EDUCAÇÃO
Estudantes de Camaçari apresentam projeto sobre preservação do Rio Joanes
Projeto une ciência, educação ambiental e protagonismo estudantil


Os estudantes da Escola Municipal Eustáquio Alves Santana, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, se destacaram durante a Feira de Municípios e Mostra de Iniciação Científica (FEMMIC), ao apresentarem o projeto “Joanes em Jogo: Ciência em Defesa do Rio Joanes”.
A iniciativa uniu investigação científica, educação ambiental e participação comunitária por meio da criação de um jogo de tabuleiro educativo voltado à valorização ambiental e social do Rio Joanes.
A FEMMIC foi realizada entre os dias 26 e 28 de maio, no Campus Catu do Instituto Federal Baiano (IF Baiano). O evento reuniu estudantes do ensino fundamental ao superior para apresentação de pesquisas e projetos de inovação tecnológica. Nesta edição, o tema escolhido foi “Alfabetização Oceânica”, alinhado à proposta nacional da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2025.
Leia Também:
Desenvolvido na unidade escolar, através do programa Mais Ciência na Escola, o projeto foi orientado pela professora de Ciências Jane Lordelo Peneluc Souza. Segundo a docente, o principal objetivo pedagógico foi aproximar os estudantes da importância e dos desafios relacionados ao Rio Joanes, estimulando a investigação científica, o pensamento crítico e a conscientização ambiental.
“Buscamos promover a educação científica por meio da pesquisa, que resultou na criação do jogo de tabuleiro ‘Joanes em Jogo’. O projeto aproximou os estudantes da realidade da comunidade e mostrou que eles também podem produzir conhecimento”, afirmou Jane.
Durante a pesquisa, os alunos realizaram levantamento bibliográfico, visitas ao laboratório da Universidade Federal da Bahia (UFBA), registros fotográficos e entrevistas com moradores e pescadores da comunidade de Parafuso. O envolvimento dos estudantes ocorreu em todas as etapas do processo, desde os estudos sobre o rio até a construção do jogo educativo.
“O envolvimento foi muito positivo. Eles participaram ativamente das entrevistas, das atividades de campo, da organização das informações e da elaboração do jogo. Demonstraram entusiasmo e compromisso, principalmente por perceberem que estavam investigando um problema que afeta diretamente a comunidade onde vivem”, destacou a professora.

Joseph Aylon Figueiredo dos Santos, de 12 anos, estudante do 7º ano da Escola Municipal Eustáquio Alves Santana, participa do Clube de Ciências e atua como monitor do programa Mais Ciência na Escola. Segundo o estudante, o projeto trouxe novos aprendizados e despertou ainda mais a preocupação com a preservação ambiental.
“Eu também ajudei a criar o projeto e foi uma experiência muito boa, porque consegui aprender mais sobre as espécies de peixes, sobre a preservação e sobre tudo o que o Rio Joanes tem para nos oferecer. Também percebi a quantidade de lixo jogada no rio, algo que antes eu não observava tanto. Esse trabalho foi muito importante para eu entender melhor a realidade do rio e pensar sobre a necessidade de preservá-lo”, afirmou.
O estudante destacou ainda que participar da FEMMIC foi uma experiência marcante e inspiradora. “Foi muito legal e maravilhoso participar das palestras sobre os oceanos. Fiquei com vontade de fazer a mesma coisa no rio também. É muito importante para mim apresentar o projeto e saber que eu consigo”, disse.
Inspirado pelas atividades científicas do evento, Joseph contou que deseja continuar atuando em ações ambientais no futuro. “Eu queria fazer algo parecido com o trabalho da pesquisadora da USP que deu a palestra. Tenho vontade de montar uma equipe para ajudar a limpar o rio e conscientizar as pessoas para não poluírem mais”, concluiu.
A participação na FEMMIC também contribuiu para o desenvolvimento de habilidades como oralidade, escrita, argumentação, comunicação, criatividade e trabalho em equipe.
De acordo com Jane Lordelo, os estudantes passaram a demonstrar mais confiança para apresentar ideias e dialogar com diferentes públicos durante as feiras científicas. “No ensino municipal, a iniciação científica é fundamental porque desperta a curiosidade, incentiva a autonomia e mostra aos estudantes que eles podem propor soluções para problemas da própria comunidade”, ressaltou.
O projeto também fortaleceu a parceria entre escola, famílias e instituições locais, assegurando a educação como instrumento de transformação social e conscientização ambiental.


