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ADEUS AO MONOPÓLIO

Como o Mercado Livre de Energia está barateando a conta de luz em até 30%

Além da economia, a liberdade de escolher o fornecedor impulsiona a competitividade e exige solidez das empresas em um setor em plena expansão

- Foto Divulgação | Neoenergia Coelba

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Alan Rodrigues

Por Alan Rodrigues

15/03/2026 - 8:34 h

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Há pouco mais de dois anos empresas com consumo acima de R$ 5 mil podem migrar para o chamado mercado livre de energia. A liberação abriu uma grande concorrência no setor, mas também resultou na quebra de vários fornecedores que venderam o que não tinham condição de entregar.

Agora, com o mercado consolidado, a disputa por clientela exige das mais de 500 fornecedoras que operam no país, criatividade e, sobretudo, solidez para oferecer preços competitivos sem comprometer a capacidade de abastecimento.

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A possibilidade de escolher de quem comprar energia se abriu em 1998, num primeiro momento para grandes empresas.

É como se fosse a privatização do mercado de telecomunicações só que foi de forma escalonada
Rita Knop - diretora comercial da Neoenergia
Neoenergia possui 44 parques eólicos para produção de energia na Bahia e no Piauí.
Neoenergia possui 44 parques eólicos para produção de energia na Bahia e no Piauí. | Foto: Divulgação | Neoenergia Coelba

Em 2024, empresas, e apenas empresas, consumidoras de média tensão tiveram a possibilidade de migrar para o mercado livre de energia. São estabelecimentos com contas acima de R$ 5 mil pela tarifa atual, o que inclui supermercados, academias, salões de beleza e até pequenas indústrias.

O mercado livre permite ao consumidor escolher o seu fornecedor de energia. Através de um transformador dedicado, o cliente pode receber a energia contratada diretamente. Todas as comercializadoras usam o mesmo sistema de transmissão.

A rede de energia é agnóstica ao fornecedor. Em cima dessa rede pode passar qualquer fornecedor. Quando eu chego na porta do cliente, lá tem 4, 5 empresas levando energia. É um mercado totalmente competitivo”, diz Rita.

“No mercado livre a empresa consegue negociar por 4, 5, 6, 7, 8 anos, sabendo exatamente quando vai pagar. Quanto mais tempo de contrato maior a redução de preço”, explica Rita. Segundo a executiva, a economia gira entre 15% e 25%.

Sem taxa extra

Foi essa previsibilidade que atraiu Paula Almeida, síndica do edifício Ville de Lyon, em Feira de Santana. O condomínio de 50 unidades conta com ‘playground’, piscina aquecida e ar condicionado em todas as áreas comuns.

Devido ao alto custo de energia, Paula primeiro pensou em investir na geração própria, mas o valor de investimento era alto e nem todas as áreas poderiam ser cobertas pelas placas solares. Em 2022, após pesquisa, a síndica optou pela Neoenergia.

O fato de não exigir nenhum aporte inicial é outro diferencial do mercado livre de energia. Uma vez escolhida a fornecedora, é só assinar o contrato e começar a economizar.

Economia na conta de energia permitiu instalar sistema de aquecimento na piscina externa do condomínio Ville de Lyon, em Feira de Santana.
Economia na conta de energia permitiu instalar sistema de aquecimento na piscina externa do condomínio Ville de Lyon, em Feira de Santana. | Foto: Acervo pessoal

Com economia de 30% na conta, Paula conseguiu investir no aquecimento da piscina externa e instalou novas luzes no play que ficam acesas durante toda a noite. Tudo isso sem precisar acrescentar nenhum centavo à contribuição dos condôminos. O primeiro contrato, de 3 anos, acaba de se encerrar e o condomínio renovou por mais 5 anos.

Riscos x previsibilidade

A expansão do mercado, no entanto, trouxe armadilhas num primeiro momento. Rita Knop cita o exemplo europeu, onde o mercado livre de energia existe há 20 anos e houve muita quebradeira. No Brasil, o ‘boom’ de empresas fornecedoras de energia também provocou transtornos.

“O preço da energia é muito volátil e algumas empresas assumem riscos e colocam preço muito abaixo. Quando essas empresas mais aventureiras desaparecem, o cliente fica sem energia”, alerta a diretora da Neoenergia.

Hoje, as empresas que conseguiram se consolidar disputam um mercado que teve em 2025 um crescimento de 41%, atingindo 82,5 mil clientes. Na Bahia, 3,4 mil consumidores de média tensão já migraram para o mercado livre, o maior contingente do nordeste.

Como as margens de redução no custo da energia são muito próximas, as empresas investem em diferenciais para se destacar. Além de gerar a própria energia, a Neoenergia oferece pacotes de gestão de consumo, com diagnósticos de eficiência, relatórios mensais, serviços de descarbonização e substituição de equipamentos antigos.

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Ampliação

Em novembro de 2027, empresas com contas de pelo menos R$ 500 também poderão migrar e, em novembro de 2028, qualquer um dos 90 milhões de clientes residenciais também poderá comprar energia de quem quiser.

Para comportar esse crescimento, a Neoenergia investe em geração. Um exemplo é o complexo eólico dos oitis, formado por 12 parques, localizados no Piauí (Oitis 1 a 10) e na Bahia (Oitis 21 e 22).

São 103 aerogeradores de 5,5 Megawatts (MW) cada, totalizando uma capacidade instalada de 566,5 MW, o suficiente para abastecer uma cidade com 2,7 milhões de habitantes.

Ao todo, a empresa conta com 44 parques eólicos, 4 usinas hidrelétricas e 2 parques solares com capacidade instalada de 3,6 GW e projetos em estudos de 5,5 GW aguardando momento oportuno. Desde 2020, a companhia já investiu mais de R$ 6,7 bilhões em geração renovável.

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Tags:

energia Mercado Livre Setor Elétrico

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