ECONOMIA
Como usar IA para organizar finanças pessoais sem arriscar seus dados
Pesquisa revela que 64% dos brasileiros querem usar Inteligência Artificial para gerenciar orçamento


Capaz de organizar gastos, estruturar planejamentos financeiros e auxiliar na análise de decisões, a inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço na rotina dos brasileiros e despertado o interesse de quem busca mais controle sobre o orçamento.
Pesquisa do Mercado Pago, divulgada neste mês de julho, com 2.300 usuários brasileiros, mostra que 66% já utilizam a IA, embora apenas 9% recorram a ela para administrar as finanças pessoais. Ainda assim, 64% afirmam ter interesse em usar a tecnologia com esse objetivo.
Casos práticos: como a IA ajuda no controle do orçamento
A psicóloga Marianna Gruden já utiliza a IA para controlar as finanças pessoais. Com o auxílio do recurso, ela acompanha receitas e despesas, analisa os gastos no cartão de crédito e diferencia custos fixos e variáveis.
A estudante Isabel dos Santos também recorre à tecnologia para estruturar um plano financeiro mensal, informando salário, gastos fixos e variáveis e o valor disponível para poupar.
“Ela não faz algo muito além do que eu já fazia manualmente, mas estrutura muito bem as informações visualmente”, afirma.
Os dois casos exemplificam um dos usos mais adequados da IA nas finanças pessoais: a execução de tarefas técnicas e repetitivas.
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Segundo a planejadora financeira Anna Fonseca, a ferramenta apresenta bom desempenho em atividades como:
- controle de gastos;
- categorização de despesas;
- simulações de investimento;
- comparação de produtos financeiros;
- cálculo de juros;
- e projeções de longo prazo.
“São funções importantes, que poupam tempo e aumentam a precisão”, destaca.
Embora a tecnologia seja eficiente na organização e análise de dados, a tomada de decisões financeiras ainda exige um olhar humano.
Segundo a planejadora financeira Ana Zucato, criadora da comunidade de IA para mulheres AImigas, é justamente nesse aspecto que está a principal diferença entre o uso da inteligência artificial e o acompanhamento profissional.
“A inteligência artificial entrega uma resposta matemática, baseada em dados. Já o profissional oferece empatia, acolhimento e uma visão personalizada da situação”.
O uso da inteligência artificial nas finanças também exige atenção à proteção de dados pessoais. Ao utilizar a IA, Marianna Gruden evita compartilhar informações sensíveis, como dados bancários, senhas e o nome de instituições financeiras.
“Em relação à origem e ao destino dos valores, procuro apresentar tudo de forma mais objetiva e pragmática”, enfatiza.
A prática é reforçada por Anna Fonseca: “Compartilhe o suficiente para obter orientação, mas nunca o suficiente para comprometer sua segurança”.
Preservar a segurança
Na hora de seguir as recomendações da ferramenta, também é necessário analisá-las com criticidade.
“A IA é muito moldável. A forma como escrevemos os comandos influencia diretamente as respostas que ela fornece e, muitas vezes, pode levar a recomendações que não são as mais adequadas para a nossa realidade naquele momento. Por isso, é importante sempre analisar as respostas. Afinal, quem conhece a nossa realidade financeira somos nós”, ressalta Isabel dos Santos.
Usada de forma consciente, a IA pode ampliar o acesso à educação financeira. Para Ana Zucato, a tecnologia não substitui o planejamento financeiro profissional, mas pode democratizar esse conhecimento:
“Na ausência de políticas públicas mais amplas e de orientação financeira gratuita, a inteligência artificial pode ser uma grande aliada. Quem aprender a usar essas ferramentas de forma consciente pode ter acesso a conhecimentos que antes não estavam ao seu alcance”.
* Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló


