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“Estamos a todo vapor”: Ceuci Nunes detalha a nova fase e os investimentos da Bahiafarma

Leia entrevista com a diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes

Miriam Hermes
Por Miriam Hermes
| Atualizada em
Diretora-presidente da Bahiafarma infectologista Ceuci de Lima Xavier Nunes
Diretora-presidente da Bahiafarma infectologista Ceuci de Lima Xavier Nunes - Foto: Divulgação/Bahiafarma

A Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), criada em 1983, foi extinta em 1999, recriada em 2009 e reinaugurada em 2011, em Simões Filho. Como fundação pública de direito privado, é vinculada à Secretaria de Saúde do estado com foco na realização de pesquisa científica e no fomento tecnológico no setor farmacêutico. Desde 2023 é dirigida pela infectologista Ceuci de Lima Xavier Nunes, que antes coordenou o Instituto Couto Maia durante 15 anos e fala ao A TARDE sobre a fase atual da Bahiafarma.

Confira a entrevista completa

A produção própria de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para assegurar a soberania sanitária do Brasil, reduzir custos públicos e facilitar o fornecimento contínuo de tratamentos à população. A Bahiafarma faz parte deste contexto e está ampliando o seu portfólio. Como está a nova fase da fábrica?

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A estruturação da Bahiafarma como indústria farmacêutica está a todo vapor. Na parte de sólidos orais, nós estamos com equipamentos sendo confeccionados sob medida na China e Argentina, que devem chegar (na Bahia) no início de 2027. Nossa equipe já foi fazer uma vistoria nos equipamentos, por exigência da Anvisa. Estamos também preparando uma planta para produtos biológicos. Já temos o local e quem vai bancar é o governo estado. Então, estamos a todo vapor, mas, a indústria farmacêutica tem um tempo necessário para a produção de equipamentos, de instalação, de avaliação da qualidade dos equipamentos, da conformidade. Isto tudo demora um pouco.

Quais os principais itens fornecidos pela Bahiafarma para a Relação de Medicamentos Essenciais (RENAME), que é a lista oficial do Ministério da Saúde dos medicamentos e insumos fornecidos pelo SUS?

A Bahiafarma está sendo reconstruída. Então ainda não está produzindo. Mas o que tenho a dizer é que nós fomos selecionados em quatro parcerias de desenvolvimento de produto pelo Ministério da Saúde, para fabricação de medicamentos biológicos, que são anticorpos monocromais, que é o que tem de mais moderno na indústria farmacêutica. Em breve forneceremos estes medicamentos por um preço muito abaixo do mercado para o SUS, através dos nossos parceiros, a Indiana Biocon Biologics e a coreana Samsung. Estes medicamentos serão fornecidos para a atenção especializada, não para a atenção básica.

É recente a atuação, através de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) e acordos internacionais de transferência de tecnologia com países como Coreia do Sul e Índia. O foco está nos medicamentos Biológicos e Oncológicos (Alta Complexidade), com produção voltada para o tratamento de câncer e doenças raras, dentre outros fármacos estratégicos. Qual a produção esperada destes medicamentos especiais?

Estas parcerias de transferência de tecnologia são extremamente importantes, porque colocam a Bahia e o Nordeste do Brasil no lugar de receber transferência para fabricação do que quem de mais moderno na indústria farmacêutica, que são os biológicos. Já assinamos contrato com indústria indiana e estamos assinando até 2027 com a Samsung. São contratos com previsão de várias etapas para transferência de tecnologia o que ser dizer que nós vamos saber fazer estes medicamentos de alta tecnologia e com equipamentos também de primeira linha. Nossa equipe vai saber fazer isso e é um ganho importante para o SUS e para soberania do Brasil.

Qual a relevância das parcerias para facilitar a transferência de tecnologia? E qual o reflexo tem na saúde dos baianos e brasileiros?

Nós temos mais de 150 mil pessoas no Basil que tem esta doença, que recebem esta medicação pelo SUS e a gente vai vender por um preço muito mais acessível. Os outros medicamentos biológicos servem para câncer estágio inicial, bem como para estágio avançado com metástase e acho que isso vai beneficiar demais os pacientes que precisam deste recurso tecnológico a mais, que é o que trazem estes medicamentos biológicos.

Como se desenrola todo processo, na prática?

Fazemos o registro na Anvisa, em nome da Bahiafarma, começamos a fornecer através da nossa parceria internacional e de imediato já conseguimos um ganho grande para o SUS. Também temos etapas de transferência de tecnologia, com nossos técnicos indo pra Coreia, pra Índia e pra Bionovis S.A., que é nossa parceira nacional. Todas as parcerias são realizadas em um tripé, envolvendo além da Bahiafarma, a Bionovis e as empresas internacionais. Neste processo nossos técnicos vão para estas indústrias e os técnicos deles vem pra cá. Todo processo é uma importante transferência de alta tecnologia.

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