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Da capital ao interior: como as health techs estão revolucionando a saúde na Bahia

Empresas que adotam este novo modelo usam ferramentas como inteligência artificial e Big Data

Miriam Hermes
Por Miriam Hermes
Ilustrativa
Ilustrativa - Foto: Divulgação

A transformação digital na área da saúde, a biotecnologia e o crescimento do uso da tecnologia de ponta nos procedimentos para diagnóstico e tratamento de doenças nas iniciativas pública e privada fazem parte do processo de expansão do ecossistema de inovação do setor na Bahia.

Também denominadas de Health Tech as empresas que adotam este novo modelo usam ferramentas como inteligência artificial, telemedicina, telessaúde, Big Data e análise de dados, Internet das Coisas Médicas (IoMT), dentre outras. O movimento redefine as relações entre médicos, pacientes e instituições.

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Neste contexto, a atuação de startups do segmento no interior do estado facilita a metamorfose no setor de saúde também fora da capital. Um exemplo é a Wellon Digital. Foi fundada em 2020 em Feira de Santana com a proposta de resolver gargalos históricos do setor de saúde, como a falta de eficiência na comunicação entre instituições e pacientes, agendamentos e redução de faltas, de acordo com o CEO e cofundador da health tech, Eduardo Nunes.

Especializada na automação, inteligência conversacional e gestão integrada da jornada do paciente, além de atuar na expansão com novos projetos, atualmente a empresa trabalha em escala nacional “conectando clínicas, laboratórios, centros de imagem e hospitais de alta complexidade aos seus usuários de forma ágil e humanizada”, afirmou, pontuando que o foco da plataforma “é automatizar e otimizar toda a jornada do paciente, do pré ao pós-atendimento”.

O modelo funciona integrado aos sistemas de gestão e aos canais digitais mais populares (como o WhatsApp), executando agendamentos automáticos e enviando orientações pré-procedimento. Conforme Nunes, através de assistentes de inteligência artificial disponibilizam atendimento contínuo “desonerando recepções e permitindo que as equipes de saúde foquem no atendimento presencial e humanizado”.

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    CEO e cofundador da Wellon Digital, Eduardo Nunes |

Para ele, o ecossistema baiano é promissor e está em constante amadurecimento, com busca crescente por transformação digital, no setor privado e no público, motivada pela busca de eficiência operacional.

“A sinergia entre startups locais, instituições de saúde e centros acadêmicos, como parcerias de pesquisa voltadas ao uso de IA na saúde pública, demonstra a capacidade da Bahia de criar tecnologias de ponta que impactam diretamente a vida das pessoas”, avaliou.

Criada há12 anos em Juazeiro, a Sysvale, desenvolve sistemas avançados de gestão para a saúde pública e privada. No nascedouro da startup o objetivo foi atender uma demanda específica na área de saúde do município de Petrolina.

“Desde então temos desenvolvido mais e mais esse portfólio focado em gestão da saúde municipal e outros desenvolvimentos focados em setor privado”, afirmou a Analista de Sucesso do Cliente da empresa, Tainã Gomes.

Responsável pela área de articulação com ecossistema de inovação da empresa, ela salientou que dentre as ferramentas desenvolvidas pela Sysvale, a plataforma Cidade Sustentável é adotada em 41 municípios da Bahia e Pernambuco, além de Minas Gerais, Ceará e São Paulo, com atendimento de forma remota.

Para Gomes, a principal dificuldade para este negócio “é a necessidade de acompanhar as demandas estabelecidas pelo Ministério da Saúde com uma velocidade e qualidade tal, que nosso produto se faça necessário mesmo com soluções gratuitas no mercado”.

Ela explicou, no entanto, que é justamente este ritmo de atualizações constantes que os mantém no mercado desde 2014. “Naturalmente precisamos ofertar mais do que essas soluções gratuitas, então isso nos move e nos faz sermos ágeis e inventivos”, justificou.

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    Analista de Sucesso do Cliente da Sysvale, Tainã Gomes |

Uma das facilidades da região para o segmento está na formação de profissionais voltados para este segmento no campus de Juazeiro da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e na Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Fecape). Na trajetória do grupo, estão participações em ciclos de inovação e já fotam financiados pela FAPESB, MCTI e FINEP, “então temos alguma relevância no ecossistema de inovação”, asseverou.

PESQUISA – Localizado em Salvador, o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Avançados de Saúde (ISI-SAS), mais conhecido como Cimatec Saúde, é um centro referencial em inovação, tecnologia e pesquisa aplicada. Inaugurado em 2020, conecta competências científicas de alto nível às demandas do complexo industrial brasileiro e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao iniciar as operações em plena pandemia da Covid-19, suas primeiras ações práticas estiveram voltadas ao enfrentamento do SARS-CoV-2, com desenvolvimento de kits de testes para monitoramento da infecção, protótipos de leitores para diagnóstico e outras tecnologias voltadas à ampliação da capacidade de resposta do sistema de saúde, segundo a gerente de negócios do ISI-SAS, Letícia Rodrigues.

Gerente de negócios do ISI-SAS (Cimatec Saúde), Letícia Rodrigues
Gerente de negócios do ISI-SAS (Cimatec Saúde), Letícia Rodrigues - Foto: Divulgação / Cimatec Saúde

Outro destaque entre os trabalhos desenvolvidos pela equipe foi o projeto Vacina RNA MCTI CIMATEC HDT, que oportunizou “o primeiro ensaio clínico de fase I realizado no Brasil para uma vacina de RNA (combate ao Covid), e representou um avanço relevante para a capacitação nacional em plataformas tecnológicas de nova geração”, afirmou, salientando que os resultados fortalecem a soberania tecnológica do país.

Com atuação direta em áreas fundamentais para a saúde, o Cimatec desenvolve no momento um projeto voltado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), associado a alterações no gene SHANK3. Conforme Rodrigues, o trabalho reúne “competências em biologia molecular, engenharia genética e terapias avançadas para ampliar o conhecimento sobre formas específicas de TEA e suas potenciais abordagens terapêuticas”.

Com iniciativas que visam melhorar a cura do câncer de mama, testes rápidos para doenças negligenciadas e o estudo clínico de células-tronco mesenquimais para traumatismo raquimedular, dentre outros, o SENAI CIMATEC avança na expansão de sua infraestrutura de inovação em saúde.

“Um dos projetos mais estratégicos é a implantação de uma planta multipropósito para desenvolvimento e produção de produtos biológicos para atender diferentes plataformas tecnológicas, como vacinas, terapias avançadas, viroterapias e biofármacos.

Com trabalhos junto a startups e, de micro a grandes empresas nacionais e multinacionais, ela pontuou que a atuação do instituto conta com uma equipe composta por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, além da geração de soluções inovadoras, o Cimatec atua na formação e capacitação de pessoas.

“Essa integração entre conhecimento, infraestrutura, talentos e diferentes expertises é fundamental para transformar conhecimento científico em tecnologias que cheguem à indústria, aos serviços de saúde e aos pacientes”, finalizou.

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