ECONOMIA
Bahia 2050: Fieb e Governo debatem futuro da indústria pós-reforma
Fim de incentivos fiscais fará Bahia focar em portos e ferrovias até 2050


No Dia da Indústria, celebrado nesta segunda-feira, 25, o Governo da Bahia realizou, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia, o PNUD, o SENAI CIMATEC e a Associação Brasileira de Economia Industrial e Inovação (ABEIN), o workshop Bahia 2050 – Novas Perspectivas para a Indústria.
O encontro reuniu gestores públicos, representantes do setor produtivo, pesquisadores e especialistas para discutir os desafios e oportunidades da neoindustrialização baiana, em sintonia com a construção do Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) Bahia 2050.
O evento integra os estudos voltados à formulação de uma nova política industrial para a Bahia, desenvolvida de forma articulada entre a Secretaria do Planejamento (Seplan) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).
Leia Também:
Na abertura do workshop, o secretário estadual do Planejamento, Cláudio Peixoto, destacou que o debate ocorre em um momento estratégico para o estado, marcado pela consolidação do PDI Bahia 2050 como instrumento orientador do desenvolvimento baiano nas próximas décadas.
O PDI Bahia 2050 busca construir uma estratégia capaz de articular competitividade econômica, sustentabilidade socioambiental, inclusão social e inovação, considerando as especificidades e potencialidades dos territórios baianos
Cláudio Peixoto - secretário estadual do Planejamento
Cláudio Peixoto ressaltou ainda que as transformações tecnológicas, ambientais e geopolíticas em curso exigem capacidade de planejamento e visão de futuro por parte dos governos. Segundo ele, a política industrial em elaboração parte da necessidade de fortalecer vocações regionais, ampliar a agregação de valor das cadeias produtivas e promover uma neoindustrialização sustentável, associada à geração de emprego qualificado e à interiorização do desenvolvimento.
“Mais do que discutir indústria, estamos debatendo o futuro da Bahia e como transformar potencialidades em oportunidades concretas para a população”, acrescentou.
O vice-presidente da Fieb, Hilton Lima, chamou atenção para os impactos da reforma tributária no ambiente de negócios e defendeu que a Bahia fortaleça novos instrumentos de competitividade para manter a capacidade de atração de investimentos industriais.
Segundo ele, o fim gradual da política baseada predominantemente em incentivos fiscais exige um olhar mais estratégico para infraestrutura, logística, inovação e qualificação dos ambientes produtivos. Hilton destacou a importância de investimentos em rodovias, ferrovias, portos e acessos logísticos, além do fortalecimento dos distritos industriais baianos.
“Os distritos industriais serão cada vez mais importantes como ambientes preparados para receber novos empreendimentos e estimular a interiorização do desenvolvimento”, afirmou.
O dirigente da Fieb também ressaltou que a Bahia precisa aproveitar o período de transição da reforma tributária para consolidar políticas públicas capazes de manter a liderança industrial do estado no Nordeste, associando infraestrutura, inovação e desenvolvimento regional.
PDI Bahia 2050
Durante o evento, o superintendente de Planejamento Estratégico da Seplan, Ranieri Muricy Barreto, apresentou a palestra “PDI Bahia 2050: alinhando a política industrial baiana aos novos desafios e oportunidades globais, nacionais e locais”.
Ranieri destacou que o planejamento de longo prazo se tornou essencial diante das transformações que vêm reorganizando as cadeias produtivas globais. “O futuro não é espontâneo, ele precisa ser planejado. A política industrial deve estar articulada a um projeto de desenvolvimento capaz de integrar competitividade, inovação, sustentabilidade e inclusão social”, afirmou o superintendente.
Segundo ele, a Bahia reúne ativos estratégicos importantes para liderar a transição produtiva no país, incluindo o maior parque industrial do Nordeste, potencial em energia renovável, mineração e agroindústria, além da necessidade de enfrentar gargalos históricos relacionados à logística, infraestrutura e desigualdades regionais.
O workshop contou ainda com as presenças do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcius Gomes; do diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Handerson Leite; do superintendente de Política Industrial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Luciano Giudice; do superintendente da Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste (SEVIA), Paulo Henrique; do diretor de Relações Institucionais do SENAI CIMATEC, Walter Pinheiro; do representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Leonel Leal; e do representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Daniel Almeida Filho.
A programação do evento também incluiu palestras sobre megatendências de transformação e os caminhos para a neoindustrialização brasileira, com o pesquisador Renato da Fonseca, da UC Berkeley, além de debates sobre os impactos da reforma tributária na atração de investimentos, conduzidos pelo ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges Lemos, que atua como assessor da presidência da Caixa Econômica Federal.


