EDUCAÇÃO
Formação debate inteligência artificial e adolescência em Camaçari
Programa reuniu gestores, coordenadores e professores da rede municipal


Gestores, coordenadores pedagógicos e professores dos anos finais do ensino fundamental da rede municipal de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, participaram, nesta sexta-feira, 24, da formação do Programa Escola das Adolescências. Realizado no Teatro Cidade do Saber (TCS), o evento foi dedicado ao fortalecimento das práticas pedagógicas e à reflexão sobre os novos cenários da educação.
No município, o programa atende unidades escolares da rede desde 2025, integrando a política nacional de apoio aos anos finais do ensino fundamental. As ações incluem formações continuadas, rodas de conversa, oficinas, escutas ativas e práticas pedagógicas que valorizam a participação dos estudantes na construção do ambiente escolar.
A programação contou com duas palestras que provocaram reflexões sobre temas centrais para a educação contemporânea. A professora da Coordenação de Ensino Fundamental da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), Gilbene Esquivel, apresentou a palestra “Clubes de Letramento: Leitura, Autoria e Protagonismo nas Adolescências”, abordando estratégias para estimular a leitura, a produção autoral e a participação ativa dos estudantes no cotidiano escolar.
“Quando o estudante percebe que sua leitura, sua escrita e suas experiências têm valor dentro da escola, ele se reconhece como sujeito da aprendizagem e amplia suas possibilidades de participação e transformação”, afirmou Gilbene.
Na sequência, o assessor especial para Inteligência Artificial na Educação da SEC, Iuri Rubim, conduziu a palestra “Entre Telas e Algoritmos: Adolescências em Tempos de IA”, propondo uma reflexão sobre a relação entre as transformações tecnológicas, a escola e as diferentes vivências da adolescência. Para o especialista, é necessário ampliar o olhar sobre os estudantes, reconhecendo-os para além da sala de aula e aproximando a escola das mudanças vividas pela sociedade.
“A inteligência artificial faz parte da realidade desses adolescentes e a escola precisa dialogar com esse contexto. Quando entendemos o estudante em toda a sua dimensão humana e aproximamos a aprendizagem das transformações do mundo, fortalecemos o vínculo com a escola e criamos ambientes mais saudáveis e favoráveis ao aprendizado”, pontuou.
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Tecnologia e protagonismo na sala de aula
De acordo com o secretário municipal de Educação, Márcio Neves, a formação marcou o início do ciclo de capacitações voltado diretamente aos professores da rede municipal, incorporando as discussões sobre inteligência artificial e acolhimento dos estudantes ao cotidiano das salas de aula.
“O trabalho iniciado no ano passado, com foco na formação de gestores e técnicos da Seduc [Secretaria Municipal de Educação], agora chega aos professores, fortalecendo essa política de forma contínua. Queremos uma escola que reconheça a voz do estudante, compreenda as transformações próprias da adolescência e potencialize seu desenvolvimento intelectual e socioemocional, dialogando também com os desafios trazidos pela inteligência artificial”, afirmou.
Para a coordenadora dos anos finais da Secretaria Municipal de Educação (Seduc), Lecilda Araújo, compreender as múltiplas dimensões da adolescência é essencial para transformar a prática educativa e aproximar a escola da realidade dos estudantes.
“Educar nos anos finais exige compreender quem é o adolescente de hoje e reconhecer seu protagonismo. Nosso compromisso não é proibir a tecnologia nem utilizá-la de forma indiscriminada, mas posicionar ferramentas como a inteligência artificial a serviço da cidadania, da emancipação e do pensamento crítico”, disse.
A programação também evidenciou o protagonismo estudantil desenvolvido na rede municipal. Estudantes dos clubes de ciências dos Centros Educacionais Maria Quitéria e Darcy Ribeiro, além da Escola Municipal Eustáquio Alves Santana, participaram da atividade representando projetos que vêm sendo desenvolvidos nas unidades.
Programa Escola das Adolescências
Lançado nacionalmente em 2024, o Programa Escola das Adolescências integra uma estratégia do Ministério da Educação (MEC) voltada ao fortalecimento dos anos finais do ensino fundamental. A política busca aproximar a escola das diferentes formas de viver a adolescência no Brasil, promovendo ambientes mais acolhedores e capazes de impulsionar o acesso, a permanência, o progresso escolar e o desenvolvimento integral dos estudantes.
Entre seus principais objetivos estão promover a colaboração entre União, estados, municípios e Distrito Federal para reduzir desigualdades educacionais; dialogar com os interesses, contextos e demandas dos adolescentes; potencializar seu desenvolvimento físico, emocional, intelectual, social e cultural; além de recompor aprendizagens como estratégia para reduzir a evasão e o abandono escolar.


