MERCADO FINANCEIRO
Copom deve cortar Selic e anunciar novos ajustes para setembro
A expectativa é de que a taxa Selic caia 0,25 ponto percentual, e saia de 14,25% para 14%


O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), se reunirá nesta quarta-feira, 5, para decidir se fará um novo corte na taxa básica de juros, principal referência para todas as outras taxas do país, como empréstimos, financiamentos e investimentos de renda fixa.
A expectativa é de que a taxa Selic caia 0,25 ponto percentual, e saia de 14,25% para 14%. A mesma redução dessa magnitude deve ser esperada para setembro e será pauta no encontro entre o presidente e os diretores da instituição financeira. Se realizada, seria a quinta queda consecutiva da Selic.
O Boletim Focus também passou a indicar uma Selic de 13,75% ao fim de 2026, refletindo a expectativa de continuidade do processo de redução dos juros.
De acordo com a avaliação de Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), não há espaço para uma redução tão brusca na taxa, afinal, a inflação acompanha uma desaceleração cuja projeção volta a acompanhar uma queda pela quinta semana consecutiva.
“Considerando essa tendência, a expectativa para a Selic ao final de 2026, reduzida de 14% para 13,75% ao ano, segue na contramão da realidade de um país que precisa crescer de modo mais robusto”, afirma Cervone. Para ele, “não faz sentido o Brasil continuar convivendo com a maior taxa de juros reais do mundo, penalizando a atividade econômica, os investimentos produtivos e a geração de empregos", explicou em nota.
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As expectativas para as decisões fizeram o mercado financeiro aquecer nesta quarta. O dólar abriu a sessão em queda, conforme investidores aguardavam novos sinais sobre os juros brasileiros. Perto das 9h, a moeda tinha um recuo de 0,36%, cotada a R$ 5,1129.
A reunião também deve manter no radar as turbulências no mercado internacional, com a manutenção da guerra no Oriente Médio, que chega mais perto de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã.
Cervone também observa que o atual cenário internacional torna uma política monetária menos restritiva ainda mais necessária.
"No momento em que o Brasil enfrenta o impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre numerosos produtos nacionais, manter juros tão elevados significa impor uma segunda penalidade à nossa economia. Os custos financeiros elevam o chamado 'Custo Brasil', reduzem a competitividade da nossa produção e dificultam a reação das empresas justamente quando elas precisam ganhar eficiência para disputar mercados", enfatiza.


