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Lojas de automóveis sentem peso da crise

Sylvia Verônica, do  A Tarde
Por Sylvia Verônica, do A Tarde
| Atualizada em

A crise financeira reduziu a oferta de crédito e está modificando as regras para o financiamento de veículos. A turbulência está provocando alterações constantes nas condições de pagamento, seja nos juros, que estão mais altos, ou nos prazos. A instabilidade decorrente do cenário de incertezas está afastando clientes das lojas em Salvador, onde algumas concessionárias registraram, no mês passado, redução de vendas da ordem de 25%.

Uma das mudanças é a escassez de planos de financiamento sem necessidade de entrada. Até mesmo os bancos das montadoras, que costumam oferecer condições mais vantajosas, estão pedindo, em média, pelo menos 10% de entrada. Esta exigência, combinada com a subida dos juros, está desanimando o consumidor. Os prazos ficaram mais estreitos. Já é grande a oferta de planos de pagamento de 12 meses. Ofertas deste tipo trazem taxas menores, mas elevam ainda mais o percentual de entrada.

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Ainda é possível encontrar planos de 60 meses, mas o peso dos juros aumentou o valor das parcelas. “O impacto grande foi na venda de novos populares, embora todos os perfis de consumo tenham sido atingidos. O comprador de carro popular quer, em geral, financiar o valor integral do veículo, não tem facilidade de conseguir um percentual de entrada”, afirma Hélio Pimenta, subgerente de vendas de uma concessionária Ford.

Um Ford Ka, por exemplo, pode ser adquirido por R$ 25.590, sem entrada e em 60 meses, mas com juros de 1,52% ao mês e parcela de R$ 699. Para conseguir uma taxa mensal de 0,69%, é necessário optar pelo pagamento em 12 meses, que exige entrada superior a 60%. Em concessionárias Fiat, os juros, que há pouco tempo flutuavam entre 1,12% e 1,15%, variam, atualmente, de 1,80% a 2,15% ao mês.

Cadastro - Os bancos estão mais rigorosos com o cadastro, exigindo renda maior para aprovação. “Profissionais autônomos, por exemplo, devem dar 50% de entrada. Antes, era possível conseguir crédito com 30%. As condições também estão mudando rápido. Antes, passava um mês com apenas uma tabela de planos. Agora, já tenho três só este mês”, ressalta Pedro Frederico, gerente de concessionária Fiat.

Luís Lopes, 31 anos, não conseguiu juntar dinheiro suficiente na poupança para dar 50% de entrada, como gostaria, antes mesmo da alta dos juros. Agora, o sonho do carro novo vai ter que esperar mais. “Estava pensando até em financiar todo o valor, quando isso era mais fácil. Pesquisei e vi que está muito difícil, os juros estão oscilando muito. Mas preciso do carro e acho que pagar em 48 meses dando 10% de entrada”, avalia Lopes.

O Banco Volkswagen adotou estratégia agressiva para não perder clientes. Manteve juros mais baixos que os do mercado e está oferecendo descontos de até R$ 6 mil. “Temos taxas a partir de 0,20% para toda a linha, em 60 meses. Sem entrada, só com cadastro muito bom. Mesmo com juros menores, acreditamos que haverá queda entre 10% e 15% nas vendas”, revela Petrônio Franklin, gerente de vendas. Ainda é possível comprar o novo Gol sem entrada, por R$ 29.240, em 60 meses, com juros de 1,84% e em parcelas de R$ 850.

As restrições também são maiores para veículos seminovos, e as concessionárias, como há dificuldade maior em vender, também têm comprado menos carros usados. O mês de novembro, e com ele a primeira parcela do 13º salário, são a aposta das concessionárias na melhoria do quadro.

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