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Spread explica maior juro cobrado no rotativo e no crédito parcelado, diz BC

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro | Estadão Conteúdo
Por Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro | Estadão Conteúdo
| Atualizada em

A poucas semanas da mudança no funcionamento do cartão de crédito em abril, o Banco Central anunciou nesta manhã que bancos voltaram a aumentar o juro cobrado no rotativo e no crédito parcelado. O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, explicou que o movimento foi gerado pela elevação da margem dos bancos, o chamado spread, o que reflete o perfil do cliente que usa esse dinheiro e a composição do crédito oferecido pelos bancos.

"Entendo que as mudanças das taxas de juros estejam refletindo o spread e também o perfil de tomadores. No caso do cartão, não temos informações sobre o perfil do tomador", disse Maciel, ao ser questionado sobre o aumento do juro nessa operação em um ambiente de queda da taxa Selic e redução da inadimplência. Para o técnico, bancos aumentam o spread como resultado da mudança dos créditos concedidos - com maior peso de operações mais arriscadas - e mudança no perfil dos tomadores - também com maior risco ao banco.

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Operações mais arriscadas para um banco são aquelas com menos garantias. Um financiamento imobiliário, por exemplo, é um crédito mais seguro para o banco porque o imóvel é a garantia em caso de calote. Já o risco de oferecer crédito rotativo ou cheque especial é muito maior porque não há ativos a serem dados como garantia.

Já o perfil do tomador é uma informação atribuída pelos bancos à capacidade de pagamento de cada cliente. Quanto maior a capacidade financeira, melhor é a nota do consumidor e, assim, menor será o juro cobrado porque a operação tende a ser menos arriscada. Por outro lado, quando a capacidade financeira é pior, o perfil do cliente é ruim e bancos cobram juros maiores.

O técnico do BC lembrou ainda que a taxa de captação dos bancos - custo das instituições para tomar dinheiro no mercado - caiu em janeiro. Ou seja, isso não explica o aumento do juro ao consumidor.

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