ECONOMIA
Presidente do BC não quer ser reconduzido ao cargo
Campos Neto afirmou que é contra a recondução; seu mandato termina em 2024.


Lei de autonomia do Banco Central, aprovada em 2021, prevê que o presidente da instituição pode ser reconduzido ao cargo uma única vez, por igual período. Mas o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira, 18, que não pretende permanecer no cargo após o fim do seu mandato, em 2024. A declaração foi feita por Campos Neto durante palestra organizada pelo banco BTG.
"Eu fui contra a recondução, tentei tirar do projeto. Acho que a recondução não é saudável, pois cria uma fragilidade no meio do mandato: um presidente do BC interessado em ser reconduzido no meio do mandato. A resposta é não [aceitaria ficar]. Se dependesse só de mim, não teria recondução na lei de autonomia", disse Campos Neto.
Pelas regras, há um mandato de quatro anos para o presidente do BC e os demais diretores. Esse mandato não coincide com o da presidência da República. O presidente do Banco Central assume o cargo no primeiro dia do terceiro ano do mandato do chefe do Poder Executivo.
Inflação e juros
Na palestra, o presidente do BC afirmou que a inflação "parece estar atingindo o pico em vários lugares [do mundo], em alguns com uma desaceleração lenta".
Ele lembrou que a dinâmica da inflação no Brasil melhorou, neste ano, com a adoção de medidas por parte do governo e do Congresso Nacional de redução dos preços de combustíveis e de energia elétrica. Observou, porém, que essas mesmas medidas também transferiram parte das pressões inflacionárias para 2023.
Aumento de gastos
Campos Neto voltou a afirmar que a política sobre gastos públicos será um desafio imediato para o presidente da República que ganhar as eleições neste ano.
"Qualquer um que sente na cadeira, vai ter um desafio imediato grande de olhar para o social e para a estabilidade da dívida. Há uma preocupação sobre as medidas [de elevação de gastos, como o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600], como vai ser financiado", declarou.
Segundo ele, há uma incerteza no mercado financeiro sobre se o país conseguirá equilibrar dívida com medidas sociais.
"O fiscal [política para as contas públicas] é sempre crucial, o Brasil sempre fala sobre o fiscal. O Brasil sempre está em perigo, há sempre algum problema com o fiscal. É um 'flash back'. A gente tem de colocar em perspectiva, vai ser desafiador de fazer essa gestão de olhar para o social e para o equilíbrio da dívida ao mesmo tempo", concluiu.