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CAPA LATIN AMERICA AVIATION

Evento discute recuperação do mercado aéreo pós-pandemia

Representantes do setor se reúnem em Salvador para debater desafios e rumos da retomada

Dante Nascimento
Por Dante Nascimento
| Atualizada em
Secretário Nacional de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, foi um dos palestrantes do evento
Secretário Nacional de Aviação Civil, Ronei Glanzmann, foi um dos palestrantes do evento - Foto: Rafaela Araújo | Ag. A TARDE

Evento inédito no Brasil, a CAPA Latin America Aviation & LCCs Summit reúne hoje e amanhã, 26, no Centro de Convenções, em Salvador, representantes de companhias aéreas e de aeroportos de todo o mundo para discutir os desafios do setor no pós-pandemia.

No período mais grave da crise sanitária, em 2020, o mercado aéreo mundial praticamente parou, enfrentou forte retração nos negócios e agora atua para colocar em prática um plano baseado em investimento em infraestrutura, recuperação de aeroportos, aumento da capacidade de transporte e redução de custos, mas com apoio governamental.

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Regulação excessiva e mudanças no sistema tributário são vistas como obstáculos num momento em que três das principais companhias aéreas latino-americanas, LATAM, Aeromexico e Avianca, estão enfrentando processo de recuperação judicial.

No caso do Brasil, houve críticas ao governo federal por não ajudar de forma efetiva o setor a se reerguer, como ocorreu nos Estados Unidos.

“Aqui teve algum suporte, mas alguns outros locais precisam de mais apoio, e isso impacta na capacidade de operação. Fazer melhorias na infraestrutura é algo necessário para resgatar o setor”, avalia Rafael Echevarne, diretor-geral ACI LAC (Conselho Internacional de Aeroportos).

Para Peter Cerdá, vice-presidente regional da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), é preciso investir em conectividade.

“Temos que promover parceria com os governos. Nossas regiões estão passando por mudanças no cenário político. Tem eleições no Brasil também, e mais do que nunca nós precisamos de governos que apoiem essa indústria”, alerta.

Já John Rodgerson, CEO da Azul Linhas Aéreas, acredita que o custo do combustível instável no Brasil, por causa da variação cambial, ainda atrapalha as operações no país.

“Tem que lembrar que o Brasil tem muito combustível, mas tem falta de refinaria. É um país abençoado, mas tem que olhar diferente para o Brasil. O dólar impacta muito. Quando o dólar enfraquece, a gente perde duas vezes, com a alta do combustível e quando o dólar fica alto depois”, explica.

Crescimento na América Latina

Apesar da crise imposta pela pandemia, a América Latina apresenta crescimento, ao contrário do resto do mundo. Houve aumento do volume de cargas transportado na região em 40,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Sobre tráfego internacional de passageiros, a América Latina também se destaca. As companhias aéreas latinas apresentaram um crescimento em torno de 260% em abril de 2022, em comparação ao período do ano anterior.

Foco na sustentabilidade

O esforço do setor em busca de alternativas para reduzir o impacto ambiental da atividade também foi discutido no primeiro dia de evento. Em 2016, a OACI (Organização de Aviação Civil Internacional) estabeleceu um programa - CORSIA - para a redução e compensação de emissões de carbono. E as companhas têm buscado adequar suas operações.

O tema pautou o painel apresentado por José Ricardo Botelho, diretor Executivo e CEO da ALTA(Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo). Ele alertou que o setor de aviação emite o correspondente a 2,5% do carbono produzido no mundo.

“É uma das atividades mais comprometidas e há vários programas sendo gerados. Você tem novas análises de rotas, novos tipos de motores, novos tipos de aeronave, aeronaves a base de hidrogênio, compensação de carbono aprovado por esse setor. E há a SAF, combustível sustentável”, destaca.

Novas rotas

Este ano tem sido de novos investimentos das companhias aéreas na Bahia. A partir de 21 de dezembro, a Air Europa recoloca em operação o voo direto Salvador-Madri, suspenso desde o começo da pandemia. Serão dois voos semanais, às quartas e sextas-feiras.

Já a GOL Linhas Aéreas decidiu instalar um centro de conexões de voos na Bahia, por meio de acordo com o governo estadual. Três cidades passam a operar ainda em 2022 como destinos, Teixeira de Freitas, Lençóis e Paulo Afonso.

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