ESPORTES
Candidatos a presidente se encaram em debate e prometem eleição direta

Ricardo Palmeira
Os candidatos à presidência do Vitória se encararam ontem pela primeira vez na campanha em debate promovido pelo Aratu Online e transmitido ao vivo pelo Facebook do portal. Foram Ricardo David, Ivã de Almeida e Paulo Carneiro, que só se tornou candidato na terça-feira, um dia após ganhar na Justiça um processo que lhe devolve seu título de conselheiro nato e, consequentemente, o direito de se candidatar a presidente.
A eleição no Rubro-Negro ainda se dá de forma indireta: os sócios elegem o Conselho Deliberativo. Este, por sua vez, escolhe o presidente.
A chapa 'Vitória Cada Vez Mais Forte', que apoia a reeleição de Raimundo Viana, foi a única a não participar do debate de ontem, pois Viana ainda não confirmou candidatura.
No mais, o clima esquentou entre presentes. Os principais temas foram o futuro do futebol rubro-negro, reforma do estatuto para eleições diretas e políticas de associação.
Propostas
Ivã de Almeida afirmou: "Desde 2006 faço parte de grupos de democratização do Vitória. Em 2010, assinei manifesto pedindo a reforma estatutária. Nosso grupo, em sendo eleito, garante um prazo de até 90 dias para aprovar as eleições diretas. Queremos colocar o Vitória com 50 mil sócios em dia [hoje] ampliando o direito dos associados. Nossa chapa é a única que nunca teve a chance de aplicar seu projeto. Esta é a oportunidade que o torcedor tem de mudar de verdade o Vitória".
Ricardo David, diretor de marketing do Leão por um ano entre 2014 e 2015, declarou: "Somos favoráveis às diretas. Sabem porque este debate está ocorrendo? Porque nós declaramos desde o início qual seria o candidato da nossa chapa a presidente. Outros não queriam lançar candidatura temendo desgaste. Após lançarmos a nossa, aí lançaram as deles, o que permitiu o debate. Quero ampliar o programa de sócio, trabalhando possibilidades que façam o torcedor se aproximar do clube no dia a dia, tendo um contato mais intimo com o time. No futebol, vemos hoje um time fraco e do qual nem metade dos jogadores ficará para 2017. Conosco, haverá planejamento de duas temporadas. Ao menos 70% do elenco ficará de um ano para o outro".
Paulo Carneiro, por sua vez, que foi presidente entre 1991 e 2005, explicou porque em sua época o pleito era indireto e defendeu o processo de popularização do Vitória. "Difícil pensar em políticas de associação em 1990 quando não havia estrutura, sequer água, no clube. Construímos toda uma estrutura em um trabalho árduo de anos. Passos seguintes incluíam a associação em massa. Foi meu o primeiro programa de associação de torcedor, o Sou Mais Vitória, em 1997. Sou favorável às eleições e não concebo um clube sem uma política efetiva de associação. No futebol, faremos um planejamento integrado entre a divisão de base e o profissional. Quando fui presidente, o Vitória era referencia de divisão de base. 60% do elenco vinha dela. Esse é o caminho para o planejamento".
Houve ainda momentos de provocações. David contestou Carneiro porque o pior momento da história do Vitória, a queda à Série C em 2005, ocorreu sob sua gestão. Já Almeida declarou: "Toda chapa tem político. Paulo Carneiro disse que a chapa dele é a única que não tem, mas esquece que, quando foi presidente, foi também vereador e deputado".
O ex-presidente revidou: "Periodo de fracasso só tem quem está lá dentro. Eu ganhei 90% dos títulos baianos que disputei entre base e profissional. Os melhores resultados do Vitória foram na minha gestão [no Brasileirão, vice-campeão em 1993 e 4º colocado em 1999]... Se eu fui vereador, foi porque o terreno atrás do Barradão seria tomado pela prefeitura para fazer de aterro sanitário e eu não podia deixar que isso ocorresse".