ECONOMIA
A arte de criar novas fontes de renda


Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que 7% das riquezas do mundo estão ligadas à economia criativa. Arquitetos, estilistas, chefs, artistas e profissionais de TI que a partir de novas ideias ganham dinheiro, criam empregos e ajudam a movimentar a economia. No Brasil, estima-se que os setores criativos cresceram 50% a mais do que o PIB em 2013. Um lucro que pode vir com um novo olhar sobre a cultura.
Com a agenda de shows limitada em função de problemas de saúde, o repentista Antônio Ribeiro da Conceição, o Bule-Bule, teve que pensar em novas formas de se manter economicamente ativo.
A solução veio com a ajuda do filho. Formado em turismo, Paulo Azevedo não teve dificuldades em pensar na obra de seu pai como um produto cultural que merece cruzar limites geográficos. Através de sites e com a colaboração de três prestadores de serviço, Azevedo colocou vídeos, CDs e livros do mestre na maior vitrine que se pode ter: a internet.
"Já vendemos cordel até para a Costa Rica através da Biboca do Bule-Bule", comemora Azevedo, referindo-se à loja virtual do site, que vende cordéis por R$ 5 e livros e CDs por R$ 20 ou R$ 25.
A exposição da obra do repentista é feita ainda por meio de um canal no YouTube que traz apresentações do artista e arquivos de áudio com algumas de suas canções. Além disso, o repentista passou a fazer apresentações sob encomenda para escolas e empresas "O próximo passo vai ser a confecção de camisetas com frases de Bule-Bule", planeja Azevedo.
Moda e cultura Filha de uma costureira e ativista do movimento negro, Mônica dos Anjos tinha 22 anos quando decidiu comercializar a moda que fazia para si mesma com os cortes comprados da antiga Feira dos Tecidos. "Eu ia para as festas com esses vestidos e minhas amigas pediam que eu desenhasse roupas para elas", lembra Mônica.
As vestimentas das ialorixás são uma inspiração básica para a moda de Mônica, que há 20 anos desenha peças femininas voltadas para consumidoras de classe média-alta. "Costumo brincar que faço moda casa-grande e senzala", afirma a estilista, referindo-se ao aproveitamento tanto de bordados quanto de tecidos como linho e algodão.
O bom desempenho de setores como moda, gastronomia, arquitetura e design, mesmo em tempos de crise na economia, tem levado governantes de diferentes partes do mundo a apostar na criatividade como forma de gerar empreendimentos e alavancar a economia.
"Em Medellín (Colômbia), bastaram 10 anos para que a economia criativa mudasse totalmente o perfil da cidade, que era conhecida pelo cartel de drogas", explica Rita Clementina, diretora do Bahia Criativa, escritório criado em maio do ano passado pelo governo do estado para fomentar a capacitação de artistas e outros profissionais criativos.
"Um músico ou um ator, por exemplo, tem que enxergar a carreira dele como um negócio e pensar em novas maneiras de vender seu trabalho, afirma a gestora. Segundo ela, desde que o escritório foi aberto no Forte do Barbalho, foram feitos mais de 1.400 atendimentos a interessados. Desde artesãos que desenham sandálias a grupos musicais com experientes instrumentistas. "Não é um tema de países em desenvolvimento.
No Reino Unido, a economia criativa responde por 2,7% do PIB", afirma Martha Lannes Schoeler, coordenadora de articulação para investimentos e economia criativa da prefeitura do Salvador. A coordenadoria, criada há menos de um ano, tem a função de estimular no âmbito municipal empreendimentos criativos e eventos. "O eixo da nossa ação vai ser em torno dos 4C: compras, comida, circulação e cultura", afirma Martha.