ECONOMIA
Habib’s enfrenta crise e acumula dívida de mais de R$ 300 milhões
Grupo dono do Habib’s e do Ragazzo conseguiu na Justiça 60 dias para negociar os débitos


O Grupo Gênios, responsável pelas redes Habib’s e Ragazzo, enfrenta uma crise financeira que já acumula mais de R$ 300 milhões em dívidas. A empresa conseguiu na Justiça uma suspensão de 60 dias para negociar os débitos com os credores e evitar, durante o período, cobranças e bloqueios.
A decisão foi concedida em julho pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Apesar da situação financeira, as unidades das redes continuam funcionando normalmente.
Segundo o grupo, a medida foi solicitada para permitir a negociação dos passivos acumulados nos últimos anos. A empresa afirma ainda que mantém o funcionamento das lojas e o padrão de atendimento.
Grupo tem mais de 17 mil funcionários
Mesmo diante das dificuldades financeiras, o Habib’s continua com uma operação de grande porte. As redes do grupo reúnem mais de 17 mil colaboradores e atendem cerca de 200 milhões de clientes por ano.
Em nota, a empresa reconheceu o momento de crise e afirmou ter recorrido à Justiça por meio de um pedido de medida cautelar para conseguir negociar os valores devidos.
O grupo reforçou que as lojas permanecem abertas e funcionando normalmente.
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Pandemia e delivery afetaram negócio
A crise financeira é resultado de uma série de fatores que pressionaram a operação da empresa nos últimos anos.
Durante a pandemia, o movimento nas lojas caiu. Ao mesmo tempo, a expansão dos aplicativos de entrega aumentou a concorrência no setor e reduziu as margens de lucro das grandes redes.
A inflação também elevou os custos de operação, dificultando a manutenção da estratégia de preços baixos que marcou a trajetória do Habib’s.
Um exemplo dessa mudança está no preço das esfihas. O produto que era vendido por R$ 0,99 há cerca de dez anos atualmente custa R$ 4,99.
Além disso, o aumento do endividamento das famílias, principalmente entre consumidores das classes B, C e D, também passou a pressionar o desempenho da rede.
Delivery aumentou concorrência
Para Cristina Souza, CEO da agência Tanjerin, especializada em foodservice, a pandemia mudou significativamente o cenário do setor.
Segundo ela, o crescimento de pequenas empresas que passaram a atuar no delivery aumentou a concorrência para grandes redes.
No caso do Habib’s, a estrutura física também pesa. A rede possui unidades maiores e parques de diversões, o que exige um fluxo constante de consumidores para que esses espaços sejam sustentáveis.
Como o Habib’s chegou até aqui
O Habib’s foi fundado em 1988 por Alberto Saraiva, que precisou mudar os rumos da própria vida ainda jovem.
Aos 20 anos, quando cursava Medicina, Saraiva abandonou a faculdade depois que o pai foi assassinado durante um assalto. Com a tragédia, ele assumiu a padaria da família, localizada no Belenzinho, em São Paulo, que era responsável pelo sustento da mãe e dos dois irmãos mais novos.
A partir dali, o empresário desenvolveu a estratégia que marcou o crescimento do Habib’s: oferecer produtos pelo menor preço possível para conquistar escala e, ao mesmo tempo, dominar os processos de fabricação.
Na década de 1990, a rede ganhou força e passou a ser referência no mercado pela operação e pelos padrões de qualidade.
Rede aposta em lojas menores
Diante do cenário atual, o grupo vem buscando alternativas para adaptar a operação e reduzir os impactos da crise.
Entre as estratégias adotadas está a aposta em formatos menores, como quiosques e lojas express.
Enquanto negocia as dívidas acumuladas, o Grupo Gênios mantém as unidades abertas e tenta reorganizar a operação para enfrentar o novo cenário do setor de alimentação.


