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"Vamos buscar o superávit fiscal sem penalizar os mais pobres", diz Geraldo Alckmin

Vice-presidente voltou a defender o equilíbrio fiscal aliado ao crescimento econômico

Divo Araújo
Por Divo Araújo
vice-presidente afirmou que o governo federal pretende alcançar superávit primário
vice-presidente afirmou que o governo federal pretende alcançar superávit primário - Foto: .José Simões / Ag. A TARDE

No segundo turno das eleições, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiu maior protagonismo na campanha de Lula. Ontem, em Salvador, diante de empresários, Alckmin voltou a defender o equilíbrio fiscal aliado ao crescimento econômico.

Durante a conversa, o vice-presidente afirmou que o governo federal pretende alcançar superávit primário a partir do próximo ano e defendeu que o esforço fiscal não recaia sobre os aposentados, mas sobre os supersalários e os privilégios.

Ele defendeu ainda a implementação da Reforma Tributária e afirmou que o ajuste fiscal não pode levar o País à recessão. Ele abordou ainda o fim da escala de trabalho 6x1, as perspectivas de investimentos na Bahia e a necessidade de melhorar a infraestrutura do Estado.

O senhor veio a Salvador para se reunir com empresários baianos para debater o cenário econômico do país, seus desafios e as perspectivas para o futuro. Qual avaliação o senhor faz do encontro?

Nós tivemos um bom encontro aqui em Salvador com representantes do setor do agro, da indústria, indústria química, petroquímica, automotiva. Estavam presentes a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Também participaram representantes da economia criativa, cultura, turismo e infraestrutura, que é essencial em um estado de dimensões continentais como é a Bahia.

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Vim à Bahia para ouvir. Quem ouve mais, erra menos. A Ford fechou sua fábrica aqui na Bahia, mas o Estado ganhou a BYD, a maior indústria de veículos elétricos e híbridos do mundo. Apoiamos o setor químico e petroquímico. A Unigel, fábrica de fertilizantes, reabriu em Camaçari. Fizemos a defesa comercial do setor químico, petroquímico, agroindústria, biocombustíveis, etanol de milho. E estamos batendo recordes de exportação. A Petrobras também tem feito investimentos vultosos na Bahia. Junto com o governador Jerônimo Rodrigues, com a comunidade, a sociedade civil organizada, tivemos um bom encontro de trabalho.

O senhor se reuniu com representantes do setor produtivo, que demonstra preocupação com o aumento da dívida pública. Diante das medidas anunciadas pelo governo Lula nessa campanha eleitoral, como o aumento do Bolsa Família, o que o senhor disse aos empresários sobre esse cenário?

O ajuste fiscal é um tema importante, mas é preciso pontuar que o presidente Lula, nos seus dois primeiros mandatos, fez superávit primário de 3% ao ano, em média, durante oito anos praticamente. Houve uma redução importante da relação dívida-PIB. O governo anterior, sem pagar um centavo de dívida, gastou 10% a mais do que arrecadou, perto de 800 bilhões de dólares de déficit primário. A justificativa foi a pandemia de Covid em 2020. Mas a Covid teve no mundo inteiro. O México teve 0,5% de déficit. E nós vamos fazer superávit no próximo mandato. Para isso, não é preciso parar a economia e fazer o País entrar em recessão, o PIB cair e as empresas fecharem.

Com o PIB crescendo e segurando a despesa, melhoramos a relação dívida-PIB. É para isso que vamos trabalhar. E queria destacar a Reforma Tributária, que vai ajudar a economia a crescer. Ela entra em vigor em janeiro do ano que vem. Nós não vamos postergar a reforma, como estão propondo. Nós vamos implementá-la o mais rápido possível. A Europa fez isso há 40 anos. Nós vamos substituir três impostos federais - PIS, Cofins e IPI – além do ICMS estadual e ISS municipal, por um IVA dual. Agora, não vamos fazer superávit primário em cima do aposentado do INSS, que 70% ganha R$ 1.621. Nós vamos tirar R$ 40 dele? Não, nós vamos fazer em cima dos supersalários, de R$ 300 mil, de R$ 400 mil, de privilégios. É o nosso compromisso.

O Congresso aprovou o fim da escala de trabalho 6x1, medida criticada por representantes da indústria, incluindo a Fiesp e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Como o senhor responde a essas críticas e avalia os possíveis impactos da mudança para o setor produtivo?

Dois projetos foram aprovados ontem (quarta-feira, 14). Um, que determinou o fim da escala 6x1. Com isso, daqui a dois meses, você reduz a jornada de trabalho de 44 para 42 horas. E depois de mais um ano, você reduz de 42 para 40 horas. Está fora o setor público, municipal, estadual e federal, as pequenas empresas e os profissionais liberais. Essa é uma tendência mundial. No mundo inteiro você tem uma redução de jornada. Essa é uma tendência mundial porque a tecnologia permite fazer mais com menos gente. Outro aspecto: as mulheres. Hoje, as mulheres querem trabalhar, precisam trabalhar e muitas vezes ela tem jornada dupla. Ela tem que cuidar da casa, dos filhos. No novo mundo do trabalho essa é uma tendência. A outra medida que aprovamos ontem é o apoio ao pequeno e microempreendedor. Muita gente, especialmente os jovens, quer ter o seu negócio. Quem fez o MEI foi o presidente Lula. Quem fez o Simples foi o presidente Lula. O que nós fizemos: aumentamos o teto. Quando chegava a R$ 81 mil o faturamento-ano você não podia mais ser MEI. O que faz: não cresce? Nós queremos que cresça. Por isso, aumentamos de R$ 81 mil para R$ 110 mil o faturamento e depois R$ 140 mil. Queremos que o MEI cresça. Hoje ele pode ter um empregado e vai poder ter dois. Diria que foram duas medidas importantes ontem.

Em relação à estrutura governamental, sabemos que o tamanho da máquina pública tem impacto direto nas contas do País. Há perspectivas de redução dessa estrutura e de corte de gastos para tornar a administração pública mais eficiente e menos onerosa?

É importante desburocratizar, simplificar, reduzir despesa. Esse é nosso compromisso. Nós desburocratizamos muita coisa no Ministério da Indústria e isso vai reduzir R$ 40 bilhões por ano o custo Brasil. Uma carga parada no porto custa 0,8% da carga. Se ficar cinco dias parados, você já perdeu 4% do valor da carga. É preciso também fazer um entendimento com os Três Poderes, não é só o Poder Executivo. É também o Judiciário, o Legislativo, para não ter pauta-bomba. A pauta-bomba não é contra o governo, é contra o povo, que paga os impostos.

Também tem essa questão das emendas. Quando fui deputado federal, isso não existia. São R$ 60 bilhões em emendas, fundo partidário, fundo eleitoral. Nós não vamos tirar recursos da população mais pobre e nem levar o país à recessão, gerando desemprego, com empresas fechando. Nós vamos fazer a economia crescer.

Como implementar essas medidas diante de um Congresso eleito no último dia 4 de outubro, com maioria de oposição ao governo?

Democracia é diálogo. Nós fizemos a Reforma Tributária, uma PEC que precisa de maioria qualificada. Tivemos mais de três quintos dos votos, tanto na Câmara quanto no Senado. Nós temos experiência.

Nós vamos fazer no primeiro ano as reformas necessárias para ter um crescimento econômico ainda maior. Mas a educação cresceu, creche, escola de tempo integral, institutos federais para fazer o casamento entre mercado de trabalho e formação profissional. A saúde melhorou. Nós tínhamos negacionismo. Três coisas mudaram o mundo: água tratada, vacina e antibiótico. Nós tivemos uma campanha antivacinal. Qual foi o resultado? O Brasil tem 3% da população do mundo e teve 10,5% das mortes por Covid. Foram 720 mil mortos. Foi um caos na saúde no período anterior. Então, melhorou a saúde, melhorou a educação, melhorou o emprego. Nós estamos com o menor desemprego da série histórica. Melhorou a renda. O salário mínimo teve um crescimento real.

A Bahia tem uma base industrial importante, com destaque para os polos de Camaçari e Aratu, além de potencial nas áreas de energia renovável e indústria naval. Quais projetos e investimentos federais podem impulsionar o desenvolvimento industrial do estado?

Olha, eu destacaria o setor de petróleo e petroquímico. O Brasil está em oitavo maior produtor de petróleo do mundo e vai crescer a produção de petróleo com a margem equatorial.

Para o setor petroquímico, nós com a nova indústria Brasil demos um apoio importante para a área química com o REIC, Regime Especial da Indústria Química. E como aqui tem uma energia solar e eólica muito significativa, eu destacaria os datas centers. Nós lançamos um programa chamado Redata, para atrair investimentos para data centers. O Brasil pode receber investimentos de 100 bilhões de dólares, ou seja, meio trilhão de reais em data centers. Nós temos 3% da população do mundo, 2% do PIB da economia do mundo e 1% de data centers.

Então, tem uma avenida. Esse programa Redata, o que tiver fabricação nacional, área de tecnologia e informação, tem que comprar da indústria local, para a gente fazer a indústria crescer no Brasil.

A Bahia enfrenta desafios logísticos por sua extensão territorial. Quais são as prioridades do governo federal para melhorar a infraestrutura do estado?

A Bahia é um estado enorme. Estamos falando de um Estado maior que a França. É fundamental investimentos em infraestrutura, em rodovias, por exemplo. O governo federal está fazendo recorde de concessões para o setor privado, para duplicação, mais faixas, segurança rodoviária, diminuir acidentes. E ferrovias também. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) é fundamental para você acessar os portos, inclusive. Tem as hidrovias também. Com energia abundante, boa infraestrutura, a Bahia tem tudo para atrair muito investimento. A Bahia hoje já cresce acima da média brasileira, e também do Nordeste, vai crescer ainda mais.

O senhor passou a ter maior participação na campanha do presidente Lula neste segundo turno, inclusive em agendas com empresários e eleitores de centro. Qual será sua principal contribuição para ampliar o diálogo com setores que ainda demonstram resistência ao governo?

Tenho participado e colaborado com o presidente Lula. Toda atividade de grande responsabilidade você faz em dupla. Você vai viajar de avião, são dois, têm piloto e o copiloto. É em dupla. Você vai ser operado, tem dois, o cirurgião e o segundo cirurgião. Eu estou numa dupla aqui ajudando o presidente Lula. Vamos ajudar o presidente Lula, se Deus quiser, a se reeleger e fazer um grande mandato em benefício da nossa população.

Para concluir, como o senhor avalia a atuação da Justiça Eleitoral e das grandes plataformas digitais no segundo turno das eleições?

O que desejamos: que as big techs cumpram o seu papel, não de forma enviesada, mas de forma correta. E que a Justiça Eleitoral tenha isenção total e trate com isonomia aqueles que postulam servir o País. Mas quero trazer uma mensagem de otimismo: já ganhamos na Bahia, o presidente Lula teve quase 70% dos votos aqui e acho que vai crescer mais. E com uma coisa boa: os jovens indo para as ruas e os estudantes exercendo um papel importante. Quero pedir para a gente reduzir a abstenção. Agora é um voto. Então, a votação vai ser rápida. O voto é um ato de amor ao próximo. Ato de amor à Bahia, ao País.

RAIO-X

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é médico, especialista em Anestesiologia, e professor universitário. Desde 1º de janeiro de 2023, ocupa o cargo de vice-presidente da República. Iniciou sua trajetória política aos 20 anos, quando foi eleito vereador por Pindamonhangaba, sua cidade natal, em 1972, pelo então Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Foi prefeito do município (1977-1982), deputado estadual (1983-1987), deputado federal (1987-1995) e vice-governador de São Paulo (1995-2001). Assumiu o governo estadual após a morte de Mário Covas e governou São Paulo também de 2003 a 2006 e de 2011 a 2018. Disputou a Presidência da República em 2006 e 2018.

Quero pedir para a gente reduzir a abstenção. O voto é um ato de amor ao próximo. Ato de amor à Bahia, ao País.

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