ECONOMIA
Como o desenvolvimento urbano planejado vem transformando cidades do interior da Bahia
Modelo de expansão organizada injeta R$ 32 milhões no interior da Bahia


Durante décadas, o crescimento de muitas cidades do interior brasileiro ocorreu de forma desordenada. A expansão urbana frequentemente avançou sem infraestrutura adequada, pressionando serviços públicos, comprometendo a mobilidade e dificultando o acesso da população a moradia planejada e de qualidade.
Nos últimos anos, porém, algumas cidades do interior da Bahia começaram a viver uma nova dinâmica de crescimento. Municípios antes limitados por infraestrutura precária e baixa capacidade de expansão passaram a receber projetos urbanos estruturados, capazes de reorganizar territorialmente regiões inteiras e criar novas oportunidades de desenvolvimento econômico e social.
Esse movimento já pode ser observado em cidades como Poções, no sudoeste baiano.
Com aproximadamente 50 mil habitantes e localização estratégica entre importantes eixos rodoviários do estado, Poções passou por uma transformação urbana relevante nos últimos anos a partir da implantação de empreendimentos planejados voltados à expansão organizada da cidade.
À frente desse processo está Rodrigo Rocha Reis, empresário baiano e especialista em desenvolvimento territorial estruturado, que atua na concepção de comunidades planejadas integrando habitação, infraestrutura e crescimento urbano sustentável.
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Através da Civitta Urbanismo, Rodrigo participou da estruturação de três empreendimentos residenciais planejados no município: Vivendas do Bosque 1, Vivendas do Bosque 2 e Caminho das Árvores. Juntos, os projetos somam mais de 1000 lotes residenciais e Valor Geral de Vendas superior a R$ 32 milhões.
Mais do que projetos imobiliários isolados, os empreendimentos foram concebidos dentro de uma lógica de expansão urbana planejada, incluindo pavimentação, drenagem, iluminação pública, redes de esgoto e integração com futuras áreas de crescimento da cidade.
O maior erro de muitos processos de expansão urbana é pensar apenas no empreendimento em si. O crescimento da cidade precisa ser planejado de forma integrada com infraestrutura, mobilidade e desenvolvimento de longo prazo
Rodrigo Rocha Reis
Um dos exemplos mais emblemáticos desse modelo foi a implantação de uma adutora estratégica com mais de cinco quilômetros de extensão. A obra foi inicialmente exigida pela EMBASA como condição para aprovação dos empreendimentos, diante da necessidade de garantir capacidade hídrica suficiente para atender os novos bairros.
Segundo Rodrigo, a solução acabou gerando um impacto muito maior do que o inicialmente previsto.
“A adutora não apenas viabilizou os empreendimentos. Ela contribuiu para melhorar o abastecimento de água em áreas vizinhas que historicamente enfrentavam instabilidade hídrica. O investimento privado acabou contribuindo diretamente para o desenvolvimento estrutural da região”, explica.

A água captada a partir do Reservatório do Tigre passou a abastecer a área de expansão urbana, reforçando a segurança hídrica dos empreendimentos e de comunidades vizinhas historicamente afetadas por instabilidade no fornecimento.
A atuação da Civitta também envolveu a elaboração de um master plan territorial de aproximadamente 123 hectares, contemplando não apenas os empreendimentos executados, mas futuras áreas de expansão urbana e desenvolvimento institucional.
Com o avanço da urbanização estruturada da região, a área passou posteriormente a receber investimentos públicos e institucionais relevantes, incluindo a instalação de um campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) dentro da área de expansão urbana desenvolvida pelo projeto.

Para especialistas do setor, esse tipo de integração entre infraestrutura, habitação e desenvolvimento institucional representa uma tendência cada vez mais importante para cidades médias e regiões em crescimento.
Outro diferencial do modelo adotado pela Civitta foi a utilização de estruturas flexíveis de aquisição dos lotes, ampliando o acesso à moradia planejada para famílias de renda média e baixa, trabalhadores locais e pequenos investidores, fator que contribuiu para expansão do acesso habitacional em uma região historicamente marcada por crescimento urbano informal.
O desenvolvimento urbano precisa considerar não apenas o crescimento físico das cidades, mas também o acesso das famílias à infraestrutura e à oportunidade de construir patrimônio de forma organizada e sustentável
Nos últimos anos, temas como expansão suburbana, acessibilidade habitacional e desenvolvimento urbano sustentável passaram a ocupar posição central nas discussões globais sobre crescimento das cidades. O desafio de equilibrar expansão territorial, infraestrutura e acesso à moradia não é exclusivo das grandes capitais e vem se tornando cada vez mais relevante também em cidades médias.
Nesse contexto, experiências desenvolvidas no interior brasileiro começam a chamar atenção pela capacidade de integrar planejamento territorial, infraestrutura urbana e desenvolvimento econômico regional em modelos estruturados de crescimento urbano. O modelo desenvolvido em Poções também começa a ser observado como referência para cidades médias que enfrentam desafios relacionados à expansão urbana planejada, infraestrutura e acesso à moradia.
Para Rodrigo Rocha Reis, o futuro das cidades passa necessariamente por planejamento de longo prazo.
“As cidades que conseguirão crescer de forma saudável nas próximas décadas serão aquelas capazes de integrar infraestrutura, expansão urbana, mobilidade, acesso à moradia e desenvolvimento econômico dentro de uma visão territorial estruturada”, conclui.


