ECONOMIA
Bahia bate recorde no abate de bovinos em meio ao avanço das exportações de carne
Estado abateu 390 mil cabeças no segundo trimestre, alta de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025


A Bahia registrou o maior volume de abate de bovinos da série histórica no segundo trimestre, com aproximadamente 390 mil cabeças entre abril e junho, alta de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, as exportações de carnes avançaram 17% em valor e 15,1% em volume, reforçando o desempenho da pecuária no estado.
Os dados constam no Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia, divulgado em setembro pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), e mostram um cenário de expansão da atividade em meio ao fortalecimento da demanda externa e ao aumento do ritmo de abates.
O avanço das exportações aparece entre os principais fatores por trás desse resultado. O diretor-geral da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Paulo Sérgio Menezes Luz, destaca que a demanda internacional, especialmente de mercados já consolidados, contribuiu para ampliar o ritmo de processamento nos frigoríficos.
“O aquecimento das exportações foi um dos principais motores para escoar a produção. A forte demanda global, com destaque para mercados consolidados como a China, aumentou o ritmo de processamento nos frigoríficos locais para suprir a demanda externa”. Ele acrescenta que a maior disponibilidade de animais prontos para o abate e a oferta de grãos para alimentação também deram suporte à atividade.
Esse movimento também acompanha mudanças na distribuição do rebanho dentro do estado. De acordo com Paulo, a pecuária baiana passou por um processo de interiorização e intensificação da produção, com maior presença em áreas de transição e regiões de forte atividade agrícola.
“O rebanho se deslocou das áreas mais secas do semiárido tradicional em direção a regiões de forte apelo agrícola”, explica. No oeste, municípios como Santa Rita de Cássia, Barreiras, Formosa do Rio Preto, Cotegipe, Wanderley e Angical aparecem entre os destaques dessa expansão.
Cenário nacional
No cenário nacional, o mercado externo passou a ocupar uma posição estrutural na cadeia da carne bovina, deixando de funcionar apenas como destino do excedente da produção. O avanço das vendas para outros países estimulou frigoríficos a ampliar investimentos em plantas de abate, tecnologia, marketing e atuação comercial no exterior, ao mesmo tempo em que aumentou a influência das exportações.
O primeiro semestre foi marcado por um volume recorde de exportações, impulsionado principalmente pelas vendas para mercados como China, Estados Unidos e Chile. Paulo Mustefaga, presidente executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), explica que o cenário começou a mudar no segundo semestre, com a redução dos embarques para a China após o preenchimento da cota estabelecida pelo país e com restrições no acesso ao mercado da União Europeia. Em contrapartida, o aumento das vendas para outros destinos, entre eles os Estados Unidos, tem ajudado a reduzir parte desse impacto.
As dificuldades para ampliar o acesso a novos mercados permanecem entre os principais obstáculos para o setor, mesmo diante da capacidade brasileira de elevar a produção e a produtividade. Restrições tarifárias, exigências sanitárias e negociações ainda em andamento com países da Ásia e de outros mercados limitam o avanço dos embarques e exigem novas estratégias de abertura comercial.
“O Brasil tem uma capacidade quase ilimitada de expandir a produção e aumentar a produtividade, mas ainda esbarra muito nessas restrições, que limitam a capacidade de expansão das exportações brasileiras”, afirma Paulo.
“Preço mais alto da arroba não significa automaticamente maior rentabilidade para o produtor. Se os custos de reposição, alimentação, mão de obra e demais insumos também avançam, a margem pode permanecer apertada”, explica Humberto Miranda, presidente do Sistema Faeb/Senar.
Da atividade, Miranda aponta que o desafio passa pelo aumento da produtividade, controle dos custos e maior adequação às exigências dos mercados compradores. Entre os pontos considerados estratégicos estão manejo de pastagens, genética, nutrição, sanidade, gestão e rastreabilidade do rebanho.
“O mercado internacional está cada vez mais exigente em relação à origem, segurança e sustentabilidade da carne. Portanto, precisamos transformar rastreabilidade e conformidade sanitária não apenas em obrigação, mas em instrumentos de acesso a mercados e agregação de valor”, afirma.