CCJJ 2026
Talentos são reverenciados no palco do Concurso Cultural Jovem Jornalista
Celebração destaca talentos da rede pública na Bahia


Repleto de aplausos e histórias vindas de todos os cantos da Bahia, o Teatro Sesc Casa do Comércio recebeu a celebração do Concurso Cultural Jovem Jornalista (CCJJ), promovido pelo Programa A TARDE Educação do Grupo A TARDE, que exaltou o talento de jovens da rede pública de ensino.
Sob o tema “De onde eu venho, escrevo: histórias e leituras do meu lugar no mundo”, dezenas de estudantes transformaram suas vivências e territórios em tirinhas, videorreportagens, artigos de opinião e crônicas. Na última quarta-feira (30), doze deles, acompanhados de seus professores orientadores, tiveram seus trabalhos reconhecidos na Premiação do CCJJ 2026. No encerramento, houve coquetel de confraternização, seguido por show de Ton Santos.
"Hoje, ao olharmos para esses estudantes e tudo que produziram, enxergamos vozes, histórias, experiências e diferentes formas de compreender o mundo", explicou a gerente executiva do A TARDE Educação, Andréa Silveira, na abertura da premiação.
Em 2026, o CCJJ teve um significado ainda mais especial, pois este é o ano em que o A TARDE Educação completou 30 anos. "Ao longo desse tempo, surgiram novas tecnologias, linguagens, formas de ensinar e aprender, as quais o A TARDE Educação acompanhou. Acreditamos na comunicação como ferramenta pedagógica e a autoria como instrumento de formação. E o CCJJ materializa isso", afirmou.
Conduzida pela jornalista Jéssica Senra e pela personagem Koanza - interpretada pelo ator e humorista Sulivã Bispo - que, juntos, assumiram com leveza e humor o papel de mestres de cerimônia.
A premiação ainda contou com o talento da Camerata Joana Angélica, grupo que integra os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBA) e que emocionou o público com sua apresentação.
Logo depois a premiação teve início, com os finalistas de cada categoria:
- Tirinhas para estudantes do Ensino Fundamental
- Videorreportagem para o Ensino Fundamental
- Artigo de opinião para o Ensino Médio
- Crônica para a Educação de Jovens e Adultos (EJA)
"É uma noite de celebração, um momento em que materializamos algo muito importante para o Grupo A TARDE, porque legitima a nossa história e nos dá força para continuar escrevendo por mais 100 anos", afirmou o presidente do Grupo A TARDE, João Mello Leitão, apontando que o Programa A TARDE Educação tem tido um protagonismo ímpar nessa trajetória. "Mostrando que estamos impactando socialmente, fazendo a diferença e oferecendo oportunidades para que pessoas ampliem seu aprendizado e transformem suas vidas. A educação tem reflexo direto na capacidade humana, e saber que contribuímos nesse campo nos dá tranquilidade para seguir construindo essa história", garantiu.

Além de reconhecer a produção dos estudantes, o concurso também valorizou o papel dos professores orientadores que acompanharam o desenvolvimento dos trabalhos.
"O processo de construção do texto foi especial, porque ele redescobriu a relação com os pais e passou a enxergar sua própria história de outra forma. Foi bonito perceber que sua história, marcada por separação, atrai o olhar de outras pessoas justamente por ser real", afirmou a vice-diretora do Colégio Estadual do Integral de Catu, Jeane Chian, que orientou o vencedor da categoria artigo de opinião, Kauan Teillon de Jesus Santos (16).
"Resolvi falar sobre a minha vida e a dos meus pais, que são deficientes auditivos. Achei que seria uma história bonita, tocante. Foram quase três meses escrevendo, mudando, reescrevendo", confessou Kauan.

Quem também fez e refez o projeto foi a Isabella Oliveira Gonçalves Santos (11), da Escola Municipal Arlindo Ribeiro de Almeida, também em Catu. Vencedora da categoria Tirinha, ela contou que achou tão difícil fazer as tirinhas, mas teve muitas ideias e escolher apenas uma deu trabalho. "Quando soube que estava entre as finalistas, foi um susto, nem acreditei", afirmou Isabella, rindo.
Orientadora de Isabella, a professora Geisiane Silva Araújo contou que ficou muito empolgada e se esforçou para que seus alunos participassem.
"Durante a produção, os alunos se imaginaram naquele palco e acreditaram de verdade. Eu incentivei, envolvi os pais, mudei regulamentos no grupo e mais da metade do meu turno participou. Isabella, em especial, tem facilidade para escrever e se expressar, e isso tornou o processo ainda mais rico", afirmou.

E esse interesse dos alunos cresce a partir do trabalho em conjunto da rede pública de ensino.
"A nossa parceria com o Jornal A TARDE, que tem sido fundamental para fortalecer a agenda de aprendizagem em mais de 40 municípios. É um reflexo dos princípios de um governo que aposta no regime de colaboração e celebra os avanços da educação na Bahia, como a melhoria nos indicadores da alfabetização na idade certa. O CCJJ é parte desse movimento e mostra que a educação é a principal ferramenta de transformação", afirmou o titular da Secretária de Educação do Estado da Bahia (Sec), Marcius Gomes.

Uma ferramenta que a mãe e aluna do EJA da Escola Municipal Cláudio Veiga (Salvador), Daniele Cristina Santos Bonfim da Hora (33), tem usado e se apaixonado. Vencedora da categoria crônica, ela explicou que ficou cerca de 13 anos sem estudar até ser incentivada pela sogra - só este ano, o CCJJ já é o segundo prêmio que ela ganha.
"Hoje, meus filhos são minha maior inspiração. Eles estudam sem que eu precise forçá-los e sempre digo que quero ser como eles", afirmou. Daniele se emocionou muito ao subir no palco, assim como sua professora orientadora, Cátia Valentina Góis.
"Temos na nossa literatura contemporânea a experiência de Conceição Evaristo, que propõe a escrevivência, e isso inspira muito o trabalho com os alunos da EJA, que são historicamente excluídos. Quando despertamos neles a capacidade de transformar em texto suas experiências cotidianas como jovens trabalhadores que enfrentam longas jornadas e ainda buscam formação à noite, estamos dando voz a sujeitos que tiveram seus direitos negados. É fazer da linguagem um instrumento de autoconhecimento, afirmação de identidade e consciência histórica", afirmou a professora.

Professor de teatro e orientador da Eloisa Almeida dos Santos (11), aluna do Centro Educacional Normelio Moura da Costa (Dias d'Ávila) e vencedora da categoria videorreportagem, Miguel de Jesus Júnior conta que eles fizeram entrevistas, construíram o roteiro juntos e chamaram outras pessoas para ajudar na produção.
"Foi um trabalho coletivo que mostrou a força e a criatividade dos alunos. Estou muito feliz por termos ganhado", salientou o professor. Já Eloisa garantiu que a experiência foi única. "Achei o tema fácil e bom de trabalhar, pois falei sobre mim e a influência da minha cidade. Foi uma experiência incrível”, garantiu a jovem.




