ECONOMIA
Desenrola 2.0: programa para renegociar dívidas é lançado nesta segunda
Nova fase do programa promete juros mais baixos, descontos altos e uso do FGTS

O governo federal lança nesta segunda-feira, 4, o Novo Desenrola Brasil, um pacote de medidas voltado à redução do endividamento da população. A proposta mira principalmente pessoas com renda de até cinco salários mínimos, público considerado mais vulnerável e com menor capacidade de negociação direta com credores.
Como deve funcionar o programa
O Desenrola 2.0 prevê uma janela de aproximadamente três meses para adesão e quitação das dívidas, com o objetivo de estimular acordos em curto prazo.
Entre os débitos que poderão ser renegociados estão:
- cartão de crédito
- cheque especial
- crédito rotativo
- crédito pessoal sem garantia
- dívidas do Fies
A prioridade são dívidas com juros mais altos, que pressionam o orçamento das famílias. Em contrapartida, empréstimos imobiliários e consignados devem ficar de fora nesta fase inicial.
Para viabilizar melhores condições, o programa deve contar com o Fundo Garantidor de Operações (FGO), oferecendo segurança aos bancos e permitindo juros mais baixos e descontos maiores.
Juros, descontos e condições
Os contratos renegociados devem ter taxa de juros limitada a cerca de 1,99% ao mês. Já os descontos podem variar entre 30% e 90%, dependendo principalmente do tempo de atraso, quanto mais antiga a dívida, maior tende a ser a redução.
Ainda há sobre o período mínimo de inadimplência exigido, que pode variar entre 90 dias e mais de um ano.
Uso do FGTS
Outra medida prevista é a possibilidade de utilizar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas. A regra também deve ser restrita a trabalhadores dentro do limite de renda do programa.
Restrição a apostas
O pacote inclui ainda uma trava para gastos com apostas online. Quem aderir ao programa poderá ter o CPF bloqueado nessas plataformas por um período que pode variar de seis meses a um ano. A intenção é evitar que o beneficiário volte a se endividar durante a renegociação.
Leia Também:
Cenário de endividamento
O lançamento ocorre em um contexto de forte pressão financeira. O Brasil soma cerca de 82,8 milhões de inadimplentes, com famílias impactadas por juros elevados e uso frequente de crédito rotativo.
O que ainda falta definir
Apesar do anúncio, alguns pontos seguem em negociação, como:
- volume de recursos do FGTS a ser utilizado
- regras detalhadas de participação
- critérios para trabalhadores informais
- eventual carência para início dos pagamentos
- segurança jurídica das restrições às apostas
A expectativa do governo é que o programa comece a operar logo após o lançamento, com adesão aberta por tempo limitado.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




