ENTREVISTAS
"Essa tese de pacificação política é uma balela", diz Jaques Wagner
Wagner aposta em chapa forte na Bahia e vê veto de Lula como marco

Por Divo Araújo

O ano de 2026 em Brasília começa do mesmo jeito que o anterior terminou: marcado por intenso embate político. O imbróglio da vez é o veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria, que poderia reduzir a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por crimes contra a democracia.
Nesta entrevista exclusiva ao A TARDE, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirma que o presidente não tinha outra alternativa. “Nas ruas, nós fomos contra a anistia”, diz o senador, para quem não há qualquer possibilidade de pacificação no Congresso, ainda que a decisão de Lula fosse diferente. “Ninguém vai pacificar. Oposição é oposição”, sustenta.
Sobre a composição da chapa formada pelo governador Jerônimo Rodrigues para a reeleição e por ele e pelo ministro Rui Costa para o Senado, Wagner afirma que as negociações ainda estão em curso, mas a tendência é que o desenho se mantenha. “É uma chapa extremamente forte”, argumenta. Leia mais na entrevista a seguir.
O presidente Lula vetou o projeto da dosimetria, que poderia reduzir a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lideranças da oposição afirmam haver votos suficientes no Congresso para derrubar esse veto após o recesso. Como o senhor avalia esse cenário?
A posição do presidente sempre foi muito clara. Primeiro, preciso recuperar um pouco a história. Eles ficaram pedindo o tempo todo anistia, mesmo antes do julgamento. E o presidente Lula dizia: deixa ser julgado; se for inocentado, não tem que falar em anistia. Mesmo antes da conclusão do processo, eles já falavam em anistia, porque sabiam do crime que tinham cometido contra a democracia. E a Constituição Federal é muito clara que crimes contra a democracia não cabe indulto, nem anistia. Mas continuaram brigando pela anistia. A tese da dosimetria, que acabou virando o batismo do projeto, surge quase para esvaziar a anistia. Só que, no começo, se falava de dosimetria para os operadores - a turma que foi para lá, a mulher do batom, o pipoqueiro.
Nunca foi para os idealizadores ou os financiadores do crime contra a democracia. Daí surgiu o papo da dosimetria, que era uma forma de não somar os vários crimes cometidos e, com isso, reduzir as penas. Mas, na rua, nós já fomos contra a anistia. E uma dosimetria que atinge os idealizadores do golpe e os financiadores, para mim, é impossível de não ser vetada. Portanto, a posição do presidente já era clara, tanto que o momento alto do ato do 8 de Janeiro, em Brasília, foi exatamente ele levantando o veto para a anistia. Evidentemente que a oposição que batalha por isso o tempo todo, vai tentar tensionar no começo, mas não acho que esse troço dure muito. Vai haver uma tensão natural, porque é ano eleitoral.
O senhor acredita que a oposição não terá votos suficientes para derrubar o veto?
Há dois tipos de veto. Tem veto que há acordo entre as partes para mantê-lo ou derrubá-lo. Eles entram numa cédula, você assina e não tem uma visibilidade maior. Já os vetos que não têm acordo, são votados destacadamente. Esse veto ao projeto da dosimetria seguramente não estará em cédula e, por isso, será votado de forma aberta e nominal. Não sei se eles terão a mesma folga que tiveram na aprovação do projeto. Na minha opinião, essa folga tende a diminuir. Se eles terão número ou não para derrubar o veto, como aprovaram o projeto, em tese têm. Mas vai depender muito de como a sociedade vai se posicionar em relação a essa matéria.
O ato de 8 de Janeiro mencionado pelo senhor reuniu um público expressivo em Brasília na semana passada, mas não contou com a presença dos presidentes dos Poderes, como o do Senado e da Câmara de Deputados. Essa discussão em torno da dosimetria acabou contaminando o ato?
Não acredito. Até porque esse troço foi muito bem colocado sobre a mesa, eles estavam sabendo. Então, na minha opinião, isso não aumenta a tensão. Mas é ano eleitoral, e a oposição sempre trabalhou muito fanaticamente na contraposição ao governo. É óbvio que se você perguntar se isso aumenta a tensão momentaneamente, eu respondo que sim. Na hora que você toma uma decisão, o primeiro rescaldo é mais quente. Mas, até chegar ao final do recesso, não sei se vai ter essa tensão toda. Nesse momento tem. Porque, querendo ou não, o projeto foi aprovado na Câmara e no Senado.
No Senado, eles tiveram 48 votos e nós 25. Mas essa tese da pacificação, para mim, é uma balela. Ninguém vai pacificar. Oposição é oposição. Vai apoiar o candidato que for. Não sei se vai ser o Flávio Bolsonaro, se vai ser outro. Tudo indica que está consolidando a candidatura do Flávio. Vai ser um ano em que vai se jogar sempre na contraposição, não tem jeito. Evidentemente que eles estão retados. Mas o veto é um direito do presidente. Como é do direito deles derrubarem o veto. Nós fizemos a nossa parte. Vetamos aquilo que a gente não concorda, o projeto como um todo. E não tinha como vetar por pedaço, porque neste projeto não ficou o que cabe para os mandantes do crime, o que cabe para os operadores. Era uma regra que pegava todo mundo. Ou você derrubava a coisa inteira ou não derrubava nada. Se tiverem condição, eles derrubam o veto. Isso deve acontecer lá para fevereiro, em alguma sessão do Congresso.
O senhor foi alvo de críticas de aliados após o acordo que viabilizou a votação do projeto da dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, chegando a figurar entre os assuntos mais comentados no X. Houve exagero nas críticas? Se arrepende de alguma coisa?
Eu pensei que iria ser até elogiado. E não estou falando de brincadeira. Porque a foto do dia do ato do 8 de janeiro só foi possível porque o projeto foi votado. A foto do dia quem produziu fui eu. E quem pagou o preço por ela fui eu. A votação iria acontecer de qualquer forma. No dia anterior, houve um acordo na Câmara para se votar a dosimetria e se votar - o que para mim é muito mais importante - o imposto sobre bancos, bilionários e bets. Além disso, foi feito um corte nas renúncias fiscais para empresas da ordem de 10%. O que é extremamente importante, porque é uma despesa tributária alta. Além disso, foi votado o aperto em cima das fintechs, depois daquela operação contra o PCC na qual se descobriu que várias delas faziam lavagem de dinheiro. Esse acordo foi feito na noite anterior. Tanto que se votou a dosimetria na Câmara.
Quando chegou ao Senado, o senador Otto (Alencar) observou corretamente que a matéria tinha que passar pela CCJ. Ficou claro para todo mundo que ia passar na CCJ de manhã e de tarde iria para a votação. Eu estava na reunião ministerial. De repente, vejo que estavam querendo postergar as coisas. Que não era vitória nenhuma, era uma vitória de Pirro. Era deixar a votação para fevereiro. Mas, como disse, nós tínhamos coisas importantes para serem votadas. E na democracia tem esse jogo: eu não obstruo sua matéria, você não obstrui a minha. Não tem nada de venal nisso. Mas foi um escândalo. Prefiro não citar nomes, mas o que foi feito lá foi palanque.
A foto do dia do ato do 8 de janeiro só foi possível porque o projeto da dosimetria foi votado. A foto do dia quem produziu fui eu
O fato é que muitos aliados, notadamente o senador Renan Calheiros, pegaram bastante pesado. Ficou alguma mágoa?
Ele pegou pesado porque é um período pré-eleitoral. Não fico com mágoa, mas o que ele disse não é verdadeiro. Não foi negociado nada de mérito; só de encaminhamento. E não poderia ter sido outro. O PT fechou questão contra, portanto, não tem nada de mérito. Não quero ficar esquentando mais essa matéria, mas na minha opinião o pessoal ficou atrás do palanque. Porque, independente do que se fizesse lá, o presidente Davi Alcolumbre iria puxar para o plenário. E, lá no Congresso, a gente vive de palavra dada, de acordo feito. Acabou a votação na Câmara uma hora da manhã. E aí veio para o Senado. Estava tranquilo e calmo que iriam ser votadas as matérias todas no Senado. Então, não me arrependo. E estou falando aqui na boa: a foto no jornal de Lula, Janja, com o veto, não ocorreria. Mas um dia após o outro. Tem mais ou menos um mês que fiquei apanhando. Daqui a pouco vai ter gente pedindo desculpa.
Senador, falando em dificuldades, o senhor tem uma missão importante, que é articular a aprovação no Senado de Jorge Messias para o STF. O adiamento da análise para depois do recesso ajudou a acalmar os ânimos? O presidente Lula precisará entrar pessoalmente nessa articulação?
O presidente já entrou. Ele conversou com o presidente da Casa. Eu não participei da conversa. Eu vi só a declaração dele quando saiu da conversa, dizendo que o caminho do Messias estava pacificado. Na verdade, a caminhada que o Messias vinha fazendo já era extremamente exitosa e positiva. Porque ele não é uma pessoa arestada. Ele sempre recebeu bem os senadores e tentou resolver problemas. Não é um cara histriônico, de ficar fazendo bravata. É um cara que eu diria suave. Ainda tem o aspecto evangélico.
E tiveram vários evangélicos trabalhando pela candidatura dele, inclusive o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Na minha opinião, a caminhada dele já vinha muito bem. Muitos operadores do Direito estão escrevendo artigos sobre a capacidade dele. Evidentemente, se na conversa do presidente com Davi Alcolumbre houve uma pacificação em relação a esse tema, isso facilita. Quem botará para votar é o próprio presidente Davi. Imagino que ele vai colocar agora também na volta do recesso, em fevereiro. Na minha opinião, não tem mais por que segurar.
Eu vi que o senador Davi Alcolumbre ligou para o senhor no Natal, depois de um mês sem contato. A relação está apaziguada?
Houve essa ligação, mas a gente não se encontrou mais. Vamos voltar aos trabalhos. Agora, estou normal. Eu vou continuar trabalhando e não sou de ficar lambendo ferida.
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Em 2026, por ser um ano eleitoral, o calendário legislativo tende a ser mais curto. Além da indicação ao STF, o senhor já tem definidas outras prioridades que o governo precisa trabalhar nesse período?
Tem algumas matérias que ficaram para a Câmara votar que já foram votadas no Senado. Nós ainda não tivemos reunião sobre as prioridades, mas, sinceramente, a maioria das coisas importantes já foram votadas. O orçamento foi votado antes. A taxação do BBB (bancos, bets e bilionários) foi votada. Já é praxe não deixar matérias muito quentes para votar no ano eleitoral, porque acaba não funcionando muito, mesmo antes do meio do ano. Não é nem porque o debate fica contaminado. E porque o pessoal quer ficar nas suas bases mesmo trabalhando. Tem muita sessão virtual. Entra-se quase que em um recesso eleitoral a partir de maio, junho, formalmente. Mas, mesmo antes, os presidentes das casas já sabem que não terão uma presença tão massiva, porque está todo mundo correndo atrás de votos. Na minha opinião, não tem matéria muito quente para ser votada, a não ser que apareça alguma coisa. O principal para o governo já foi votado.
O senhor mencionou o cenário eleitoral e a consolidação do nome de Flávio Bolsonaro. Esse quadro mais polarizado favorece o presidente Lula?
Eu não gosto de escolher time adversário. A gente tem que preparar o nosso time e estar pronto para enfrentar qualquer adversário. O patrimônio eleitoral, evidentemente, é do ex-presidente Bolsonaro. E, portanto, o peso da indicação dele é muito grande, como foi o peso da indicação do (Fernando) Haddad quando interditaram a candidatura do presidente Lula. Evidentemente, ele estava ali quase que numa representação, uma chancela do presidente. Mas tem o pessoal que quer um tipo de candidato dito mais comportado, não necessariamente com outras ideias. Agora, eu reconheço que o patrimônio é do ex-presidente. Portanto, a indicação dele é que prevalece. Se o lado de lá vai se unificar em torno do nome de Flávio, se ele vai retirar, se vão colocar outra candidatura, é uma preocupação que a gente não deve ter.
O presidente Lula tem que rodar o país como já tem feito, trabalhar, explicitar tudo que foi feito nesses três anos. Não é pouca coisa. Nós estamos chegando no final do terceiro ano dele, fora do mapa da fome, com a menor inflação histórica, com o maior crescimento da renda familiar, e por aí vai. E o que tem de investimento do PAC rodando por aí... Tanto que na última pesquisa que vi, 69% da população brasileira entrou em 2026 com otimismo. E todo mundo sabe que se a sociedade está otimista, isso favorece quem está sentado na cadeira de presidente. Porque, se ela está otimista em relação ao que vem, significa que indiretamente é uma aprovação ao que está sendo feito. Agora, é óbvio que no mundo inteiro e no Brasil não é diferente, as posições estão muito fanatizadas.
O patrimônio eleitoral, evidentemente, é do ex-presidente Bolsonaro. E, portanto, o peso da indicação dele é muito grande
O senhor acredita que será uma eleição muito disputada?
Eu não acho que tenha mais eleição de 70 por cento a 30, 60 a 40. Eu acho que fica entre 50 e 60 quem ganha uma eleição. Nós ganhamos aqui com 50 e pouco, eu ganhei a primeira, sei lá, com 53. A reeleição eu fui para 64, o Rui Costa foi para 70, mas era um momento totalmente diferente. Eu acho que todas as eleições, não só aqui no Brasil, tendem a ser decididas na reta de chegada. Eu imagino, por exemplo, que quando nós escolhemos Jerônimo Rodrigues para ser candidato, o lado de lado pensou que não poderia ter recebido um presente melhor. E perderam a eleição.
O senhor falou da preocupação com o próprio time e já sugeriu a repetição da chapa Lula e Geraldo Alckmin. Mas existe a possibilidade de Alckmin disputar o governo de São Paulo. Nessa hipótese, o senhor acha que o candidato a vice deveria continuar sendo um nome mais ao centro?
Minha hipótese é de que a chapa se repetirá. Para São Paulo, nós teríamos nomes como o do próprio Haddad, que poderia cumprir esse papel. Eu acho que ele é uma pessoa bem-posicionada para disputar o governo de São Paulo.
O Haddad não vai para a coordenação da campanha de Lula?
Ele falou isso, mas está longe ainda. Acho que o próprio presidente Lula gosta dessa dobradinha dele e Alckmin. Alckmin fez uma bela fala no ato do 8 de Janeiro. Ele é do tempo, é bom lembrar, do MDB de Waldir (Pires) e de (Mário) Covas, que depois criaram o PSDB. Portanto, eu diria que tem uma cabeça próxima do ideário que o próprio presidente Lula. Eu sou do time que está ganhando, não se mexe. Eu não mexeria. Sinceramente, na minha opinião, se for pedida, mantém a chapa.
Há um ano o senhor falou publicamente pela primeira vez sobre a chapa dos três governadores, e o tema continua em destaque, com especulações sobre diferentes acordos, inclusive a possibilidade de suplência. O que o senhor pode dizer, hoje, de forma concreta sobre essas negociações?
Eu vou aproveitar a entrevista dada por Otto (Alencar) para dizer que tenho certeza de que essa aliança não vai rachar. A nossa aliança com o PCdoB, com o PV, o Avante, o PSD, o PSB, com todos os partidos que estão na nossa base, na minha opinião, não racham. O que está se discutindo aqui é um bom problema – são três demandas para duas vagas. Não é a primeira vez que esse problema acontece. Em 2018 aconteceu a mesma coisa.
O senhor acha que o acordo está mais próximo agora?
Acho que todo mundo está maduro. A declaração de Otto, na minha opinião, é inequívoca: ele estará com Jerônimo independente de qualquer coisa. Para mim, isso é o fundamental. Evidentemente que estou trabalhando. Tenho conversado com o senador Angelo Coronel, com o Diego (Coronel), com o Otto, de tal forma que a gente possa acomodar todo mundo. Eu não quero trabalhar com a hipótese de vice-governador. Eu vou manter a minha posição: chapa que está ganhando não se mexe, a menos de uma necessidade extrema. Tem outras formas de a gente fazer. Eu realmente perguntei à Coronel se ele toparia vir para suplência. Não vejo por que a gente brigar só pelo direito dele ser candidato, se pode ser suplente
O senhor ou o ministro Rui Costa poderiam ser suplentes?
Na minha opinião não tem naturalidade política nenhuma nisso. Porque eu sou, vamos dizer, o inaugurador dessa caminhada. O pessoal está batendo em uma chapa puro-sangue. Não se trata de uma chapa puro-sangue. Se trata de uma chapa de um governador que vai para reeleição e de dois ex-governadores bem avaliados que se colocam para o Senado. É uma chapa extremamente forte. Todo mundo reconhece isso. Não estou tirando o mérito ou o valor de Coronel. Ele é senador e está no direito dele defender a renovação do mandato. Agora, essa chapa não é forte porque todo mundo é do PT. Um poderia não ser do PT. Mas é uma chapa de dois ex-governadores para o Senado.
Fiz essa pergunta ao governador Jerônimo também e a impressão que tenho é que essa questão está decidida...
Não está decidido porque não encontramos um ponto que todo mundo se sinta medianamente satisfeito. Coronel continua brigando, dizendo que quer o direito dele na chapa, que poderia sair avulso. Bom, eu acho que não tem candidato avulso. A chapa é a chapa. Então, estou tentando trabalhar isso. Não está resolvido. Agora, se você me perguntar qual é a tendência maior, eu diria que sejam esses nomes que encabecem a chapa.
A gente vê essas últimas pesquisas, e o candidato da oposição, ACM Neto, está à frente do governador. Eu não vi a entrevista do senhor na TV Bahia, mas vi a repercussão em que teria falado da avaliação mediana do governador. Como o senhor está vendo esse cenário?
Foi uma palavra mal-usada. Eu disse, o governador é bem avaliado. Pode não estar pipocado. É nesse sentido que eu falei. A pesquisa está aí. O governador não está com a avaliação positiva de 70, de 80%, mas está com 50%. Quando eu disse mediano foi muito mais nesse sentido. Não é que ele é mediano, é que ele está na média nas pesquisas. Porque, por exemplo, tem prefeito que chega na eleição com a rejeição lá em cima e a avaliação lá embaixo. O governador não tem rejeição alta e tem uma aprovação que está na casa dos 50%. Portanto, não vejo nenhuma dificuldade para ele caminhar mais.
O senhor acredita que esta será uma eleição ainda mais acirrada do que a de 2022?
O lado de lá ainda não se arrumou. Ele não sabe quem vai ser o candidato dele a presidente e está sem lado ainda. Como esteve sem lado na eleição de 2022. Toda eleição, quem vai puxar sempre é a eleição presidencial. Querendo ou não, ela vai ser tensionada. E tenciona também aqui no estado. A característica da eleição estadual não é igual à da nacional. Mas vai ser tensionada igualmente que vai ter a casadinha. É Lula e Jerônimo e o candidato deles federal e estadual. Eu não sei ainda se o ex-prefeito vai ser candidato mesmo. Ele está dizendo que vai, mas é bom lembrar que em 2018 ele também falou que era e, na reta final, tirou o tapete do pessoal dele todo. Acho que ele ainda está analisando a situação para saber se vai ou não vai. Mas também isso não é problema meu. Eu vou preparar nosso time para a gente ganhar a eleição.
Coronel continua brigando, dizendo que quer o direito dele na chapa, que poderia sair avulso. Bom, eu acho que não tem candidato avulso
A segurança pública tende a dominar o debate eleitoral. Apesar da melhora nos indicadores, a Bahia ainda lidera em mortes violentas e enfrenta preocupações com a letalidade policial. O PT está preparado para esse debate?
Nós estamos numa conjuntura mundial totalmente diferente. O crime organizado infelizmente virou uma grande multinacional do crime. A operação contra o PCC demonstrou que eles estão enfiados em vários setores da economia formal. Estavam enfiados em postos de gasolina, em bancos, em consultorias, uma porção de coisa. Hoje, eles estão operando em 26 países. Tem milhares de funcionários trabalhando. Eles têm braços fincados na Europa, no Oriente, no Japão, tentam se comunicar com a máfia italiana. Não é o ladrão do meu tempo de criança. Estamos falando de uma multinacional que usa inteligência, que domina uma série de setores. Eu pessoalmente sou muito mais adepto de operações como nós fizemos aqui contra o Comando Vermelho e fizemos conduzida pela Polícia Federal contra o PCC.
O povo gosta de dizer que a parte do corpo que mais dói é o bolso. Na minha opinião, bandido bom é bandido preso, como disse o governador. E a gente tem prendido muita gente. Acho que esses números, inclusive, faltam ser mais socializados. Porque estão caindo o número de crimes violentos e letais, o crescimento de gente detectada por câmeras. A China, que é um país de um bilhão e não sei quantos milhões de pessoas, você não vê guarda em tudo que é canto. Mas você vê uma, duas, três câmeras em tudo que é poste. Aí você monitora muito mais o movimento do bandido, dos carros, da placa de carro. Aquela operação que a gente fez aqui, leva às vezes nove, dez meses para ser preparada.
Ninguém faz uma operação com sucesso que foi feita aqui, que prendeu gente aqui no Ceará. Ou contra o PCC que foi feito lá em São Paulo, ninguém prepara isso da noite para o dia. Você começa a montar o tabuleiro, começa a ter escuta autorizada pela justiça, vê movimentação bancária, você junta muitos. A gente está no caminho certo. Eu gosto de dizer que o povo não nos julga pelo problema. Ele sabe que não é Jerônimo o culpado pelo problema da segurança. O problema da segurança é do crime organizado, das quadrilhas, do tráfico de drogas, de armas. O povo nos julga pela postura frente ao problema. Na medida que você vê que o governo está sendo eficaz para reduzir o número de roubos, que aumenta o número de pessoas presas.
Essa operação que fizemos contra o Comando Vermelho acho que foram R$ 30 milhões imobilizados. É por aí que vamos chegar lá. Segurança pública é um problema, mas, na última pesquisa, até perdeu força. Antes aparecia muito mais acima. Mas o investimento que Jerônimo tem feito, contratação de policiais, equipamentos, câmera de monitoramento, câmeras para os policiais... Não vejo que eles tenham feito que possam apresentar de superior ao que nós estamos fazendo.
Raio-X
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner nasceu no Rio de Janeiro em 1951. Filho de imigrantes judeus poloneses, iniciou a militância política no movimento estudantil da PUC-Rio em 1969. Perseguido pela ditadura militar nos anos 1970, deixou o curso de Engenharia e se mudou para a Bahia em 1974, onde atuou na indústria petroquímica em Camaçari e presidiu o Sindiquímica-BA. Fundador do PT e da CUT na Bahia, foi deputado federal (1990, 1994, 1998), governador da Bahia (2006, 2010) e ministro de Dilma Rousseff (Defesa e Casa Civil). Em 2018, foi eleito senador, com mandato até 2026.
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