EM PAUTA
Projeto bilionário restaura palácios e muda a cara do Centro Histórico de Salvador
Saiba como será a grande virada na Rua Chile, a rua mais antiga do Brasil


Para recuperar o movimento perdido nas últimas décadas na emblemática rua Chile e seu entorno, uma mobilização reúne diferentes setores econômicos promovendo iniciativas para dar nova vida à via, que é considerada a rua mais antiga do Brasil.
Para reativar a circulação cotidiana de moradores da capital e visitantes, prédios históricos passam pelo processo de restauração e reocupação, que valoriza as fachadas e requalifica os interiores. A promoção de eventos e o reforço da segurança, também fazem parte das ações implementadas.
Com cerca de 400 metros, a rua foi criada em 1549, mesmo ano da fundação da cidade por Tomé de Sousa. Durante muito tempo foi sinônimo de elegância e requinte e concentrava na capital o principal movimento econômico do estado até os anos finais da década de 1970, quando Salvador ganhou grandes avenidas ligando diferentes regiões, mudando a infraestrutura urbana e a dinâmica da urbe.
A partir daí a rua deixou de ser aquele ponto de encontro fundamental na vida soteropolitana. Para reverter a situação diversas iniciativas vêm modificando aos poucos o ambiente. E, neste meio, a Associação dos Empreendedores da Rua Chile e Entorno (Arce), foi estabelecida com o intuito de promover o movimento de recuperação desta área em sentido amplo.
Com diretrizes organizadas por eixos temáticos, a instituição articula com os empreendedores do território e estabelece uma interlocução com o poder público e a sociedade, atuando para “resgatar o sentimento de pertencimento do soteropolitano em relação ao seu Centro Histórico”, afirmou o presidente da Arce, Antônio Barreto Junior.
Ele acrescentou que segurança é fundamental e a associação “atua em integração com a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal, complementando essa estrutura com segurança privada no território”. Barreto, que também é diretor do Grupo Prima, que investe na restauração e ocupação de espaços nesta região, pontuou a convergência inédita de investimentos públicos e privados, que são a base concreta para esse movimento.
“Cerca de R$ 1 bilhão em investimentos públicos e privados estão concluídos ou em desenvolvimento na Rua Chile e em seu entorno”, disse citando o Fasano Salvador (no prédio do A TARDE , hoje hotel 5 estrelas), o Fera Palace Hotel, o Palacete Tira-Chapéu, o Gorges Residence, o Palácio Castro Alves, o Palácio Rio Branco e o Vila Andrea”.
Ele destacou, no entanto, que o reposicionamento almejado “não será medido apenas pelo número de edifícios restaurados ou pelo volume de investimentos realizados, mas pelo momento em que o soteropolitano olhar para o local e pensar, ‘esse lugar voltou a ser meu’”.
Entre os projetos atuais, a transformação programada para o antigo palácio do governo da Bahia (Rio Branco) chama a atenção pelo alto padrão pretendido, considerando a proposta de instalar no prédio e em anexo a ser construído “um dos 10 melhores hotéis do mundo”, conforme o CEO do Mata Holding Salvador, Roberto Tóffoli, que responde tecnicamente pelo restauro do Palácio. Será denominado de Hotel Allard, e em Salvador tem parceria do Grupo André Guimarães.
“Salvador tem uma riqueza cultural, histórica e humana, e queremos transformar essa experiência em um destino de excelência internacional”, disse, ressaltando que a ambição do grupo para o Palácio Rio Branco “é estabelecer um novo padrão de hospitalidade de experiência na Bahia e no Nordeste”. Ao todo serão 75 quartos e toda infraestrutura para bem receber os hóspedes, que terão uma vista privilegiada da Baía de Todos-os-Santos.
Arquiteto especializado em restauração de bens históricos, retrofit e regeneração urbana, Tóffoli salientou que o palácio testemunhou séculos da história do Brasil. “Reprojetá-lo significa muito mais do que restaurar uma construção. Significa devolver protagonismo e vida a um dos lugares mais simbólicos da nossa história”, disse, citando que poucas cidades no mundo possuem uma narrativa tão poderosa quanto Salvador e sua influência ultrapassa o Brasil e dialoga com a África e com todo o Sul Global.
Ele defendeu que na cidade existe uma riqueza ancestral que não pode ser preservada apenas em museus. “Ela precisa ser vivida, experimentada e compartilhada com o mundo. É isso que queremos construir”, asseverou, pontuando que existe uma procura crescente por hotéis inseridos em contextos históricos, “justamente porque o viajante contemporâneo busca experiências que combinem hospitalidade, cultura e identidade local. O patrimônio deixa de ser apenas cenário e passa a fazer parte da experiência de hospedagem”.
Dentro da mesma proposta, o antigo Palácio dos Esportes ganha projeto de ressignificação para se tornar um residencial de luxo com 39 apartamentos. Denominado na sua nova versão de Palácio Castro Alves, pois está situado em frente da praça do poeta baiano, é projeto do Grupo Prima, em parceria com o Grupo Enseada.
A obra está prevista para ser entregue em maio de 2029 e, de acordo com o diretor de Negócios Imobiliários do Grupo Prima, Christiano Polillo, “o projeto une o respeito absoluto à fachada tombada pelo Iphan a soluções modernas de moradia e sustentabilidade, coroadas por um rooftop com vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos”, afirmou, destacando que o foco é atender a uma demanda crescente por moradias que conectem sofisticação, conveniência e história.

Para ele, o empreendimento reafirma o compromisso do Grupo Prima com Salvador e reflete o seu DNA, dedicado à valorização de patrimônios históricos, citando a transformação da antiga sede do jornal A TARDE no luxuoso hotel Fasano. “O cliente desse residencial não discute o preço do imóvel. Ele simplesmente quer fazer parte de um grupo seleto de privilegiados”, definiu, asseverando que “o projeto foi pensado para um público exigente que busca por imóveis exclusivos, conectados a conceitos de luxo, experiências, serviços de excelência e privacidade”.





