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Zeca Baleiro volta a Salvador com o show Piano & Voz
Temporada na CAIXA Cultural começa dia 29, com sucessos e inéditas


Entre a delicadeza do piano, a força das palavras e a liberdade de transitar por diferentes sonoridades, Zeca Baleiro revisita sua trajetória musical em um espetáculo que privilegia a escuta e a proximidade com o público. Aos 60 anos, o cantor e compositor maranhense retorna a Salvador com “Piano & Voz”, em temporada de 29 de outubro a 1º de novembro, na CAIXA Cultural Salvador, Unidade Carlos Gomes. Ao lado do pianista Adriano Magoo, apresenta sucessos da carreira, releituras de compositores que fazem parte de seu repertório afetivo e canções do álbum Piano, lançado em 2025.
Na apresentação, Magoo se reveza entre piano, acordeon, sintetizadores e samplers, explorando diferentes texturas sonoras para acompanhar a voz de Baleiro. Entre as músicas previstas estão “Telegrama”, “Bandeira” e “Babylon”, além de obras de Belchior, Gilberto Gil, Fausto Nilo e Sérgio Sampaio.
Em entrevista ao A TARDE, Baleiro destaca as particularidades dessa formação e as possibilidades de interpretação que ela oferece. “É um trabalho que exige uma concentração maior. Sou eu e o piano, então exige um esforço vocal maior também. É um show muito rico de possibilidades. Delicadezas que no show com banda não se vê, aqui são ressaltadas. Esse show é muito bonito, modéstia à parte”, afirma. O artista também ressalta a conexão estabelecida com a plateia. “É um show que tem uma atmosfera muito bacana, o público se sente muito integrado e pertencido.”
O repertório reúne canções de Baleiro, releituras de outros compositores e músicas inéditas, entre elas parcerias com Fagner e Juliano Holanda. Entre os autores revisitados estão ainda Geraldo Azevedo, Monsueto e Severino Araújo, nomes que integram o universo musical do cantor. “São compositores que fazem parte do meu repertório afetivo. Esse show, de certa forma, é também uma homenagem a eles. Mas o repertório é móvel, depende do humor do dia”, conta, deixando transparecer o humor que também caracteriza suas composições.
Um reencontro musical

A origem do espetáculo está em uma parceria retomada depois de mais de uma década. Baleiro e Adriano Magoo já haviam dividido o palco em uma pequena turnê que percorreu nove cidades, reunindo músicas autorais e interpretações de outros compositores. “Há pouco mais de 10 anos fiz uma pequena turnê com o Magoo, em que passamos por 9 cidades. Era um show que juntava músicas autorais e de outros artistas que fazem parte do meu repertório afetivo. Em 2024 ouvi a gravação de um desses shows e fiquei animado com a ideia de reeditar o show e fazer um disco. Falei com Magoo e o parceiro Sergio Fouad quis produzir. Gravamos em 4 dias, praticamente ao vivo”, recorda.
A retomada da parceria resultou no álbum Piano, lançado em 2025. O trabalho nasceu da proposta de revisitar canções em um formato intimista. Entre as músicas apresentadas no espetáculo está “Tarde de Chuva”, parceria de Baleiro com o poeta Eliakin Rufino.
O reencontro com o próprio repertório também faz parte da proposta. Baleiro conta que continua encontrando prazer em interpretar canções que o acompanham há anos. “Eu brinco dizendo que ‘Telegrama’ não é mais minha, é do Djavan rs. Porque as pessoas a tocam bastante na noite. Acho legal as canções permanecerem. Ao contrário de outros artistas, não me canso de cantá-las, são parte da minha história.”
Entre ritmos e palavras
Nascido em São Luís, no Maranhão, em 11 de abril de 1966, Zeca Baleiro completou 60 anos em 2026. Desde que ganhou projeção nacional com o álbum Por Onde Andará Stephen Fry?, lançado em 1997, construiu uma trajetória marcada pela diversidade musical, pelo lirismo e pelo humor irônico de suas composições.
Sua identidade artística reúne influências das manifestações culturais maranhenses, do rock, samba, forró, reggae e MPB. Sem se prender a um único gênero, Baleiro desenvolveu uma linguagem própria, na qual poesia, crítica social, jogos de palavras e observações sobre o amor e o comportamento humano convivem com diferentes sonoridades.
Essa liberdade também se manifesta na maneira como compõe. Mesmo depois de quase três décadas de carreira fonográfica, o cantor afirma que não segue fórmulas ou métodos rígidos para criar. “Meu processo de composição continua caótico rs. Não tenho ritual. Gosto de trabalhar no silêncio, coisa rara hoje em dia. Mas hoje consigo compor até no trânsito de São Paulo, se precisar. Tudo é uma questão de exercício.”
Para ele, experimentar continua sendo uma das principais motivações de sua atividade artística. “Gosto de experimentar, de passear pelas linguagens, é muito divertido e instigante.”
Essa disposição para explorar novos caminhos está diretamente ligada à importância que atribui à liberdade artística, sem transformar o sucesso em uma preocupação permanente. “A liberdade artística é primordial pra criação, né? É seguir fazendo as coisas sem se importar com o ‘sucesso’ delas de uma forma obsessiva. Mesmo pessoas/artistas de sucesso precisam experimentar certos ‘fracassos’, entende? Sigo seguindo meu coração.”
A inquietação criativa ultrapassa sua discografia. Ao longo da carreira, estabeleceu parcerias com artistas de diferentes gerações, entre eles Chico César, Fagner, Paulinho Moska e Lô Borges, além de desenvolver trabalhos como produtor musical, escritor e compositor de trilhas para cinema, teatro e dança.
Em 2019, conquistou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro pela trilha sonora do filme Paraíso Perdido, de Monique Gardenberg. Dois anos depois, recebeu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira por Canções d’Além-mar, trabalho dedicado a compositores portugueses. Em 2026, celebrou os 60 anos com Zeca 60, seleção de 60 canções de sua discografia, reafirmando a diversidade de uma obra que transita entre diferentes estilos e linguagens.
Bahia na memória
A passagem pela capital baiana também traz à tona a relação afetiva de Baleiro com Salvador. Ao falar sobre a cidade, o cantor destaca a diversidade cultural e as experiências vividas em apresentações anteriores. “Salvador é linda, culturalmente linda, diversa, e o povo, puro afeto. Fiz shows memoráveis aí.”
A temporada inclui ainda uma atividade formativa conduzida por Magoo. No sábado, 31 de outubro, às 15h, o músico ministra a oficina gratuita “Música, produção e mercado cultural”, que abordará as transformações da indústria musical, os impactos das novas tecnologias e as mudanças nos processos de produção, divulgação e consumo cultural.
As inscrições serão realizadas pelo site da CAIXA Cultural Salvador, com 50 vagas disponíveis.
Serviço
Zeca Baleiro – Piano & Voz
Temporada: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Onde: CAIXA Cultural Salvador, Unidade Carlos Gomes, Rua Carlos Gomes, 57, Centro, Salvador
Horários: quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Meia-entrada: para clientes CAIXA e demais casos previstos em lei
Vendas: a partir de 27 de outubro, ao meio-dia, pela plataforma Sympla
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Acessibilidade: acesso para pessoas com deficiência durante toda a temporada e apresentação com audiodescrição em 31 de outubro.
Informações: site da CAIXA Cultural e Instagram @caixaculturalsalvador
Oficina “Música, produção e mercado cultural”
Quando: 31 de outubro, sábado, às 15h
Condução: Adriano Magoo
Inscrições: gratuitas, pelo site da CAIXA Cultural Salvador
Vagas: 50