Busca interna do iBahia
HOME > EDUCAÇÃO
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

EDUCAÇÃO EMOCIONAL

Projeto em Salvador ajuda pais a fortalecer saúde emocional dos filhos

Especialista destacou a importância da escuta ativa e do apoio familiar

Loren Beatriz Sousa

Por Loren Beatriz Sousa

02/04/2026 - 15:30 h | Atualizada em 02/04/2026 - 16:00

Siga o A TARDE no Google

Google icon
Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente seguros”
Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente seguros” -

O aumento nos casos de sintomatologia depressiva e ansiosa entre estudantes brasileiros têm acendido um alerta entre especialistas, escolas e famílias. Um levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou o crescimento de sentimentos persistentes de tristeza e perda de interesse pela vida, principalmente entre meninas.

Os dados fazem parte da 5ª edição da pesquisa, referente a 2024, e foram divulgados em março de 2026. O estudo foi realizado em parceria com os ministérios da Saúde e Educação.

Tudo sobre Educação em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

Leia Também:

Outro dado preocupante veio do Ministério da Saúde. Em 2025, a pasta informou que os atendimentos relacionados a transtornos de ansiedade no Sistema Único de Saúde (SUS) entre crianças de 10 a 14 anos cresceram quase 2.500% entre 2014 e 2024, saltando de 1.850 para mais de 24 mil atendimentos no período.

Entre adolescentes de 15 a 19 anos, o aumento foi ainda maior: de mais de 3.300%, saltando de 1.534 atendimentos, em 2014, para 53.514 em 2024.

Programa em Salvador aposta no diálogo familiar

Diante desse cenário, iniciativas voltadas ao fortalecimento da saúde emocional têm ganhado espaço. Em Salvador, a advogada, mentora e palestrante Paula Zarife desenvolveu o programa “Como criar filhos emocionalmente seguros”, direcionado a mães, pais e responsáveis.

A iniciativa surgiu após a profissional perceber dificuldades emocionais tanto em adultos quanto na relação entre pais e filhos.

“Quando recebi o convite para palestrar em uma escola, eu associei a duas coisas que estava acompanhando muito de perto no meu trabalho: muitos adultos emocionalmente inseguros e com a autoestima fragilizada e muitas mães com muita dificuldade de diálogo e de compreensão com seus filhos. Então, elaborei a palestra ‘Como criar filhas com autoestima’, mas acabei desenvolvendo algo maior: ‘Como criar filhos emocionalmente seguros’, um programa com dois encontros, mais uma mentoria individual ou em grupo para pais”, explicou.

Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente
Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente | Foto: Divulgação/Affonso Fontoura

Segundo ela, o objetivo não é substituir a terapia, mas promover reflexão e mudança de postura dentro das famílias.

“A proposta é abrir um espaço de reflexão acessível. É um convite de aproximação e reflexão para que pais e mães entendam como suas palavras, atitudes e, principalmente, a forma de se comunicar dentro de casa impactam diretamente a construção emocional dos filhos, porque a voz que uma criança escuta em casa se transforma na voz interna que ela vai carregar pela vida”, destacou.

Principais desafios

Durante os encontros, a especialista aponta desafios recorrentes como:

  • Falta de comunicação familiar;
  • Cobranças excessivas;
  • Comparações entre crianças;
  • Projeção de expectativas dos pais nos filhos.

Leia Também:

Segundo Paula, esses fatores podem afetar não apenas a infância, mas também a vida adulta.

“Toda essa falta de comunicação ou essa comunicação pouco conturbada entre pais e filhos, além de prejudicar muito a relação com esses adolescentes e crianças, prejudicam muito a fase adulta deles”, afirmou.

O programa é dividido em dois encontros principais

Encontro 1 - Criando filhos com autoestima

  • Como a autoestima se forma na infância e adolescência;
  • Impacto das palavras dos pais;
  • Comparação e excesso de cobrança;
  • Atitudes que fortalecem a segurança emocional dos filhos.

Encontro 2 - Comunicação saudável entre pais e filhos

  • Por que pais e filhos muitas vezes não se entendem;
  • Importância da escuta e da empatia;
  • Como orientar sem ferir emocionalmente;
  • Estratégias para melhorar o diálogo no cotidiano da família.

“Eu trago esse olhar não só como profissional, mas também como mãe, com uma vivência muito consciente sobre a construção emocional do meu filho, Eduardo Zarife, hoje com 6 anos, o meu grande presente”, disse.

Redes sociais e pressão estética

A pesquisa do IBGE também revelou que adolescentes estão cada vez menos satisfeitos com o próprio corpo. Entre estudantes de 13 a 17 anos:

  • 58% se disseram satisfeitos com a aparência;
  • 27,2% relataram insatisfação;
  • 14% declararam indiferença.

Para Paula, o uso excessivo das redes sociais tem forte influência nesse cenário.

“Hoje as crianças e adolescentes se comparam a milhões de pessoas todos os dias porque estão vivendo em uma geração de rede social. Eles vivem com uma porta aberta gigante todos os dias, dizendo para aqueles meninos e meninas que eles não são bonitos e interessantes o suficiente. É sempre uma propaganda de afinar o nariz, aumentar a boca, usar o produto x, o cabelo bonito é este. Essa geração de filtros, de padrões de beleza irreais afeta muito essas crianças e adolescentes hoje”, alertou.

Mães relatam mudanças após participação

A médica Rebeca Santos Lopes contou que a experiência ajudou até na forma como ela enxerga sua própria história emocional. “A palestra me fez lembrar da minha menina (eu) e minhas dificuldades em dizer não, nas comparações, auto-cobranças, coisas que eu desejo que estejam melhores fundamentadas na vida de minha filha”, relatou.

A fisioterapeuta Carolina Daltro também destacou mudanças na comunicação com o filho. “O que mudou com o meu filho foi essa questão de, às vezes, comentar com ele: ‘ah, eu faço tudo por você’. ‘Eu deixo de fazer coisas minhas para estar com você’. E você [mãe] responde dessa forma mais irritada. Então, o que me marcou foi ela [Paula] falar isso, para a gente não jogar os nossos pesos, porque se a gente estivesse bem, a gente não falaria isso”.

Como participar

O programa “Como criar filhos emocionalmente seguros” é voltado a escolas, empresas, instituições e famílias interessadas em fortalecer o diálogo e a saúde emocional no ambiente familiar.

Leia Também:

Os encontros podem acontecer de forma presencial ou online, com acompanhamento individual ou em grupo.

Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram @paulazarife.

Onde buscar ajuda emocional gratuita

Especialistas também reforçam a importância da divulgação dos canais gratuitos de apoio emocional.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

Bahia Educação Saúde

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente seguros”
Play

Vereador destaca impacto do Concurso Jovem Jornalista na educação baiana

Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente seguros”
Play

Conselheiro do TCE parabeniza e propõe homenagem ao Grupo A TARDE

Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente seguros”
Play

Expectativa e tensão: pais fazem vigília à espera de filhos em prova do Enem

Paula Zarife é a idealizadora do programa “Como criar filhos emocionalmente seguros”
Play

Webinar debate educação, mineração e sustentabilidade nesta quarta

x