RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Gigante do setor de energia e biocombustíveis pode reduzir R$ 35 bilhões no capital
Empresa convocou assembleia que decidirá mudanças ligadas ao plano de recuperação extrajudicial

A Raízen poderá reduzir seu capital social em até R$ 35 bilhões como parte das mudanças previstas no processo de recuperação extrajudicial da companhia. A proposta será analisada pelos acionistas em uma assembleia marcada para 30 de outubro, que também decidirá sobre uma ampla reformulação na estrutura da empresa.
A redução, caso aprovada, não provocará o cancelamento de ações. A operação está relacionada à capitalização prevista no plano de reestruturação e envolve a Raízen Energia, subsidiária da companhia.
Pela proposta, os acionistas receberão valores mobiliários da subsidiária de acordo com as participações que já possuem na Raízen. Para que essa etapa seja concretizada, porém, a Raízen Energia precisará cumprir algumas condições, entre elas:
- alterar seu registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
- avançar com a listagem de ações e units no Nível 2 da B3.
Conselho também pode mudar
A reorganização não ficará restrita ao capital da empresa. A Raízen pretende substituir todos os integrantes do atual conselho de administração e estabelecer uma nova composição.
A proposta prevê sete conselheiros titulares e sete suplentes, com mandato de três anos durante o período de transição. A escolha ocorrerá por meio de chapa única.
A formação desse grupo poderá mudar conforme a participação da Aguassanta Participações na capitalização. A Shell também terá indicações relacionadas aos detentores das novas ações preferenciais.
As alterações acompanham uma possível mudança na estrutura de controle da Raízen, diante de um cenário no qual a companhia poderá deixar de ter um acionista com mais da metade do capital votante.

Novas ações e units
Para colocar a capitalização em prática, a Raízen também quer:
- ampliar de forma significativa a quantidade de ações que poderá emitir. O limite do capital autorizado poderá chegar a 200 bilhões de ações ordinárias e preferenciais.
- criação das ações preferenciais Classe B. Elas terão características semelhantes às preferenciais já existentes, mas poderão conceder direito de voto em determinados assuntos diretamente ligados à reestruturação.
- a criação de units, certificados formados pela combinação de uma ação ordinária com uma ação preferencial Classe A.
Além dessas medidas, os acionistas decidirão sobre alterações no estatuto e na administração da companhia. Entre elas estão novas regras para situações em que investidores alcancem participações relevantes, mudanças nos limites de atuação da diretoria executiva e ajustes na política de remuneração baseada em ações.
A assembleia de outubro será, portanto, uma das etapas necessárias para colocar em prática as mudanças societárias previstas no plano de recuperação extrajudicial da Raízen.