ECONOMIA
Tradicional rede de farmácias decreta falência após dívida milionária
Rede que já esteve entre as maiores do varejo farmacêutico


Uma das redes de farmácias mais tradicionais do país teve a falência decretada pela Justiça após anos enfrentando dificuldades financeiras, fechamento de lojas e disputas judiciais com credores e ex-funcionários. A decisão coloca um ponto final na trajetória da Drogaria São Bento, que já figurou entre as maiores empresas do varejo farmacêutico nacional.
A medida, publicada na última quinta-feira, 14, também envolve a Transmed Distribuidora de Medicamentos, ligada à operação logística do grupo.
Os processos tramitavam na Vara de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, sob administração da Cury Administradora Judicial.
Rede nasceu nos anos 1940 e virou referência
Fundada em 1940 por Adib Assef Buainain, a Drogaria São Bento começou como uma farmácia independente em Campo Grande, na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Marechal Cândido Mariano Rondon.
Ao longo dos anos, a empresa expandiu operações e chegou a atuar em 23 municípios sul-mato-grossenses, acumulando cerca de 90 unidades.
A companhia também ganhou destaque nacional. Segundo rankings da Abrafarma, o melhor desempenho ocorreu em 2008, quando a rede alcançou a 18ª posição em faturamento e a 11ª colocação em número de lojas entre as maiores do setor no Brasil.
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Recuperação judicial começou em 2015
A crise financeira ganhou força em 2015, quando a empresa entrou com pedido de recuperação judicial acumulando quase R$ 74 milhões em dívidas.
Na época, a varejista alegou que investimentos realizados em estrutura e tecnologia acabaram comprometendo a capacidade financeira do grupo.
O plano de recuperação foi aprovado em 2021. Segundo a defesa da empresa, naquele momento a rede possuía 1.359 credores envolvidos no processo.
Últimas lojas fecharam em 2022
Mesmo após a recuperação judicial, a situação financeira continuou se agravando. As duas últimas unidades da rede, localizadas na Avenida Guaicurus e na Rua Ceará, em Campo Grande, encerraram as atividades em 2022.
Naquele período, o endividamento consolidado já chegava a R$ 88 milhões.
Além das empresas do grupo, propriedades rurais ligadas aos proprietários também passaram a integrar o processo judicial. As fazendas foram levadas a leilão como forma de ajudar na quitação de débitos trabalhistas.
Fazendas milionárias foram leiloadas
Em julho de 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região rejeitou um pedido para anular a venda das propriedades rurais pertencentes ao Grupo Buainain.
As áreas, avaliadas em R$ 23,6 milhões, somam mais de 1,2 mil hectares e estão localizadas nos municípios de Camapuã e Bandeirantes, em Mato Grosso do Sul.
Ex-funcionários ainda aguardavam pagamentos
Mesmo após o encerramento total das atividades, antigos funcionários continuaram enfrentando dificuldades para receber valores reconhecidos judicialmente.
Em um dos casos citados no processo, uma ex-colaboradora afirmou aguardar desde 2019 o pagamento de R$ 28 mil referentes a verbas trabalhistas após uma demissão sem justa causa.
Segundo o relato, ela venceu a ação judicial, mas a empresa alegava não possuir recursos financeiros para quitar a dívida.


