POLÍTICA INTERNACIONAL
Com a captura de Maduro, Brasil pode se tornar a sede da Copa de 2026?
Como as questões de guerra impactam a escolha de países-sede na Copa do Mundo

Por Marina Branco

Com o presidente da Venezuela Nicolás Maduro capturado e sendo mantido nos Estados Unidos, o mundo inteiro entrou em alerta - e para os fãs de futebol, isso remete à tão esperada Copa do Mundo, que em 2026 acontecerá justamente por lá.
A dúvida, então, surgiu. Com as tensões envolvendo o país, os Estados Unidos poderão sediar a Copa? Se não, para onde a Copa iria? Para uma sede anterior?
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Nesse caso, a sede de 2022, Qatar, está na zona de guerra do Oriente Médio. A de 2018, a Rússia, está em guerra com a Ucrânia. Com isso, chegamos ao Brasil, em 2014 - que não está em guerra com ninguém.
Sendo assim, é possível que a Copa do Mundo aconteça no Brasil em 2026? A resposta é simples: não. Mas existe uma justificativa para isso.
Candidatura conjunta
Para começo de conversa, é necessário lembrar que a Copa do Mundo de 2026 não acontecerá nos Estados Unidos, mas sim nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Com isso, a candidatura foi feita em conjunto, com cada país assumindo garantias governamentais próprias e compromissos contratuais individualizados com a FIFA.
Isso significa que, mesmo que algo fosse tirado dos Estados Unidos, a Copa não procuraria uma nova sede - ela já tem duas, escolhidas, confirmadas e preparadas para recebê-la, e que não podem ser prejudicadas por problemas de apenas um país da tríade.

Mas não é zona de guerra?
Com isso, surge um novo questionamento: se os Estados Unidos estiverem em guerra, isso não torna Canadá e México, países fronteiriços, uma zona de guerra também?
Mais uma vez, a resposta é não, e a justificativa é simples. Os Estados Unidos podem estar em conflito, mas a guerra de fato não estaria acontecendo em território estadunidense.
A chance de uma guerra eclodir na Venezuela é muito superior à de uma eclosão nos Estados Unidos. Assim, os Estados Unidos até poderiam entrar em guerra, mas isso não tornaria Canadá e México zona de guerra e, portanto, os mantém elegíveis para Copa, já que são sedes viáveis, estáveis e sem conflitos armados.

Atualmente, não há reconhecimento internacional que classifique Estados Unidos, Canadá ou México como territórios inviáveis para a realização de grandes eventos esportivos.
Sem sanções multilaterais formais, decisões do Conselho de Segurança da ONU ou riscos diretos à segurança do torneio, não há base jurídica para suspender os direitos dos países-sede.
A situação não é nova
Além de tudo isso, a captura de Maduro não acende um alerta em relação à Copa do Mundo. Se o problema em questão fosse conflito, os Estados Unidos já estavam em conflito com o Irã muito antes - e não por isso o papel de país-sede foi posto em questão.
E isso, de certa forma, faz todo sentido quando se analisa o contexto recente de decisões da Fifa. Em 2018, por exemplo, a Copa foi realizada na Rússia, que tinha conflitos ativos na Crimeia e no Donbass.

Ainda assim, a FIFA manteve o evento, adotando medidas políticas apenas depois da invasão da Ucrânia, sem efeitos retroativos sobre a Copa já disputada.
Outras edições também ocorreram sob questionamentos relacionados a direitos humanos e segurança internacional, sem que isso resultasse em retirada da sede. O padrão é claro: a FIFA só altera sedes quando há inviabilidade esportiva direta, colapso institucional ou sanções multilaterais que tornem o evento impraticável.
Por que o Brasil não entra como alternativa?
Apesar da experiência e da infraestrutura comprovadas, o Brasil não apresentou candidatura para 2026, não possui garantias governamentais ativas para esse ciclo e não há previsão estatutária de "retorno" da Copa à sede anterior em caso de crise.
Além disso, logística, direitos comerciais, calendário e acordos com patrocinadores já estão integralmente desenhados para a América do Norte.

Fica com a Copa feminina
Sendo assim, os brasileiros já podem desistir - a única Copa do Mundo que o país receberá em breve é a feminina em 2027, ou, no máximo, a de clubes em 2029, já que a Confederação Brasileira de Futebol se candidatou para sediar o torneio.
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