REGISTRO
IPCA desacelera a 0,07% em julho e fica abaixo do teto da meta
Índice de julho é o menor para o mês em quatro anos, desde 2022


A inflação oficial do país desacelerou para 0,07% em julho, após registrar 0,16% no mês anterior, conforme dados divulgados nesta terça-feira,11, pelo IBGE.
O índice de julho é o menor para o mês em quatro anos, desde 2022. No entanto, o resultado superou a mediana das projeções do mercado coletadas pela agência Bloomberg, que apostava em estabilidade (0%), ficando no limite superior do intervalo das estimativas (de -0,1% a 0,07%).
Com o desempenho mensal, o IPCA passou a acumular alta de 4,44% em 12 meses, recuando em relação aos 4,64% acumulados até junho. Dessa forma, o indicador retornou para abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), patamar que havia sido superado em maio.
Projeções e riscos
Para o fechamento de 2026, a mediana das estimativas do mercado financeiro projeta um IPCA de 5,02%, segundo o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (10). A taxa segue acima do teto da meta, embora tenha apresentado queda pela sexta semana consecutiva.
Enquanto o primeiro semestre foi marcado pelo impacto da carestia dos alimentos e pelos reflexos da guerra no Irã — que encareceu o petróleo e os combustíveis —, o arrefecimento dessas pressões ajudou a melhorar as previsões recentes. Contudo, analistas apontam novos riscos no horizonte:
- Geopolítica: A retomada dos conflitos internacionais traz instabilidade.
- El Niño: O fenômeno climático altera o regime de chuvas, ameaçando o desempenho do agronegócio, gerando possíveis pressões sobre os preços dos alimentos e elevando custos no setor de energia.
- Copom reduz Selic para 14% ao ano.
Diante do cenário inflacionário, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu na semana passada a taxa básica de juros para 14% ao ano, efetuando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.
O colegiado do BC optou por não antecipar os próximos passos, reforçando que a extensão total do ciclo de baixa será definida “à luz de novas informações” e dos riscos associados à inflação.
A manutenção de juros em patamares elevados atua como instrumento para conter a demanda por bens e serviços e aliviar a pressão sobre os preços.