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Bahia investe R$ 107,7 milhões em economia solidária e circular

Centros atenderam 263 municípios e beneficiaram 2,5 mil empreendimentos

Fábio Bittencourt
Por Fábio Bittencourt
Imagem ilustrativa da imagem Bahia investe R$ 107,7 milhões em economia solidária e circular
Foto: Yago Matheus (Setre-BA) / Divulgação

A economia solidária e circular tem sido utilizada pelo governo da Bahia como estratégia de geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional. Entre 2023 e 2026, os investimentos estaduais nessas políticas somaram R$ 107,7 milhões, dos quais R$ 57,6 milhões foram destinados aos 23 Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol).

Presentes em 24 territórios de identidade, os centros atenderam 263 municípios e beneficiaram 2,5 mil empreendimentos e 28 mil pessoas, a maioria mulheres. Os negócios assistidos atuam em diferentes segmentos, como alimentos, bebidas, confecção, hortaliças, apicultura e cosméticos.

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Na reciclagem, os recursos também são direcionados ao fortalecimento de cooperativas e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais do setor.

O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, afirma que a Bahia tem uma das principais políticas públicas de economia solidária do país. Segundo ele, os Cesols oferecem assistência técnica, qualificação profissional, capacitação em vendas e apoio ao acesso ao microcrédito, além de contribuir para a organização dos empreendimentos e a valorização da produção local.

Mais de 100 cooperativas de catadores de materiais recicláveis estão cadastradas, com apoio à coleta de resíduos e à comercialização junto à indústria. Nos últimos anos, foram investidos mais de R$ 5 milhões em iniciativas voltadas a esses trabalhadores, beneficiando 4,7 mil pessoas, sobretudo durante grandes eventos, como o Carnaval de Salvador, o São João no interior e a Micareta de Feira de Santana.

“Com apoio do governo do Estado, as associações de catadores estão conseguindo comprar maquinário, ter acesso a linhas de crédito”, afirma Vasconcelos. Entre os equipamentos estão balanças, prensas e caminhões, além da estruturação de galpões para as cooperativas.

Para o titular da Setre, o avanço dessas políticas depende da combinação entre geração de renda, inclusão produtiva e responsabilidade ambiental. As iniciativas seguem princípios como comércio justo, combate ao trabalho infantil e às condições análogas à escravidão, além da promoção da dignidade de mulheres e pessoas com deficiência.

“O modelo é baseado no compartilhamento da riqueza e na preservação ambiental”, resume.

O próximo passo, segundo Vasconcelos, é ampliar a capacidade de produção das cooperativas, para que avancem além da coleta e da triagem e passem a transformar materiais e resíduos em produtos de maior valor agregado. A proposta é estimular a criação de pequenas unidades industriais, com equipamentos e estrutura adequados. “Para isso, é preciso comprar equipamentos, para que possam se desenvolver”, afirma.

Um exemplo é a Chocosol, empreendimento de produção de cacau e chocolate ligado à Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus. A iniciativa surgiu da necessidade de agricultores familiares de buscar alternativas de renda em um período de baixa do preço do cacau, por meio do beneficiamento da matéria-prima.

Segundo o presidente da cooperativa, João Geraldo, a estrutura funciona como uma fábrica-escola, que atende diretamente 30 produtores e empreendimentos e alcança indiretamente até 240 beneficiários.

Os agricultores recebem orientação sobre as etapas de produção, da colheita e secagem do cacau à fabricação do chocolate. A proposta é permitir que participem de todo o processo produtivo.

Atualmente, a Chocosol trabalha com cinco linhas de chocolate, com diferentes concentrações de cacau. A estrutura, no entanto, ainda não atingiu a capacidade de produção de 1,2 tonelada por mês. A ampliação do maquinário e a oferta de matéria-prima de qualidade estão entre os desafios. Segundo Geraldo, 14 empreendimentos aguardam na fila para ingressar na iniciativa.

“O agricultor vai para dentro da fábrica produzir o chocolate do cacau que ele planta, gerando renda, emprego, trabalho justo e qualidade de vida na região. Esse modelo é fundamental em pequenas e médias cidades. Envolve toda a família”, diz.

Coordenadora do Cesol Litoral Sul, a agrônoma Bárbara Aragão destaca que o trabalho dos centros inclui a qualificação dos produtos, a criação de identidade visual, a organização de compras coletivas de matéria-prima e o suporte jurídico, nutricional e institucional. O Cesol Litoral Sul contempla 26 municípios do território de identidade.

Um dos desafios, segundo ela, é impulsionar a organização coletiva dos produtores. “Ainda é difícil muitos trabalharem coletivamente, há dificuldade em querer se organizar”, diz. Para enfrentar essa resistência, o Cesol promove oficinas e atividades de formação. Na região, além do chocolate, os empreendimentos atuam nos segmentos de artesanato, reciclagem e prestação de serviços.

Setor industrial

A economia circular também avança no setor industrial, com iniciativas voltadas à redução de desperdícios, ao reaproveitamento de materiais e à criação de novos produtos a partir de resíduos.

De acordo com Geane Almeida, assessora técnica da Gerência de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), 131 das 272 práticas inscritas nas quatro últimas edições do Prêmio Fieb Indústria Baiana Sustentável, realizadas em 2018, 2021, 2023 e 2025, estavam relacionadas à economia circular.

Entre as iniciativas estão reciclagem, coprocessamento, logística reversa, recuperação de subprodutos, extensão da vida útil de produtos e substituição de matérias-primas virgens.

O Sistema Fieb, por meio do Senai Cimatec, também desenvolve pesquisas e projetos-piloto para aproveitar resíduos industriais e vegetais. Entre os exemplos estão a aplicação de agregados siderúrgicos no tratamento de efluentes industriais e a produção de nanocelulose a partir da fibra de coco.

A entidade aponta que a expansão dessas práticas depende de investimentos em tecnologia, capacitação, financiamento e infraestrutura, além de maior integração entre indústria, poder público e cooperativas de reciclagem.

Uma das iniciativas em desenvolvimento é uma plataforma de simbiose industrial, articulada pela Fieb com apoio do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), para conectar empresas que geram resíduos ou subprodutos a outras que possam utilizá-los como matéria-prima.

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Bahia economia sustentabilidade

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