NÃO PODE CONTRATAR NOVO TÉCNICO
Cárcere, Rottweiler e "Pix Seletivo": a saída de Agnaldo do Atlético-BA
O técnico afirmou que não assinará a rescisão nem sairá de Alagoinhas até receber valor em débito

Na última sexta-feira, 23, o Atlético de Alagoinhas anunciou a demissão do técnico Agnaldo Liz, - mas uma semana depois, os processos ainda estão longe de terminar, e as polêmicas estão cada vez maiores.
Em entrevista à Rádio Sociedade, o treinador detalhou um cenário de desorganização, desrespeito e violência que afirma ter vivido no Atlético-BA, clube que recentemente passou pela transição para SAF.
Passando por problemas de segurança e pagamentos, apesar de demitido, Agnaldo permanece em um flat em Alagoinhas com sua esposa, recusando-se a deixar a cidade até que suas pendências financeiras sejam quitadas.
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Pix não enviado
A saída de Agnaldo foi comunicada após a derrota para o Jequié, em conversa com o presidente Albino. No entanto, o mal-estar entre treinador e clube começou antes mesmo da partida, por atraso em pagamentos.
Segundo o treinador, o clube efetuou o pagamento de 50% dos salários atrasados dos atletas via Pix momentos antes do jogo, mas o dele não entrou. Na semana passada, a justificativa dada pela diretoria a ele foi de que houve um "problema na conta" exclusivamente no pagamento do técnico.
"Eu falei: 'Pô, mas problema na conta só no meu pagamento, né, que travou a conta?'", contestou Agnaldo. Atualmente, o débito com o profissional já ultrapassa um salário integral mais 23 dias trabalhados.
Segurança com facão e Rottweiler
Os incômodos, no entanto, vão muito além de números. Para Agnaldo, o episódio mais desconfortável que viveu com o clube aconteceu no Centro de Treinamento em Cachoeira, em uma situação em que ele e outros profissionais foram mantidos "presos" dentro de um ônibus, do meio-dia até a noite, para forçar uma negociação.
Segundo ele, para garantir que ninguém saísse, a segurança do local utilizou métodos intimidatórios: "Os caras botaram um 'hot' (Rottweiler) e um segurança com facão na mão para nós presos com ônibus lá dentro... até ter uma negociação. Absurdo isso chegar a esse ponto", relatou.
Situação com a SAF
Em meio a todos os desconfortos, o clube vivia expectativas de melhora com a criação da SAF - que não se traduziram, para Agnaldo, em melhoras efetivas. Para ele, o novo modelo é excessivamente burocrático e lento, o que impactou diretamente no dia a dia do futebol.

Agnaldo afirma ter tirado dinheiro do próprio bolso para arcar com despesas que deveriam ser do clube, a exemplo de lanches para os atletas dentro do ônibus em viagens para Aracaju, custos de hospedagem e alimentação em concentrações e passagens para sua esposa, sem ser ressarcido por esses valores.
Ele também mencionou que a falta de transparência e os atrasos causaram uma série de baixas na comissão técnica, incluindo a saída do preparador físico, do assistente G e do treinador de goleiros.
Time sem técnico
Com todos os ocorridos, o posicionamento do ex-técnico é claro: ele não assinará a rescisão contratual enquanto não receber os valores em débito. Como o contrato entre Agnaldo e a SAF é de 10 meses e o nome do treinador ainda consta no BID da CBF, o Atlético de Alagoinhas está impedido, por ora, de registrar oficialmente um novo treinador.
"Eu só assino (a rescisão) se realmente eles pagarem tudo. Aí sim eu posso fazer a minha rescisão para ficar livre para ir para outro clube. Se não caiu o Pix eu aqui como treinador, imagina eu fora?", explicou.
O caso agora está sob a responsabilidade de um advogado de Salvador, que já protocolou uma petição judicial contra o clube, e deve receber novos capítulos em breve na Justiça. O clube entra em campo na próxima terça-feira, 3, contra o Juazeirense, pelo Campeonato Baiano.
Queda do Atlético-BA
Toda a confusão vem se refletindo no cenário do clube, que vive uma queda grande em rendimento nesta temporada. Campeão baiano em 2021 e 2022 e semifinalista na temporada passada, o Atlético-BA iniciou 2026 na lanterna do Campeonato Baiano.
Foram apenas dois pontos em cinco jogos, evidenciando uma grave crise técnica e financeira no início da temporada. Atualmente, o time é o último colocado do Baianão 2026 com campanha formada por derrotas, incluindo a goleada de 4 a 1 para o Jequié que resultou na demissão de Agnaldo.
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