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Salvador é o maior colégio eleitoral do estado
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Salvador elege governador? Entenda o peso da capital nas eleições estaduais

Portal A TARDE traz levantamento de disputa pelo Palácio de Ondina na cidade

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Cássio Moreira
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Salvador elege governador? O questionamento sempre surge nas discussões políticas durante o período de campanha. Maior colégio eleitoral do estado, com cerca de 2 milhões de eleitores aptos, a cidade é tida como essencial para as principais candidaturas ao governo da Bahia.

O portal A TARDE fez um recorte do resultado das eleições para o governo da Bahia em Salvador no século XXI, entre 2002 e 2022, para entender melhor o peso do eleitor soteropolitano no pleito deste ano.

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Nos dados obtidos, disponibilizados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), um ponto chama a atenção: desde 2002, em apenas duas ocasiões o candidato mais votado na capital não foi eleito governador: Jaques Wagner (PT), em 2002, e ACM Neto (União Brasil), derrotado em 2022.

Primeira eleição na Bahia mostrou contraste

A primeira eleição direta para o governo da Bahia no período de redemocratização, em 1982, mostrou um contraste entre o eleitor da capital e do interior.

João Durval (PDS), vencedor do pleito para o governo na ocasião, teve uma votação considerada abaixo do esperado em Salvador, obtendo 18.71% dos votos soteropolitanos, enquanto Roberto Santos (PMDB), segundo colocado, teve 71.2% dos votos.

Na sua segunda tentativa de voltar ao governo, em 1990, Roberto Santos, novamente derrotado, passou longe de repetir o bom desempenho na capital, perdendo para Antônio Carlos Magalhães (PFL), que obteve 279.805 votos em Salvador.

Cenário se repetiu com Wagner e ACM Neto

Assim como Roberto Santos em 1982, a primeira eleição para o governo da Bahia no século XXI, em 2002, teve o candidato derrotado a nível estadual vencendo em Salvador.

Jaques Wagner, candidato mais votado na capital, com 56.9% dos votos, obteve 38.5% em todo o estado, perdendo para Paulo Souto (PFL).

O candidato petista também iniciava ali, antes mesmo do partido chegar ao executivo estadual, uma hegemonia do PT nas eleições estaduais dentro de Salvador, que só seria quebrada com a vitória de ACM Neto, em 2022.

Mais votado da história em Salvador, mas derrotado

Candidato derrotado na disputa pelo governo do Estado em 2022, ACM Neto (União Brasil) viveu o mesmo cenário que Wagner em 2002. No segundo turno contra Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-prefeito de Salvador bateu recordes de votos na capital no segundo turno.

ACM Neto durante ato de campanha em Salvador
ACM Neto durante ato de campanha em Salvador - Foto: Divulgação

Ao todo, Neto teve 1.022.728 (66,99%) votos na capital em 2022 no segundo turno, a maior votação da história de um candidato a governador na cidade, o que não foi suficiente para garantir sua eleição.

Vencedores na capital e eleitos no Estado

Wagner e Neto foram exceções no século XXI. O próprio petista, em 2006, quando derrotou Paulo Souto na disputa pelo governo, foi o candidato mais votado na capital.

Em 2010, Wagner também saiu vencedor na capital e na disputa pelo governo. O mesmo cenário se repetiu em 2014, quando Rui Costa (PT) venceu em Salvador, com uma votação apertada, e foi eleito governador, sendo reeleito em 2018 e vencendo novamente na capital.

"Salvador e a Região Metropolitana possuem um lugar especial. Estamos falando de 1/4 (um quarto) do eleitorado baiano, e a eleição de 2026 está muito dada nesse aspecto", explica o cientista político Cláudio André, que escreve a coluna Conjuntura Política no portal A TARDE.

"Rui Costa escolhe defender o governo e construir sua campanha ao Senado tecendo críticas a ACM Neto, enquanto Neto entende que ele tem um viés de maior força nesse tecido urbano das grandes e médias cidades", reforça.

Veja os candidatos mais votados ao governo da Bahia em Salvador

  • 2002 - Jaques Wagner (PT): 56.9%
  • 2006 - Jaques Wagner (PT): 56.71%
  • 2010 - Jaques Wagner (PT): 64.29%
  • 2014 - Rui Costa (PT): 42.02%
  • 2018 - Rui Costa (PT): 72.23%
  • 2022 - ACM Neto (União Brasil): 66.99%

Por que Salvador é importante?

Maior colégio eleitoral do estado, com 2 milhões de eleitores, Salvador é peça fundamental no quebra-cabeça eleitoral em um universo de 11 milhões de baianos que votam.

Jerônimo Rodrigues em ato de campanha em Salvador
Jerônimo Rodrigues em ato de campanha em Salvador - Foto: Ercikson Araújo | Ascom

Wagner e Rui, vencedores em Salvador em todas as vezes que disputaram o governo baiano, construíram um legado político ao longo do tempo na capital e Região Metropolitana, com base na atuação sindical, o que colaborou para tais votações.

"A formação da esquerda, dos sindicatos, foi muito evidente e eficaz no trabalho de base política, de relação com os eleitores ao longo do século. Tanto que as carreiras de Rui Costa, Wagner, dentre outras figuras do PT, representam uma força que, além da influência de Lula diante da classe trabalhadora urbana, nessa força do PT no território metropolitano de Salvador", pontuou Cláudio André.

Derrotado no estado, mas vencedor com votação recorde em Salvador, Neto foi o primeiro a furar a bolha petista na cidade no século XXI, fruto do seu trabalho à frente da Prefeitura, que colaborou para o crescimento do seu capital político.

"Dentro dessa geografia do voto, a derrota do PT em 2022 representa a chegada de uma liderança de oposição muito forte, que foi prefeito da capital, que estabelece uma força evidente, do ponto de vista da disputa pelo voto", explicou o analista.

Projeções de ACM Neto e Jerônino em 2026

O portal A TARDE convers, nas últimas semanas, com integrantes dos dois principais grupos políticos que polarizam no estado. Aliados de ACM Neto e Jerônimo Rodrigues fazem diferentes projeções para o resultado da eleição em Salvador.

O grupo de ACM Neto projeta uma nova quebra de recorde de votos na capital, ultrapassando novamente a casa dos milhões, com base na atuação do prefeito Bruno Reis (União Brasil), figura importante da sua campanha, e na sua força política na cidade.

Já a campanha de Jerônimo entende que, apesar da força política do grupo de oposição em Salvador, as entregas do governo, a exemplo do primeiro trecho do VLT, assim como os indicadores recentes na segurança pública da cidade, impulsionarão seus números na capital baiana, com um desempenho melhor do que em 2022.

O 'fator Lula' também é levado em consideração para uma 'virada' na capital. A presença do presidente em Salvador, em um ato no Farol da Barra, na próxima sexta-feira, 28, é um exemplo claro da estratégia do bloco governista.

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