ECONOMIA
Expansão de metrô, VLT e BRT pode custar R$ 15 bilhões a capital nordestina
Plano do BNDES prevê novos corredores de transporte


A Região Metropolitana do Recife poderá passar por uma das maiores transformações da sua mobilidade urbana nas próximas décadas. Projetos de metrôs, VLTs e corredores de BRT estudados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pelo Ministério das Cidades podem somar investimentos de até R$ 15 bilhões e ampliar em 82 quilômetros a rede de transporte público da região.
Se os projetos forem colocados em prática, a malha estrutural de transporte coletivo da RMR saltará dos atuais 68 km para cerca de 150 km de extensão.
Projetos fazem parte de plano nacional
As propostas integram o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), coordenado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades. O programa avalia soluções de média e alta capacidade para 21 regiões metropolitanas brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes.
Os detalhes das intervenções para o Grande Recife foram apresentados durante o Seminário de Mobilidade Urbana ZURB, realizado nos dias 20 e 21 de maio, no Recife Expo Center, no Centro da capital pernambucana.
Segundo o economista Paulo Alexandrino, especialista em mobilidade urbana e estruturação de projetos do BNDES, a proposta é fortalecer sistemas sobre trilhos e corredores exclusivos para integrar melhor os grandes centros urbanos.
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Entre os seis eixos considerados prioritários, um dos destaques é o corredor entre o TI Abreu e Lima e Cajueiro Seco, com 30,5 quilômetros de extensão ao longo da BR-101. O trecho poderá operar com sistema de BRT ou VLT.
Outro projeto considerado estratégico é o corredor da Avenida Norte, que terá quase 10 quilômetros e fará a ligação entre o Centro do Recife e o Terminal da Macaxeira.
Também está previsto um eixo conectando Boa Viagem a Olinda pelas avenidas Agamenon Magalhães e Domingos Ferreira. A estimativa é de que mais de 320 mil pessoas sejam beneficiadas diretamente.
O planejamento ainda inclui duas conexões partindo de Igarassu em direção à Joana Bezerra e ao bairro de Santo Antônio, ambos com cerca de 30 quilômetros.
Fechando o pacote, o sexto projeto prevê a ligação entre Santo Antônio e São Lourenço da Mata, funcionando como expansão do atual Corredor Leste-Oeste.

Projetos podem ir a leilão em 2028
Apesar do avanço nas propostas, o BNDES informou que ainda serão necessários cerca de 18 meses para conclusão dos estudos técnicos e da modelagem financeira.
A expectativa é que o processo de articulação entre União, Governo de Pernambuco e prefeituras ocorra ao longo de 2027, deixando os leilões de concessão para 2028.
Todos os projetos estão sendo desenhados para operação pela iniciativa privada por meio de concessões públicas.
Mudanças prometem reduzir tempo de viagem
Segundo o BNDES, caso os projetos saiam do papel, a população que vive próxima de estações de transporte de média e alta capacidade passará de 22% para 46%.
As projeções também indicam redução de 21% no tempo gasto nos deslocamentos diários, além da diminuição na emissão de poluentes e nos índices de acidentes de trânsito.
O investimento estimado varia entre R$ 5,6 bilhões e R$ 14,8 bilhões, dependendo da tecnologia escolhida para cada corredor.
Antes da definição dos seis eixos prioritários, a Região Metropolitana do Recife chegou a ter 18 projetos analisados pelo BNDES, incluindo propostas apresentadas pelo Governo de Pernambuco, Prefeitura do Recife e CBTU.


