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GINÁSTICA RÍTMICA

Como ginastas se preparam? Entenda a rotina de treinos e onde começar

Conheça o caminho e os principais locais que oferecem aulas de ginástica rítmica em Salvador

Marina Branco
Por
Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica
Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica - Foto: COB

Quem já teve a oportunidade de assistir a uma apresentação de ginástica rítmica com certeza já se viu hipnotizado pelos saltos, collants brilhantes e movimentos que fazem com que as ginastas pareçam estar voando. Por trás de tudo isso, no entanto, existem anos de treinamento, dedicação e uma vida dedicada ao esporte que preenche os dias das ginastas desde muito pequenininhas.

Muitas delas tiveram a oportunidade de conhecer e ver a dança da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica no último sábado, 23, durante a 15ª edição do Festival Talentos da Terra. No evento, as pequenas que sonham em chegar à ginástica profissional viram, de perto, como a modalidade exige controle do corpo e da mente.

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Uma das ginastas da Seleção, Bárbara Galvão, explicou que a preparação de alto rendimento não começa apenas quando a competição se aproxima. Segundo ela, a rotina das atletas é construída ao longo de todo o ano e os treinos buscam reproduzir, o máximo possível, as sensações de uma disputa oficial.

"Nossa rotina varia muito durante o ano. Desde o início até terminar as competições, nossa rotina é muito parecida. No final da temporada, a gente já começa a se preparar para o próximo ano", contou.

Treinar como se estivesse competindo

Na ginástica rítmica, a precisão é um dos pontos centrais. Cada movimento precisa estar conectado à música, ao aparelho, ao corpo da atleta e, no caso das séries em conjunto, às demais ginastas. Por isso, a preparação envolve não apenas aprender uma coreografia, mas repeti-la até que ela possa ser executada mesmo sob pressão.

Bárbara explicou que uma das estratégias da Seleção é transformar o treino em uma espécie de simulação de competição. A ideia é fazer com que o ambiente competitivo, com nervosismo, expectativa e adrenalina, seja trabalhado antes mesmo da chegada aos campeonatos.

"A gente tenta, cada dia, realmente simular o que vai ser em competição, desde os treinos, treinar com a cabeça toda na competição, para quando chegar à competição ser só mais um treino", afirmou.

Bárbara Galvão, atleta da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica
Bárbara Galvão, atleta da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica - Foto: COB

"Essa é uma estratégia muito boa para conseguir controlar nervosismo, adrenalina, para a gente conseguir reproduzir o que faz cada dia nos treinos", completou.

Um exemplo disso foi justamente a passagem da Seleção por Lauro de Freitas. Apesar de não se tratar de uma competição oficial, a apresentação diante de um público cheio e vibrante provocou sensações parecidas com as vividas em campeonatos.

"Para nós, dá aquela adrenalina, aquele friozinho na barriga, que simula muito a competição. Então, é sempre muito especial estar simulando antes das nossas competições essas apresentações, que dão esse friozinho na barriga para a gente poder chegar na competição ainda melhor", disse Duda.

Como ser ginasta em Salvador?

O treino, então, é o caminho para se tornar atleta em qualquer lugar - e em Salvador não é diferente. A modalidade combina elementos de dança, expressão corporal, flexibilidade, coordenação motora, equilíbrio, saltos, giros e manejo de aparelhos como corda, arco, bola, maças e fita, e tudo exige constância ao longo de anos.

Em Salvador, clubes que oferecem ginástica rítmica destacam esses elementos na formação das alunas. O Clube Bahiano de Tênis, por exemplo, define a modalidade como olímpica e ressalta que ela combina movimentos harmonizados à música com técnica, equilíbrio, flexibilidade, saltos e giros, além de desenvolver disciplina, responsabilidade, criatividade e coordenação motora.

Já a AABB Salvador oferece aulas com aparelhos como fita, bola, arco, maça e corda, com turmas para crianças de quatro a oito anos e para crianças a partir de nove anos, além de modalidade para adultos.

Na prática, a preparação de uma ginasta começa com aprendizados básicos de postura, alongamento, coordenação, ritmo, noção espacial e domínio dos aparelhos. Com o tempo, entram combinações mais complexas, séries coreografadas, apresentações e competições.

Começar cedo ajuda?

No universo da ginástica e dos esportes em geral, é comum que muitas crianças comecem cedo. Mas, para quem trabalha na formação, a iniciação precisa respeitar idade, desenvolvimento, segurança e acompanhamento adequado.

Uma das idealizadoras do Festival Talentos da Terra, Ângela Bispo, explicou que, no Centro de Treinamento Kadosh, crianças podem iniciar a partir dos três anos. Já no projeto social, a entrada acontece a partir dos seis anos.

Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica no Festival Talentos da Terra
Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica no Festival Talentos da Terra - Foto: Marina Branco I Ag. A TARDE

"É muito importante elas iniciarem mais cedo, porque já tem um roteiro a se aprender: a disciplina, o compromisso, a responsabilidade. Então, nós trabalhamos de uma forma que elas consigam galgar tudo isso de forma positiva", afirmou.

Essa formação, segundo Ângela, não está ligada apenas à busca por medalhas. O esporte também ajuda no desenvolvimento de hábitos e valores que acompanham as crianças fora do tablado.

A história de Evelyn, de oito anos, aluna do projeto, mostra como esse processo pode aparecer no cotidiano. A menina começou na ginástica no ano passado, depois de se encantar pela modalidade ao assistir desenhos da Barbie. Desde então, segundo a mãe, Silene, passou a demonstrar mais foco e determinação.

"Ela é muito determinada. Quando ela quer algo e às vezes não consegue, sozinha começa a fazer em casa. Eu falo: 'filha, calma'. E ela diz: 'não, minha mãe, eu tenho que fazer direito, para na hora eu fazer bem bonito'", contou a mãe.

Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica no Festival Talentos da Terra
Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica no Festival Talentos da Terra - Foto: Marina Branco I Ag. A TARDE

Para Silene, a ginástica despertou na filha uma vontade constante de melhorar e uma paixão pelo esporte cada vez maior. A ansiedade para conhecer as atletas da Seleção Brasileira no Festival Talentos da Terra foi tanta que Evelyn acordou por volta das três da manhã no dia do evento.

"Ela dizia: 'minha mãe, eu quero ver, eu quero conhecer as meninas'. Ela diz que ama fazer ginástica, e eu estou procurando investir para que o desejo dela venha se tornar realidade", afirmou.

Onde fazer ginástica rítmica em Salvador

Para famílias de Salvador que se interessaram pela modalidade, há diferentes caminhos possíveis, de clubes, escolas especializadas e projetos sociais a entidades ligadas à ginástica e iniciativas acompanhadas pela federação da modalidade.

A Federação Bahiana de Ginástica é uma das principais referências para quem deseja buscar informações sobre entidades, eventos, cursos e competições da modalidade no estado, encaminhando as pequenas ginastas para diversos centros de treinamento.

Onde treinar GR:

  • AABB Salvador: oferece aulas de ginástica rítmica com turmas infantis, pré-treino e turma para adultos. A programação divulgada pelo clube inclui aulas para crianças de quatro a oito anos e para crianças a partir de nove anos.
  • Clube Bahiano de Tênis: apresenta a ginástica rítmica como modalidade olímpica, com prática individual ou em grupo, a mão livre ou com aparelhos como corda, arco, bola, maças e fita.
  • Yacht Clube da Bahia: também divulga a ginástica rítmica entre suas modalidades esportivas, destacando movimentos com bola, arco, fita e maças.
  • GORBA - Centro de Treinamento de Ginástica Olímpica e Rítmica: entidade esportiva em Salvador, no Parque Bela Vista.
  • CEGYM - Centro Esportivo de Ginástica Rítmica: presente na Ebateca da Pituba, no Estúdio Saúde de Jaguaribe, na Aldeia Health Club no Costa Azul, na Malta Fitness no Imbuí e na Alcateia do Parque Bela Vista.

Além de encontrar sua instituição, para quem está começando, o mais importante talvez seja o mesmo conselho deixado por Bárbara Galvão às meninas de Lauro de Freitas - não pensar apenas no resultado final, mas aproveitar o processo.

"Acreditar nos seus sonhos, mesmo que eles pareçam impossíveis, distantes. Batalhar e fazer com muito amor e alegria durante todo o processo. Não pensar só no produto final. Aproveitar cada dia, cada processo, cada treino"

Bárbara Galvão - Bárbara Galvão
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