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Lula celebra tema de biocombustíveis na agenda global

Agencia Estado
Por Agencia Estado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou hoje, durante encerramento da primeira Conferência Internacional de Biocombustíveis, o fato de o tema da energia limpa ter ocupado um lugar de destaque na agenda global, diferentemente do cenário que encontrou nas reuniões do G-8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) realizadas respectivamente no Japão e na Itália.

Lula lembrou que, na reunião do G-8, nenhum dos participantes conseguiu explicar as razões pela qual o petróleo havia subido de US$ 30 para US$ 145 por barril, mais cedo neste ano. Segundo ele, naquele momento, foi muito simples culpar o crescimento da China e a expansão dos biocombustíveis no Brasil pela alta do preço dos alimentos quando a crise alimentar estava muito ligada à especulação nos contratos futuros de petróleo e de commodities (matérias-primas) agrícolas. "Na FAO, refutei as teses falaciosas que atribuíam ao biocombustível os problemas ambientais e o aumento dos preços dos alimentos", disse.

Para o presidente, a presença de delegações de 75 países na conferência é um sinal de que a visão sobre biocombustíveis mudou. "Os biocombustíveis estão longe de ser uma panacéia que resolverá todos os problemas do planeta, mas sua produção pressupõe o uso sustentável da terra disponível, respeitando o meio ambiente e o trabalhador", disse em seu discurso de encerramento. Lula disse também que a discussão sobre biocombustíveis não é apenas uma discussão sobre novas fontes de energia mas um debate sobre uma nova economia.

O presidente Lula lembrou que meses atrás o mundo estava voltado para a crise da alta dos preços dos alimentos e que, hoje, a crise financeira tem se mostrado muito mais devastadora. "Trata-se de uma oportunidade para que a comunidade internacional reveja suas prioridades", disse. Segundo ele, a atual conjuntura de crise não pode ocultar a fome, a pobreza e questões sobre meio ambiente e mudanças climáticas.

O presidente ressaltou que parte da alta dos preços dos alimentos atribuída à produção de biocombustíveis deve-se ao fato de que, nos últimos oito anos, o mundo vem consumindo seus estoques reguladores. Ele disse que, no caso do trigo, de 2000 a 2008, os estoques reguladores caíram de 207 milhões de toneladas para 136 milhões de toneladas. No caso do milho, a redução foi de 193 milhões de t para 112 milhões de t no mesmo período. Já o arroz teve seus estoques reguladores mundiais reduzidos de 143 milhões de t para 81 milhões de t. "A culpa é dos governos que não se preocuparam em manter seus estoques mesmo com o crescimento da demanda pelos países pobres".

Lula afirmou que a conferência que termina hoje é uma oportunidade de mostrar a todos os países as grandes transformações que o campo brasileiro sofreu em 30 anos com a produção de energia limpa, desde o início do programa de etanol nos anos 70. O presidente também afirmou que já recebeu o documento com o zoneamento agrícola para a produção de cana-de-açúcar e disse que não haverá plantio de cana na Amazônia.

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