CÁLCULOS
Entenda como vai funcionar o quociente eleitoral e partidário em 2026
Sistema proporcional exige atenção dos candidatos e eleitores



A contagem dos votos é um dos momentos mais esperados e tensos das eleições. O suspense para saber quem foi eleito toma conta dos eleitores, das equipes de campanha e, claro, dos candidatos.
Apesar de toda a ansiedade, ainda é necessário um pouco de frieza para entender melhor os números finais do pleito e saber quem de fato saiu vitorioso da disputa. Isso porque nem sempre quem conseguiu mais votos necessariamente será eleito.
Diferentemente da eleição para os cargos de presidente, governador, prefeito e senador, quando ganha quem teve mais votos, a obtenção do resultado do pleito para ocupações do legislativo, como deputado federal, estadual e vereador, depende de dois cálculos complexos.
O sistema proporcional adotado no Brasil visa dar espaço às diversas correntes de pensamento nos parlamentos municipais, estaduais e na Câmara dos Deputados, representando um recorte da sociedade e a forma encontrada para isso são os chamados quociente eleitoral e quociente partidário.
Diferença entre quociente eleitoral e partidário
O quociente eleitoral é calculado dividindo-se a quantidade de votos válidos para determinado cargo pelo número de vagas para aquele cargo.
Nas eleições de 2022 para deputado federal na Bahia, por exemplo, o total de votos válidos foi de 7.958.431. Dividido por 39 (quantidade de vagas), resultou no quociente eleitoral de 204.062.
Já o quociente partidário é a fórmula que define o número de vagas a que cada partido terá direito. Esse cálculo é feito dividindo-se a quantidade de votos válidos para determinado partido ou federação pelo quociente eleitoral.
Há quatro anos, a Federação Brasil da Esperança (PT/PC do B/PV) obteve 1.761.003 votos válidos, sendo a composição mais bem votada naquele pleito na disputa pela Câmara dos Deputados no estado. A divisão deste número pelo quociente eleitoral (204.062) resulta em 8,6. Desprezando as casas decimais, a quantidade de deputados federais eleitos pela federação foi de oito parlamentares.
Sobra de vagas
Se após todos esses cálculos ainda sobrarem vagas elas são distribuídas entre os partidos com melhor desempenho. Dessa forma, assumem os cargos os candidatos mais votados de cada legenda.
Nas sobras, a Federação Brasil da Esperança ainda conseguiu mais duas cadeiras, totalizando 10 candidatos eleitos.
Veja o quadro da disputa para a Câmara dos Deputados na Bahia em 2022:

Bem votados, mas derrotados
Um caso recente e emblemático de candidato que obteve grande quantidade de votos, mas não foi eleito ocorreu em Feira de Santana. Na eleição de 2024, o vereador e candidato à reeleição Jhonatas Monteiro (PSOL), apesar de ter sido o candidato mais votado na história das eleições do município, com 10.890 votos, não conseguiu renovar o mandato.
O quociente eleitoral de Feira nas eleições daquele ano foi de 15.812, mas a Federação PSOL/REDE obteve 12.014 votos e não conseguiu eleger nenhum quadro do partido.
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Outro exemplo é o candidato a deputado federal Charles Fernandes (PSD). Ele foi o 31º postulante com mais votos da Bahia, totalizando 99.815, mas ficou na suplência. Já Marcelo Nilo (Republicanos) chegou a 65.363 votos, o que não foi o suficiente para ocupar uma das três cadeiras do Republicanos.


