PREÇO NAS ALTURAS
Subsídio ao diesel não terá impacto direto na bomba, alerta sindicato
Sindicombustíveis diz que medida não surtirá efeito na Bahia

A adesão do Governo da Bahia ao subsídio oferecido pelo Governo Federal que busca conter o avanço no preço do diesel, diante da crise internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio, não deve ter impacto direto nas bombas dos postos.
“É importante esclarecer que o subsídio anunciado, de R$ 1,20 por litro sobre o diesel importado, não se refletirá diretamente em uma redução de R$ 1,20 no preço da bomba. O impacto real deve ser proporcional ao diesel importado, que, atualmente, representa aproximadamente 25% do volume comercializado no mercado nacional’, explica o presidente do Sindicombustíveis Bahia, Glauco Alves Mendes.
O Sindicombustíveis Bahia explica que as distribuidoras não compram 100% do diesel com essa nova condição tributária, e as grandes distribuidoras de combustíveis decidiram não participar do programa de subvenção ao preço do diesel.
O Sindicato reforça que o prazo de inscrição para receber subvenção pelas vendas em março se encerrou na terça-feira, 31,, sem a participação das três maiores distribuidoras do setor, responsáveis por metade das importações privadas do combustível que são a Vibra, Ipiranga e Raízen.
Para o Sindicato é necessário esclarecer que:
- O posto não compra da Refinaria de Mataripe (Acelen);
- O posto não compra de importadores;
- O posto não mistura biodiesel ao diesel;
- Tudo isso é feito pelas distribuidoras.
“O posto é o último elo da cadeia de produção e comercialização. Apenas revende. O cenário que vivenciamos hoje é complexo e precisa ser tratado com responsabilidade.
Deve-se analisar toda a cadeia, do poço ao posto, e não transferir a responsabilidade para o último elo. O que não podemos aceitar é culpar o revendedor que não forma preço e não define custos. Enquanto houver instabilidade internacional e restrição de oferta, os efeitos continuam mesmo após o fim do conflito”, alertou Glauco Mendes.
Leia Também:
Qual o plano do governo?
A proposta, apresentada na semana passada pelo Ministério da Fazenda, prevê um subsídio de até R$ 1,20 por litro de diesel para os importadores, dividido entre o governo federal e os estados.
Ou seja, funcionará da seguinte forma:
- O governo federal pagará R$ 0,60
- O governo estadual pagará R$ 0,60
O governo federal chegou a apresentar uma proposta de zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre a importação do combustível, mas ela foi rejeitada pela maior parte dos estados.
Por que conter a alta do diesel é tão emergente?
No Brasil, cerca de 65% de toda a carga transportada passa pelas rodovias. Como o diesel é o combustível que movimenta os caminhões, o valor está diretamente ligado ao custo final da maioria dos alimentos consumidos no país.
Quando o preço do diesel cai ou se mantém estável, o custo do frete tende a acompanhar essa tendência, segundo explicou o vice-presidente de desenvolvimento profissional do conselho de contabilidade, André Luis Barbosa, ao Portal A TARDE.
Conter a alta do combustível é importante porque reduz a pressão sobre o setor produtivo e permite que alimentos e produtos essenciais cheguem às prateleiras com preços mais competitivos.
"Como o diesel é utilizado em caminhões, ônibus, transporte de mercadorias e transporte público, o subsídio ajuda a reduzir a pressão sobre o preço das passagens e evita que o frete fique mais caro, diminuindo também a chance de aumento de alimentos e de outros produtos em geral", explica.
Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.
Participe também do nosso canal no WhatsApp.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
Siga nossas redes




