que ocupou sua terra natal no pós-Guerra.

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Como seu pai tinha origem em uma família burguesa (em oposição às famílias proletárias), o estado não lhe garantia emprego no novo regime. Para sobreviver, a solução foi deixar o país. Mas nada foi fácil para a família de Symona.

“Eu nasci em Bucareste, Romênia. A raiz do nome Bucarest é alegria. Eu perdi essa alegria quando saí de lá aos cinco anos e meio. Não foi uma fuga no sentido literal da palavra. Eu, meus pais e minha irmã saímos oficialmente”, conta.

“Mas foi uma fuga do regime comunista, que para nós representava a miséria. Papai havia nascido em família burguesa, portanto, sem direito a emprego. As autoridades comunistas só admitiam deixar os judeus saírem para Israel. Mas confiscavam o que podiam: o apartamento, as joias, os quadros”, acrescenta.

Como se vê, os comunistas soviéticos, que conseguiram aniquilar os nazistas da Europa Central, não tiveram atitudes lá muito diferentes das dos oponentes. A família de Symona perdeu quase tudo o que tinha ao deixar a Romênia.

“Só pudemos viajar com 40 quilos de bagagem – para uma mudança de vida e de país. Na saída, todos eram revistados, inclusive as crianças. Revista minuciosa, inclusive ginecológica. Até os grandes cachos louros da minha irmã passaram por um exame minucioso”, lembra.

Após embarcarem em um navio, Symona, seus pais e irmã chegaram ao recém-fundado estado de Israel. Um país novo e sem qualquer estrutura, que naquele momento recebia, aos milhares, os judeus que fugiam da guerra e da miséria que a ela se seguiu.

“Fomos instalados em um campo de refugiados lotado de tendas. Uma tenda minúscula, sem forro no chão, foi nossa primeira morada. Fazíamos fila todo dia para receber um prato de comida. As crianças tinham direito a um pedacinho de chocolate”, conta.

Na escola improvisada, mais dificuldades: “Lembro do meu desespero por não entender nada do que a professora dizia. Me cortou o coração o recente caso da menina muçulmana decretada autista pela professora brasileira, quando o fato é que ela não entendia português. Eu mesma tive uma experiência traumática com minha primeira professora no Brasil”, relata.

Lições às gerações futuras

Foram quatro anos até chegar ao Rio de Janeiro, onde um irmão do seu pai já vivia. “Na travessia de onze dias de navio, papai me ensinou o alfabeto latino. Eu havia sido alfabetizada em hebraico” lembra a escritora.

“Estava tão desesperada para aprender logo português que proibi minha irmã de falar comigo em hebraico e apaguei esse idioma da memória”, lamenta.

Geralmente, pessoas escrevem autobiografias na tentativa de acertar contas com o próprio passado, uma forma de passar a vida “à limpo”. Não é o caso aqui. “Nunca foi esse meu objetivo. Quando nasceu Larissa, minha primeira neta, senti a necessidade de lhe deixar de herança minha história. Uma história que eu nunca tinha conseguido contar aos meus filhos. Eles não sabiam nada do meu passado”, diz.

“Só depois de muita terapia, vi o quanto era importante que eles e todos os meus descendentes soubessem, porque minha história é um pouco deles também. A gente não herda só os genes, herda também as alegrias e sofrimentos de nossos antepassados”, afirma.

Não só a menina Larissa poderá aprender muito com o livro de sua avó. No momento em que o tema da imigração volta ao noticiário – não da forma humanista que gostaríamos – A Menina Que Foi Vento pode contribuir para abrir mentes e corações.

“A história se repete, infelizmente. Atualmente, os muçulmanos substituem os judeus. Durante a 2ª Guerra e logo depois, a maior parte dos países se recusava a receber imigrantes judeus. O Brasil governado por Getúlio Vargas era um deles. Os judeus que entraram aqui naquele período entraram com papeis falsos nos quais constava que eram cristãos”, lembra.

Tudo isto posto, fica só uma dúvida: porque Symona “foi vento”? “Um capitulo no livro explica isso. Um episódio na infância que me deixou com a sensação de invisibilidade que carreguei durante muitos anos. Quem quiser saber o que foi, vai ter que ler o livro”, ri.

Serviço

O quê: Lançamento: A menina que foi vento – Memórias de uma imigrante, de Symona Gropper

Quando: Segunda-feira, 27, 17 horas

Onde: Restaurante Casa de Teresa, Rio Vermelho

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