ECONOMIA
Lojas do Nordeste se destacam nas encomendas de Natal

Grandes redes varejistas ampliaram em até 30% as encomendas de eletrodomésticos e eletrônicos para o Natal na comparação com a mesma data de 2005. Os volumes de pedidos que mais se destacam são das redes de lojas do Nordeste, especialmente as localizadas nas cidades do interior. A taxa de crescimento dos pedidos dessas redes chega a ser o dobro das varejistas do Sul do País.
Impulsionadas pelo aumento do salário mínimo e pela Bolsa-Família, as vendas prometem ser essencialmente populares. A estrela deste Natal deve ser o computador, em seus modelos mais baratos, que tomou a liderança do celular.
Pressões por aumentos de preços também não têm vez neste fim de ano, por causa do recuo do dólar em relação ao real e do crescimento das importações, que funcionam como uma alternativa de abastecimento para o varejo. Só nos bens de consumo, houve um acréscimo de 42,5% nas compras externas de janeiro a outubro, comparadas com igual período de 2005, informa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
As Lojas Maia, por exemplo, com 115 pontos-de-venda espalhados nos sete Estados do Nordeste, entre Ceará e Bahia, se preparou para vender neste Natal 15% a mais do que no ano passado, levando-se em conta o mesmo número de lojas.
?Boa parte da expansão se deve ao benefício da Bolsa-Família e ao reajuste do salário mínimo?, diz o diretor financeiro, Marcelo Maia. Ele destaca que o reajuste do mínimo tem um impacto visível nas cidades do interior, onde o ritmo de crescimento das vendas é superior ao das capitais. ?O salário mínimo é um balizador importante.?
?Realmente, o Nordeste está crescendo pouco mais do que as outras regiões do País?, confirma Patricio Mendizabal, presidente da Mabe, ao se referir às encomendas para o Natal. A empresa é a maior fabricante de eletrodomésticos da linha branca na América Latina. No Brasil, é dona das marcas Dako e GE, com fogões e geladeiras.
Já as Lojas Berlanda, com 70 pontos-de-venda no Sul, a maior parte em Santa Catarina, está cautelosa. Segundo seu diretor, Nilso Berlanda, a rede prevê um acréscimo de 8% nas vendas neste Natal em relação à mesma data de 2005.
?Estamos otimistas, porém cautelosos.? Tanto é que os pedidos serão colocados junto às indústrias só a partir do dia 10 deste mês. A diferença em relação ao ano passado é que a rede pretende receber as mercadorias durante o mês que vem. Em 2005, a varejista começou dezembro com toda a mercadoria no depósito. A cautela dos empresários do Sul reflete a perda de renda da população da região, afetada pela crise do agronegócio e do setor exportador calçadista.
Otimismo
Para Valdemir Colleone, supervisor-geral das Lojas Cem, com forte atuação no interior do Estado de São Paulo e sul de Minas Gerais, não há nada que indique que o Natal será ruim. Ele prevê que as vendas da empresa crescerão 30% em relação a 2005. É que desde setembro a rede registra esse aumento de vendas na comparação anual. Ele lembra também que a base de comparação, que é o segundo semestre do ano passado, é mais fraca.
Entre os fatores apontados pelo executivo para sustentar esse crescimento estão o reajuste do salário mínimo, a facilidade de crédito e os preços dos produtos em queda. Uma pesquisa feita pela empresa revela que os preços dos eletrodomésticos, eletroeletrônicos e dos móveis recuaram mais de 9% em 12 meses. No caso de itens de imagem e som, a queda foi de 25%.
A Rede Extra, do Grupo Pão de Açúcar, é outra que trabalha com a meta de ampliar em 30% as vendas de produtos não-alimentícios neste Natal na comparação com 2005.
As Casas Bahia, a maior varejista de eletroeletrônicos do País, prevêem um acréscimo de 25% nas vendas de dezembro. Segundo o diretor Administrativo e Financeiro da rede, Michael Klein, a empresa deve faturar em dezembro R$ 1,5 bilhão, ante R$ 1,2 bilhão no mesmo período de 2005. ?O consumidor está liquidando dívidas e vai voltar às compras?, prevê.