ECONOMIA
Hotéis comemoram ganhos com vendas de pacotes para festas

Com expectativa de taxa de ocupação média superior a 90% para o Réveillon (inclusive superando os índices do ano passado), os hotéis de Salvador já festejam, antecipadamente, os ganhos obtidos com a venda de pacotes para seus eventos privados de virada do ano.
>> Réveillon cheio de som e axé; veja programação de festas
“As grandes atrações da programação gratuita promovida pela prefeitura, na Praça Cayru, não só servem de chamariz para os fãs dos artistas de outros estados e até países, como a Argentina, como também agregam valor aos pacotes familiares para as festas privadas dos clubes e hotéis”, explica a diretora da seção baiana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Renata Prosérpio.
Segundo a diretora da ABIH, ao contrário do que se possa imaginar, a disponibilidade de grandes atrações gratuitas em praça pública não é vista pelo trade turístico baiano como uma concorrência para as festas privadas. “É, na verdade, mais uma opção para o turista vir para a nossa cidade”, diz.
Na análise financeira, os custos com os eventos privados também caíram. Muitos hotéis passaram, por exemplo, a servir a ceia com música ambiente ou bandas de menor projeção no cenário artístico, reduzindo os custos com contratação e ganhando, por outro lado, a preferência, por exemplo, de pais e avós que viajam com a família toda, mas não vão seguir com os filhos para os shows de rua, preferindo a comodidade e a segurança dos eventos privados.
Investir mais
Em hotéis da região de Itapuã, é possível encontrar ingressos para a noite de Réveillon por R$ 280 (no Hotel Mar Brasil, por exemplo), para show com banda ao vivo e ceia, em ambiente confortável, em valor semelhante ao cobrado por algumas barracas de praia.
Já os grandes hotéis da região, por outro lado, tiveram que investir ainda mais na festa, já que ficam distantes dos espaços de shows da prefeitura.
Segundo Renata, a ABIH já vem alertando as autoridades turísticas e empresários do ramo de eventos sobre a necessidade de políticas públicas voltadas para a área hoteleira de Itapuã. “O Réveillon da prefeitura sempre foi realizado na região da Barra, mas eventos como o Festival de Verão e a Stock Car, que eram mais próximos de Itapuã e aeroporto, já começam a fazer falta para os turistas que se hospedam nessa área”.
Planejamento
Para a diretora da ABIH, o sucesso do Réveillon deste ano é fruto também da ação planejada de divulgação do evento, tanto pela prefeitura quanto pelo trade turístico. “Divulgamos não só os cinco dias de festa, mas também a nova Salvador, após as recentes intervenções urbanas e investimentos em transporte público, aliadas ao fato de sermos a terceira maior hotelaria do país”, explica Renata Prosérpio.
A região metropolitana de Salvador tem capacidade hoje de atender 60 mil hóspedes, ficando atrás, no país, apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. “Uma pena que, infelizmente, mesmo com todo este potencial, só possamos comemorar em épocas como Réveillon e Carnaval, pois já não contamos com o turismo de eventos, essencial para a nossa atividade durante a maior parte do ano”, lamenta Renata.