ECONOMIA
Aquisições e fusões podem atingir recorde de valores no Brasil em 2021


Empresas que enriqueceram os caixas ultimamente devem usar esses recursos para atrair os concorrentes nos próximos meses com ofertas agressivas de fusão ou aquisição, com o objetivo de ganho de escala e de maior presença no digital. Os grandes movimentos no varejo, com a compra da Hering pelo Grupo Soma, por exemplo, bem como na saúde, com a união de Hapvida e NotreDame Intermédica, o mercado já projeta um recorde histórico de operações em 2021.
O início do ano já deu uma amostra disso. De acordo com a consultoria Dealogic, que coleta dados do mercado financeiro, já foram realizadas neste ano, até aqui, US$ 52,1 bilhões em operações de fusões e aquisições no Brasil, o que supera o valor de todo o ano passado, que foi de US$ 45,9 bilhões.
A varejista Renner está entre as empresas que devem liderar esse movimento. Após colocar pelo menos R$ 4 bilhões no caixa, a varejista gaúcha analisa diversos ativos para aquisição e a expectativa é que a empresa dê um passo mais firme no mundo digital.
No mercado financeiro, as movimentações estão em ebulição. O Nubank atraiu um aporte de US$ 750 milhões liderado pelo Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. O fundo americano Advent comprou uma fatia da empresa de pagamentos Ebanx. Já o BTG Pactual e a XP anunciam compras quase semanalmente.
Especialistas afirmam que as operações de aquisições começaram a sair do papel no fim do ano passado, depois de uma maior distribuição das vacinas contra a covid-19 entre os países, fato que deu ao mercado a chance de vislumbrar uma redução dos efeitos da crise sanitária na economia.
Outra afirmação de especialistas é o salto nas aquisições, que tem sido ajudado pelo aumento do número de empresas listadas na Bolsa, movimento que tem ganhado corpo no País por conta da taxa básica de juros em um dígito. Além de estarem capitalizadas e com acesso a investidores, as empresas listadas passam a poder dar ações como moeda de troca, facilitando as negociações.
Uma análise dos comunicados das empresas de capital aberto feito pela MZ mostra que, no acumulado do ano, o número de documentos referentes a aquisições subiram 17% ante 2020, sendo que o setor de tecnologia foi o líder em anúncios.