KISS & FLY
Kiss & Fly movimenta Câmara de Salvador e gera críticas de vereadores
Vereadores têm criticado a chegada do “Kiss & Fly”, que prevê uma cobrança de R$ 18


A implementação das cancelas na entrada do Aeroporto Internacional de Salvador tem gerado discussões na população e chegou à Câmara Municipal da capital baiana (CMS). Vereadores têm criticado a chegada do “Kiss & Fly”, que prevê uma cobrança de R$ 18 aos motoristas que ultrapassarem a tolerância de 10 minutos na busca dos passageiros do aeroporto.
Consultados pelo Portal A TARDE, vereadores de Salvador criticaram a medida e chegaram a classificar como uma “privatização do meio-fio”. Atualmente, na Câmara Municipal, tramita um Projeto de Lei do presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), que trata da proibição das cobranças em áreas de embarque e desembarque, mas a proposta ainda aguarda apreciação no plenário.
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Governo e oposição alinhados
A reportagem entrevistou o líder da oposição na CMS, Randerson Leal (Podemos), que classificou como “absurda” as cobranças para a busca de passageiros no Aeroporto de Salvador. O vereador também afirmou que as cancelas não poderiam ser instaladas sem autorização do poder público, visto que o espaço se trata de uma concessão federal.
“Olha, primeiro é um absurdo o que tem acontecido ali no Aeroporto de Salvador.[...] Temos vários projetos aqui para acabar de uma vez por todas com as taxas de shopping, em hospitais e esse absurdo que é dentro do Aeroporto de Salvador. Então, é uma concessão federal, a empresa está apenas administrando, não é deles. Poderia jamais fazer qualquer tipo de construção sem antes de autorização do poder público. Então, absurdo, lamentável e a Câmara vai dar resposta sim”, afirmou Randerson.
O líder da base do prefeito Bruno Reis (União), vereador Kiki Bispo (União), defendeu o diálogo antes da apreciação da proposta no plenário. Contudo, ao A TARDE, ele afirmou que as cobranças com tolerância de apenas 10 minutos “não é a melhor medida”.
“O aeroporto hoje é diferente de um período atrás, foi ampliado, foi reformado e naturalmente você tem um número maior de veículos que circulam no local, acaba meio que congestionando de fato, mas talvez a melhor medida não seja a cobrança nas cancelas da entrada do aeroporto. Tem um projeto tramitando na Câmara e tem que ser legítimo e competente da cidade resolver sobre essa questão. Agora precisamos, antes de mais nada, antes de você votar em votação, poder dialogar, poder construir uma consciência para que a cidade não saia prejudicada”, avaliou Kiki.

Arrecadação além da conta
O vereador Marcelo Guimarães Neto (União) declarou que votará favorável ao projeto de Carlos Muniz. O edil ressaltou que a população soteropolitana “já paga muito imposto”, reforçando ser contrário a mais uma nova cobrança.
“Eu sou a favor do projeto do presidente Carlos Muniz, uma vez que nós, a população soteropolitana já é cobrada demais com impostos, com outras cobranças, e eu acho que a Câmara tem esse papel sim de fiscalizar e de legislar naquilo que é importante para a cidade de Salvador. Portanto, quando essa votação ocorrer, de fato, a gente dará um voto favorável do vereador Marcelo Guimarães Neto, em consonância com o presidente Carlos Muniz, porque acho que é importante para a cidade”, disse Marcelo Guimarães Neto.
À reportagem, Sílvio Humberto (PSB) foi enfático ao criticar a cobrança na área de embarque e desembarque do Aeroporto de Salvador, afirmando que é preciso um limite no pensamento lucrativo das empresas. Para o vereador do PSB, o local também já foi uma área de lazer da população.
“Esse intuito de arrecadar e as argumentações, sendo que as pessoas que fazem uso do transporte ficam ali aguardando, eu acho que não é justificativa para você cobrar da forma que está sendo proposto. Eu conheço muita gente que ia até o aeroporto para poder ver os aviões, a gente vai perder também isso. Então essa coisa que já foi uma área de lazer também. [...] Tem um limite essa coisa com relação a essa busca incansável pelo lucro. Eu acho que mais taxas, mais um preço, você cobrar mais, não é correto”, ressaltou o vereador.
Privatizar meio-fio
Para Marta Rodrigues (PT), as cobranças após as cancelas do aeroporto se tratam de uma “privatização” do meio-fio da região. A vereadora também relatou que tem sido procurada pela população e recebido críticas em relação ao valor de R$ 18 após o tempo de tolerância de 10 minutos.
“É uma questão de você cobrar, privatizar o meio fio. As pessoas que chegam no aeroporto para levar um ente querido ou para buscar têm que pagar este valor absurdo. O aeroporto de Salvador não é um shopping, é um aeroporto, por isso que a gente tem que ter todo cuidado com a nossa cidade. [...] As pessoas têm nos procurado, têm trazido também essa manifestação de não ter como pagar um valor desse”, criticou a vereadora.


