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INADIMPLÊNCIA

Nome sujo em 2026? Quais créditos você perde e quais ainda consegue

Quase 81 milhões de pessoas estão inadimplentes no país

Carla Melo

Por Carla Melo

06/01/2026 - 12:04 h
Brasil ainda se destaca pelos juros elevados e maior rigor na análise de risco
Brasil ainda se destaca pelos juros elevados e maior rigor na análise de risco -

Nome negativado foi um dos maiores desafios para brasileiros que buscaram acesso ao crédito em 2025. Foram quase 81 milhões de pessoas que deixaram de cumprir com obrigações financeiras no país, somente no mês de novembro, conforme a Serasa Experian e da CNDL/SPC Brasil.

Esse panorama ainda continuará sendo empecilho em 2026, segundo apontam especialistas. Isso significa que há um impacto direto no score de crédito, indicador que mede o risco de inadimplência, e dificulta a aprovação de financiamentos, cartões e empréstimos.

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Paralelamente a isso, o Brasil ainda se destaca pelos juros elevados e maior rigor na análise de risco por parte dos bancos, dificultando ainda mais a acessibilidade ao crédito.

“O nome sujo continua funcionando como um filtro rígido no mercado de crédito. Mesmo após a quitação da dívida, o consumidor enfrenta juros mais altos, limites menores e maior dificuldade de aprovação”, explica Bruno Medeiros Durão, advogado tributarista e especialista em finanças.

Os advogados tributaristas Bruno Medeiros Durão, especialista em finanças, e Adriano de Almeida explicam quais tipos de crédito continuam bloqueados e quais ainda são acessíveis mesmo com restrição no CPF

Financiamento é o maior vilão

Entre os produtos mais impactados pela negativação estão os financiamentos imobiliários, de veículos e pessoais. Instituições financeiras costumam consultar o histórico completo do consumidor, e a existência de restrição ativa no CPF geralmente leva à recusa automática ou à exigência de garantias adicionais, como fiador ou entrada elevada.

Segundo especialistas do setor, em 2026, as chances de aprovação para negativados caem em até 70%, especialmente após o endurecimento das políticas de crédito alinhadas às diretrizes do Banco Central.

Além da negativação, fatores como comprometimento de renda acima de 30%, existência de outros financiamentos ativos e ausência de valor de entrada também pesam contra o consumidor.

Cartão de crédito costuma ser negado

O cartão de crédito é outro produto fortemente impactado pelo nome sujo. Por envolver risco sem garantia real, a maioria das instituições financeiras nega a concessão de novos cartões para consumidores negativados.

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Há alternativas no mercado, como cartões pré-pagos ou com limite reduzido oferecidos por fintechs, mas essas opções costumam ter custos mais elevados, com juros do rotativo que podem ultrapassar 15% ao mês, além de tarifas e anuidades. “Mesmo quando o cartão é aprovado, as condições costumam ser piores. O histórico negativo influencia diretamente o custo do crédito”, explica Adriano de Almeida, advogado tributarista.

Consignado segue como exceção

O empréstimo consignado permanece como a principal exceção para quem está com o nome sujo. Como as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário, o risco de inadimplência é menor para o banco.

Em 2026, trabalhadores CLT, aposentados e servidores públicos podem contratar consignado mesmo com restrição no CPF, desde que tenham margem consignável disponível, que pode chegar a até 45% da renda, conforme regras do INSS e do Ministério do Trabalho. “Como o desconto é feito direto na folha ou no benefício, o risco é menor, o que permite crédito mesmo para quem está negativado”, afirma Adriano de Almeida.

Os juros do consignado costumam variar entre 1,5% e 2,5% ao mês, abaixo de outras modalidades, mas especialistas alertam para o risco de comprometer excessivamente a renda mensal.

Inadimplência bate recorde no país

O recorde de inadimplência reflete uma combinação de fatores, como custo de vida elevado, renda pressionada e uso excessivo de crédito caro, especialmente cartão e cheque especial.

O grupo mais afetado é o de pessoas entre 41 e 60 anos, seguido por adultos de 26 a 40 anos, faixas etárias economicamente ativas e mais expostas ao endividamento. “Hoje, grande parte dos inadimplentes tem renda, mas perdeu capacidade de pagamento ao longo do tempo, acumulando dívidas com juros altos”, avalia Bruno Durão.

O que fazer se estiver com o nome sujo?

  • Consulte gratuitamente seu CPF nos sites da Serasa ou do SPC Brasil
  • Priorize a quitação de dívidas com juros mais altos
  • Aproveite mutirões de renegociação, que oferecem descontos de até 90%
  • Use empréstimos, como o consignado, apenas para organizar dívidas, não para aumentar gastos
  • Acompanhe seu score de crédito regularmente

A expectativa é que, ao longo de 2026, os programas de renegociação ganhem força com a estabilização dos juros. Ainda assim, especialistas reforçam que planejamento financeiro e uso consciente do crédito são fundamentais para sair da inadimplência e evitar o retorno ao nome sujo.

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Tags:

acesso ao crédito empréstimo consignado financiamentos inadimplência nome negativado score de crédito

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