ECONOMIA
Tarifaço dos EUA: impacto na Bahia é leve, mas acende alerta
Imposta em julho de 2026, a medida determina tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros


Apesar do tarifaço dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros prever um impacto menor sobre alguns setores econômicos do Brasil, especialistas aconselham cautela, principalmente com a possível redução das exportações brasileiras e a pressão sobre o dólar.
Imposta em julho de 2026, a medida norte-americana determina tarifas de até 25% sobre produtos como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, açúcar e entre outros.
Mais de dois mil produtos que fazem parte da principal cproduesta de exportação e que são mais demandados pelos Estados Unidos, entretanto, ficaram de fora da lista de tributação.
Atenção às negociações
Para o economista, Vinicius Assis, CEO da Ônix Capital, essa decisão possibilitou a redução de um impacto imediato sobre o comércio entre os dois países, mas não impede que o efeito surja nas próximas negociações.
“O primeiro ponto importante é entender que essa tarifa é paga pelo importador americano, e não pelo exportador brasileiro. Isso significa que, inicialmente, as empresas dos Estados Unidos precisarão decidir se absorvem esse custo, renegociam preços com os fornecedores brasileiros ou buscam produtos semelhantes em outros países”, explica ele.
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Segundo o economista, o impacto não acontece de um dia para o outro, mas existe um efeito em cadeia que merece atenção. Câmbio, inflação e juros caminham juntos. Se houver pressão sobre esses indicadores, quem já está com o orçamento comprometido tende a sentir primeiro.
“O efeito mais relevante pode aparecer nas próximas etapas. Se o importador americano passar a comprar menos do Brasil, entra menos dólar no país. Com uma oferta menor da moeda americana, a tendência é de valorização do dólar frente ao real, o que acaba encarecendo produtos importados e pressionando a inflação”, afirma Assis.
Impacto na economia baiana
O especialista conta que os efeitos sobre a economia baiana também devem ser analisados com equilíbrio, já que um terço das exportações baianas destinadas aos EUA foi atingido pelas novas tarifas, especialmente produtos ligados aos setores de celulose, pneus e petroquímica.
“Não vejo um impacto expressivo para a economia baiana neste primeiro momento. Estamos falando de um efeito estimado em torno de 0,3% do PIB estadual. O que merece maior atenção agora são os próximos passos das negociações entre Brasil e Estados Unidos e uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade, que pode alterar esse cenário”, avalia.
Para o especialista, o momento exige cautela, mas não alarmismo: “É importante acompanhar como o mercado vai reagir. Dependendo do desfecho das negociações, os impactos podem ser pequenos ou ganhar proporções maiores. Neste momento, ainda estamos diante de um cenário que inspira monitoramento, e não de uma crise instalada.”


